Carnaval: Portugal e as melhores campanhas de 2020 no Brasil

Não tardará muito até começarmos a ver boas campanhas portuguesas sobre o carnaval. Até lá, teremos que nos contentar com as campanhas brasileiras.

Alguma vez parou para pensar neste tema: se o carnaval é muito mais relevante em Portugal do que o halloween, porque motivo é que vemos muita publicidade de halloween e quase nenhuma publicidade sobre o carnaval? A resposta é relativamente simples. Infelizmente, dada a pequena dimensão do nosso mercado, consumimos muita publicidade americana adaptada à língua portuguesa. Esta é uma tendência que já vem de há muito tempo e que durante os duros anos da crise económica nacional ganhou uma expressão maior. Felizmente, os últimos anos têm sido de inversão — ainda que ténue — deste cenário.

Se recuarmos uns anos, percebemos que o carnaval tem já uma tradição assinalável no nosso país, inicialmente apenas junto das crianças e muito focalizada em certas zonas do país como a Madeira, Loulé, Estarreja, Torres Vedras ou Ovar. Embora de clara e inequívoca inspiração brasileira, o carnaval foi ganhando uma identidade nacional, principalmente em algumas cidades que aproveitam a época para fazer uma sagaz crítica social e política. Nos últimos anos, o carnaval tem vindo a crescer de importância e alastrou-se não só a todo o país, como praticamente a todas as classes etárias e sociais. Muito por culpa, do crescimento da imigração brasileira. Esta é pois uma oportunidade que as marcas não podem ignorar.

No Brasil, onde este é um dos principais momentos do ano de comunicação das marcas, estas têm aproveitado para alterar radicalmente a forma como chegam aos consumidores. A título exemplo, este ano, o WhatsApp aproveitou o carnaval para fazer a sua primeira campanha no Brasil. Um filme publicitário chamado de “Fica só entre vocês” e que narra a história de uma escola de samba que nas vésperas do carnaval incendeia e que depois deste trágico acidente conta com o apoio das outras escolas concorrentes, que se unem pelo WhatsApp, para fazerem com que seja possível esta escola desfilar. Segundo consta, este filme baseia-se num acontecimento real, nomeadamente no incêndio sofrido o ano passado pela “Independente Tricolor”.

Mas se este ano o WhatsApp brilhou com uma história de entre-ajuda, a AMBEV (principal empresa de bebidas do país) escolheu outro foco: a sustentabilidade. A campanha chama-se “Alegria que Transforma” e é uma iniciativa em que a empresa se disponibilizou para recolher o lixo provocado pelas comemorações do carnaval nas 5 principais cidades brasileiras. Com esse material recolhido, serão construídos 2000 contentores de lixo que serão colocados precisamente nessas mesmas cidades.

Se acha que estas duas ações foram incríveis então recoste-se bem antes de saber o que a cerveja Skol preparou para o carnaval brasileiro. O que lhe parece um avião que é capaz de desviar a chuva dos desfiles carnavalescos através de uma tecnologia inovadora? Parece-lhe mentira? Olhe que não, o melhor é mesmo ver o vídeo.

Mas o grande tema deste ano foi mesmo a questão do assédio. A plataforma de transporte (tipo Uber) “Aplicativo 99”, que já no ano passado tinha feito uma grande campanha em cima do tema, este ano decidiu subsidiar com R$ 20 todas as viagens de mulheres até às “Delegacias da Mulher” do Rio de Janeiro, para incentivar à denúncia de práticas de assédio sexual. No entanto, a campanha gerou uma enorme polémica nas redes sociais através de utilizadoras que alegaram que este “desconto” poderia ser substituído por outras práticas mais eficazes. Também a concorrente Uber não quis ficar de fora e fez uma campanha de outdoor sobre o tema.

Em suma, não tardará muito até começarmos a ver boas campanhas portuguesas sobre o carnaval. Até lá, teremos que nos contentar com as campanhas brasileiras. Que este ano foram bem boas.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Carnaval: Portugal e as melhores campanhas de 2020 no Brasil

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião