Bernard Arnault está a preparar a sucessão na LVMH?

Bernard Arnault tem razão: dificilmente podem ser considerados a última família real de França. Se a LVMH fosse um reino, sem debate nem interrogações, ele seria rei até ao fim.

Se há assunto que tem dominado as notícias em torno do grupo LVMH este ano, é aquele que junta na mesma frase sucessão e Bernard Arnault, chairman, fundador e, porque não dizê-lo, pai do luxo como o entendemos hoje. Quem vai suceder ao todo-poderoso multimilionário francês (já não está tão multimilionário)? A família, seguramente. Um dos cinco filhos, quase de certeza. Quando? O mais tarde possível.

Eis o estado da arte: a família detém (ainda) mais controlo sobre a holding que controla o grupo LVMH. Qualquer decisão estratégica da companhia terá Arnault na assinatura. Preferencialmente, Bernard Arnault.

Não se pode dizer que tenhamos sido apanhados de surpresa. Quando, em janeiro, na véspera da apresentação dos resultados de 2025, um grupo de acionistas pediu um plano de sucessão, Bernard Arnault fez orelhas moucas. “Este é um grupo familiar e vai continuar a ser um grupo familiar”, disse. Meses antes, a cúpula acionista tinha concordado em alargar a idade limite do CEO dos 80 para os 85 anos. Bernard Arnault tem 77 anos e, pode concluir-se, não quer deixar o poder.

Se o faz por apego à liderança ou por considerar que nenhum dos filhos tem ainda capacidade para liderar o grupo LVMH, não se sabe. Arnault tem tomado decisões, mas optado por pequenos gestos em vez de movimentos definitivos. E não é imune ao que se diz sobre ele e sobre a família.

Este ano, pela primeira vez, cada um dos seus cinco filhos falou na assembleia geral do grupo sobre o seu papel na companhia. E, em julho, depois da publicação de artigos que questionavam as suas relações com presidentes franceses, a engenharia fiscal da LVMH e alegadas tensões familiares entre os filhos, Bernard Arnault respondeu.

A defesa fez-se pelo sarcasmo e, logo no primeiro parágrafo, quis deixar passar a ideia de que entre os filhos reina a harmonia. “Parece que sou o chefe da ‘última família real de França’. Soube-o ao ler o Le Monde, entre duas chávenas de chá. Os meus filhos, avisados pelo WhatsApp, perguntaram-me se isso significava que, a partir de agora, tinham de me fazer uma vénia. Respondi-lhes que um simples ‘bom dia, senhor’ bastaria, como habitualmente. Desataram a rir. Foi, creio, o melhor momento da semana”.

Bernard Arnault tem razão: dificilmente podem ser considerados a última família real de França. Se a LVMH fosse um reino, sem debate nem interrogações, ele seria rei até ao fim e bastava-lhe passar a coroa ao filho mais velho. Assim, vai ser mais difícil.

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