As grandes diferenças nas dinâmicas do mercado imobiliário de Portugal e América do Sul
Não apenas em termos de valores de mercado, mas também em termos da própria natureza da procura e maturidade dos mercados.
Cada mercado tem as suas especificidades, as suas características, e os mercados pelos quais me responsabilizo, não são exceção. É possível verificar que os principais mercados da América do Sul e Portugal apresentam bastantes diferenças, não apenas em termos de valores de mercado, mas também em termos da própria natureza da procura e maturidade dos mercados.
Quanto ao mercado imobiliário português, é possível verificar que o investimento imobiliário se apoia muito no apelo internacional, na qualidade de vida e segurança que o país proporciona e no facto de Lisboa e o Algarve se terem consolidado como polos de investimento internacional. Estes fatores levam o país a afirmar-se como um destino estável e seguro. Além disso, é ainda um mercado muito influenciado pela mobilidade de grandes patrimónios e pela regulamentação fiscal e residencial. Em Portugal verificamos um mercado sólido no que diz respeito ao segmento premium, no entanto mais sensível no que toca a alterações regulatórias.
Relativamente à América do Sul, é possível notar uma certa heterogeneidade. Em alguns destes países, o imobiliário de luxo afirma-se como um ativo sólido de
preservação de capital, sobretudo em contextos dinâmicos e em evolução. Nestes mercados, o facto de o dólar servir frequentemente como referência de valor e de o principal objetivo das aquisições neste segmento ser a proteção patrimonial reforça o seu carácter defensivo. Assim, a resiliência do setor revela-se mais seletiva e concentrada nos segmentos premium, mantendo uma ligação próxima às condições macroeconómicas, mas com capacidade de adaptação.
Em Portugal, a procura pelo luxo tem uma dimensão mais emocional baseada na procura por mar, baixa densidade, autenticidade e estilo de vida, procurado sobretudo por investidores estrangeiros que têm um peso muito significativo, com investidores norte-americanos, brasileiros e europeus a liderarem as operações no segmento de luxo.
Já no mercado sul-americano, predominam os compradores nacionais com alto património e o comprador internacional acaba por ser mais seletivo e concentrando-se em localizações mais específicas. Aqui o luxo mantém uma componente mais tradicional com grandes superfícies, urbanizações privadas, segurança e serviços exclusivos.
Ainda assim, mesmo tratando-se de países tão distintos as comodidades mais procuradas são comuns a ambos. A procura foca-se maioritariamente em habitações com espaços exteriores, com uma boa localização, com tecnologias integradas, boas acessibilidades e proximidade de serviços de alto nível como escolas internacionais, espaços culturais e restaurantes renomados. Procuram-se ainda habitações que garantem privacidade, segurança e espaços de bem-estar como spa, ginásio ou espaços de saúde.
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