Ainda tens curiosidade ou já só tens prompts?
já questionámos ou explorámos algo novo hoje? Sem curiosidade intelectual, não há verdadeira evolução.
Hoje diz-se que as melhores ideias nascem no equilíbrio entre a curiosidade humana e a velocidade das máquinas. Sabemos também que a IA gera conteúdo em escala e que a sua originalidade é duvidosa, pois baseia-se em tudo o que já se conhece. Já a criatividade humana atravessa uma jornada complexa de aprendizagem, erro e repetição, aperfeiçoando a ideia com coragem e fazendo nascer coisas que nunca observámos. Neste processo, entram experiências de vida, intuições, sensibilidades e o conhecimento obtido através das relações humanas, elementos que o algoritmo não pode simplesmente replicar. É por isso que a complexidade do pensamento crítico nos diferencia e nos torna criativos, dando-nos o poder de comunicar e de inspirar o mundo que nos rodeia.
Estará a curiosidade, a energia criativa e comunicacional, a vontade de descobrir algo profundamente, de explorar novas ligações, de ter a capacidade de observar e de despertar um interesse até então desconhecido, a ficar desgastada pelo facilitismo da IA? Estaremos a matar os “porquês” entre nós, porque o prompt torna a ideia de explorar tão rápida que esta perde a sua complexidade?
Estaremos a deixar para segundo plano a aprendizagem através das experiências e das perspetivas dos outros? Estaremos a penalizar a empatia, porque entendemos o mundo do outro através de informação que nos chega organizada com base numa autoridade algorítmica?
Estaremos a contribuir para a proliferação de preconceitos por não questionarmos os resultados da IA, ignorando imprecisões e enviesamentos? Será que estamos a deixar de ver a magia da criação no caos, no humor, no confronto de múltiplas perspetivas e nas conexões humanas que nos desafiam? É este desconforto, inerente à curiosidade humana e ao questionar do mundo, que nos leva rumo à verdadeira descoberta e que sustenta também a comunicação e a inovação!
Em bom rigor, para sermos curiosos, temos de estar em constante aprendizagem, e a diversidade humana é uma base incontestável dessa jornada. O que não pode acontecer é a IA concorrer com a curiosidade humana e com a complexidade do pensamento crítico, no sentido de os substituir.
Se tivermos a curiosidade humana expandida e acelerada pela tecnologia inteligente, encontraremos aqui um equilíbrio que define uma nova forma de colocar a curiosidade em movimento e a criatividade em maior efervescência. Se tivermos esta consciência, vamos transformar a IA num instrumento valioso para executarmos parte do processo criativo e para navegarmos pelo mundo da imaginação com mais dados e materializações de múltiplas ideias. A IA é, efetivamente, um instrumento poderoso, e será ainda mais se conseguirmos deixar a nossa essência naquilo que fazemos.
Se reconhecermos que a tecnologia nos pode libertar tempo para sermos mais curiosos e criativos, sem nos deixarmos absorver pela rapidez da entrega e pela urgência do imediato que a própria tecnologia impõe, encontramos um dos eixos de transformação da IA, para além da simples experimentação. Impera uma utilização com consciência crítica e com a estratégia certa para capturar o seu valor significativo, nunca abdicando da vontade de sermos humanamente curiosos.
O World Economic Forum publicou recentemente uma análise associada aos Riscos Globais, na qual a desinformação tem destaque. Hoje, os números mostram que mais de 50% do conteúdo da web já é gerado por IA e que o tráfego de bots já ultrapassou a atividade humana online (51%). Portanto, é a passos largos que caminhamos no universo da IA. Por isso, o que temos de fazer diariamente, nomeadamente dentro das empresas e de forma profundamente humana, é lançar a questão: já questionámos ou explorámos algo novo hoje? Sem curiosidade intelectual, não há verdadeira evolução.
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