Capacitação humana no centro da Força Terrestre 2045
INOVARMY marca uma nova etapa: deixar de olhar para a inovação apenas como demonstração tecnológica ou debate especializado, para a assumir como instrumento de capacitação da Força Terrestre 2045.
O INOVARMY Summit & Expo 2026 reuniu 128 entidades e 394 presenças inscritas, de origens diversas, num encontro que junta necessidade operacional, conhecimento científico, capacidade industrial e uma visão de futuro para o Exército das próximas duas décadas.
O encontro decorreu entre 19 e 20 de maio, no Fórum Braga, um espaço que simboliza e agrega o conhecimento, a juventude, a iniciativa e a abertura à inovação — assumiu um significado acrescido ao integrar o INOVARMY 2026 na prestigiada Semana da Economia de Braga. Ao fazer coincidir o evento com o bloco dedicado ao “Novo Ciclo para a Inovação e Ciência”, evidencia-se de forma clara a Defesa como um motor indutor de desenvolvimento e de soluções tecnológicas de duplo uso.
Esta simbiose com as dinâmicas regionais que, nesta semana, debateram também a Inteligência Artificial, a Computação de Alto Desempenho e os materiais avançados de proteção, reforça a convicção de que a modernização do Exército não caminha isolada, mas sim em total alinhamento com a Academia e com o tecido empresarial, gerando competitividade e valor estratégico para o País.
Este ambiente confere particular significado à reflexão iniciada neste encontro sobre a modernização tecnológica, a capacitação humana e a preparação do Exército para um ambiente operacional cada vez mais exigente.
Sucedendo aos eventos da série “Evento de Inovação e Modernização Tecnológica no Exército”, o INOVARMY marca uma nova etapa: deixar de olhar para a inovação apenas como demonstração tecnológica ou debate especializado, para a assumir como instrumento de capacitação concreta da Força Terrestre 2045.
A presença diversificada de militares, universidades, empresas, centros de investigação, entidades públicas e parceiros nacionais e internacionais confirma uma ideia essencial: a modernização do Exército faz-se no encontro entre a experiência operacional, o conhecimento científico, a criatividade tecnológica e a capacidade de transformar oportunidades em soluções úteis à missão.
Este encontro é decisivo porque as ameaças atuais, mesmo quando não são novas na sua essência, apresentam capacidades transformadoras e de reconfiguração acelerada. Os conflitos atuais, em particular no espaço europeu, mostram uma guerra que recupera a letalidade e a intensidade dos conflitos do século passado, mas com novas roupagens, desde a dimensão híbrida, informacional, cibernética e espacial, influenciando a forma como se combate, se decide, se protege e se sustenta uma força.
Parecendo que o multidomínio se constitui como uma nova terminologia ou mesmo um novo paradigma que sustenta um novo ambiente operacional, e por mais que se queira argumentar, o domínio terrestre continua a ser decisivo nas operações militares, na medida em que o próprio conflito e a decisão se desenvolvem em terra, porque é em terra que vivem as pessoas e porque é em terra que todos os efeitos últimos e decisivos provenientes dos restantes domínios se fazem sentir.
Importa igualmente considerar que, o ambiente multidomínio, acarreta desafios e ”áreas cinzentas” que incrementam a complexidade, associada à dronização aeroterrestre, criando a camada “land-air litoral”, também conhecida como “green airspace” ou “U-space”, e à crescente necessidade de robotização terrestre, seja para poupar vidas, seja para as apoiar. Estes desafios exigem uma adaptação, simultaneamente humana, tecnológica, formativa e decisional, face à integração de sistemas autónomos, à crescente dependência de dados e às implicações éticas e cognitivas da sua utilização em combate.
Num tempo de sensores, algoritmos, biotecnologia e sistemas autónomos, importa reafirmar que o elemento humano continua a ser o centro deste universo militar. Num tempo em que a máquina ganha e imprime velocidade, autonomia e presença no campo de batalha, importa afirmar uma ideia simples: o homem continuará a ser o criador da máquina, o decisor e o responsável último pela missão.
Neste contexto, inovar não é apenas acompanhar o tempo. É ganhar ao tempo, perceber mais cedo, adaptar melhor e integrar soluções antes que a vantagem competitiva se dissipe. É combinar, da forma mais harmoniosa, as pessoas e a tecnologia que desenvolvem e que as afeta, e fazê-lo à maior velocidade do tempo.
É neste quadro que a Força Terrestre 2045 deve ser entendida: não como um exercício teórico, nem como uma visão distante, mas como um processo exigente de transformação, orientado para garantir que o Exército Português permaneça interoperável e preparado para cumprir a missão que a Nação lhe confia.
A tecnologia será indispensável, mas só terá verdadeiro valor se aumentar a capacidade de quem comanda, combate e sustenta. Por isso, num tempo de sensores, algoritmos, biotecnologia e sistemas autónomos, importa reafirmar que o elemento humano continua a ser o centro deste universo militar. Num tempo em que a máquina ganha e imprime velocidade, autonomia e presença no campo de batalha, importa afirmar uma ideia simples: o homem continuará a ser o criador da máquina, o decisor e o responsável último pela missão. A tecnologia pode ampliar capacidades, mas só ganha sentido quando serve o Soldado. Por isso, capacitar o Exército é, antes de tudo, capacitar as pessoas: preparar melhor quem decide, quem comanda, quem combate e quem serve Portugal.
É esta lógica — a tecnologia ao serviço do militar e o militar ao serviço da missão — que dá particular sentido ao tema central desta edição: a Capacitação Humana na Força Terrestre 2045.
O programa desta INOVARMY foi estruturado precisamente com essa coerência.
No primeiro dia, o programa aludiu à Transformação Militar, associando a inovação à edificação do Exército que se pretende construir, incluindo as capacidades que terão de ser desenvolvidas e o papel que a inovação deve assumir na preparação da Força Terrestre 2045.
A modernização militar é o produto de uma relação madura entre a necessidade operacional, a investigação científica, a produção tecnológica e os instrumentos nacionais e europeus de financiamento.
Também a Biotecnologia e a Capacitação Humana constituem uma dimensão que está no coração desta edição, pois toca diretamente no desempenho, na proteção, na resiliência, na regeneração e na capacidade do militar em ambiente operacional. A apresentação do Projeto AMIDA, os momentos de pitch e a exposição tecnológica permitem ligar esta reflexão estratégica a projetos concretos, soluções testáveis e parcerias possíveis.
No segundo dia, o programa assumiu uma orientação ainda mais prática, no sentido de compreender melhor os roteiros de inovação na NATO, na União Europeia e na Agência Europeia de Defesa, e de refletir sobre os ecossistemas nacionais de inovação biotecnológica e capacitação humana, numa perspetiva de valorização do que o País já possui: conhecimento, talento, investigação, empresas e universidades capazes de desenvolver soluções com utilidade operacional.
O Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx) assume um papel central, enquanto espaço onde a ciência, a inovação e a experimentação militar se encontram ao serviço da Força Terrestre 2045. Mais do que um organismo, representa uma atitude: testar, validar, corrigir e transformar. É essa cultura que o Exército pretende consolidar, ligando a Academia, a Indústria, os centros de investigação, as startups e os militares num esforço comum de criação de valor operacional para Portugal.
Por fim, a fechar o evento, foi conferido maior destaque à cooperação entre o Exército e a Indústria, mostrando como estas áreas podem traduzir-se em respostas concretas para o combatente de 2045, aproximando a investigação aplicada, a produção tecnológica e a necessidade operacional.
Este alinhamento não é casual. Traduz uma intenção clara: passar da visão à oportunidade, da oportunidade ao projeto, e do projeto à capacidade. É este o verdadeiro sentido da INOVARMY: fazer com que a inovação deixe de viver apenas nos documentos, nos laboratórios ou nas conferências, e entre no ciclo real de modernização do Exército, chegando às unidades, ao treino, à sustentação e ao emprego operacional.
Neste caminho, o Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx) assume um papel central, enquanto espaço onde a ciência, a inovação e a experimentação militar se encontram ao serviço da Força Terrestre 2045. Mais do que um organismo, representa uma atitude: testar, validar, corrigir e transformar. É essa cultura que o Exército pretende consolidar, ligando a Academia, a Indústria, os centros de investigação, as startups e os militares num esforço comum de criação de valor operacional para Portugal.
Ainda no campo da Experimentação Operacional, a Zona Livre Tecnológica do Exército, D. Afonso Henriques, em fase final de regulamentação, assume-se como um instrumento estratégico essencial, ao proporcionar um ambiente real ou quase real para a experimentação de tecnologias inovadoras, permitindo testar, validar e acelerar a integração de soluções emergentes em condições seguras e controladas.
Este modelo fomenta, ainda mais, a ligação entre o Exército, a Indústria e a Academia, promovendo a transformação do conhecimento em capacidades operacionais concretas, contribuindo decisivamente para a modernização da Força Terrestre. Neste enquadramento, a sua relevância para o exercício ARTEX 2026, a decorrer entre 28 de setembro e 14 de outubro de 2026, em Santa Margarida, e que este ano integra também o exercício de experimentação operacional da Agência Europeia de Defesa, o HEDI OPEX, é determinante, ao criar o contexto ideal para a experimentação tecnológica em cenários realistas e multidomínio.
Este caminho exigirá recursos, método, liderança e continuidade, mas exigirá sobretudo o desassossego que tantas vezes tem sido transmitido pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército: o desassossego de quem não se resigna, de quem não espera que o futuro aconteça, de quem compreende que servir melhor Portugal exige iniciativa, preparação e ambição.
Essa responsabilidade pertence também aos mais jovens, porque o futuro do Exército não será apenas herdado: será construído por aqueles que tiverem a coragem de perguntar, todos os dias, como é possível fazer melhor, proteger melhor, decidir melhor e servir melhor Portugal.
Há, na história das Nações, mudanças que não nascem da tranquilidade, mas do desassossego lúcido de quem sente a responsabilidade do futuro. É esse desassossego, sereno na intenção, firme no propósito e exigente na ação, que deve acompanhar este caminho. Não para mudar por impulso, mas para inovar com sentido. Não para correr atrás do futuro, mas para o preparar com inteligência, coragem e serviço.
Destes dias saíram ideias mais claras, parcerias mais sólidas e soluções mais próximas da realidade operacional. O INOVARMY será lembrado como um momento de impulso para a modernização, para a capacitação humana e para a construção da Força Terrestre 2045.
Com o INOVARMY Summit & Expo 2026, reforça-se a ligação entre o Exército, a Academia, a Indústria e o Sistema Científico e Tecnológico Nacional, ao serviço da modernização, da inovação e da preparação da Força Terrestre 2045.
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