Covid-19 e recrutamento: estamos a ir na direção certa?

  • Rita Mendes
  • 1 Fevereiro 2021

Muitos profissionais desta área debateram-se com um novo desafio. Como podemos conhecer e avaliar devidamente candidatos num contexto puramente remoto?

A Covid-19 fez-nos ficar em casa, parar, explorar os nossos pensamentos e opiniões sobre diversos assuntos. Da nossa vida pessoal às nossas aspirações profissionais, no ano mais estranho das nossas vidas é provável que tenhamos questionado o status quo de todos os aspetos da nossa vida.

Esta mudança abrupta também foi sentida em RH e, em específico, no recrutamento. Muitos profissionais desta área debateram-se com um novo desafio: transitar para um recrutamento exclusivamente remoto. Como podemos conhecer e avaliar devidamente candidatos num contexto puramente remoto?

Foi uma situação deveras stressante e exigente. Tivemos de mudar tudo de um dia para o outro, sem ter formação ou tempo para preparar. Num dia estávamos no escritório a fazer entrevistas, no outro estávamos nos nossos quartos ou salas, em casa, a fazer videoconferências. Fizemos isto com a pouca experiência e recursos que tínhamos.

Felizmente, nós, seres humanos, somos fantásticos a adaptar-nos a novas circunstâncias. Desde o primeiro minuto que muito conteúdo foi escrito e webinars organizados com dicas e boas práticas em como podemos fazer esta transição de forma suave. Estes foram os tópicos abordados mais comuns:

  • Precisamos de ser mais empáticos e investir mais tempo na nossa comunicação. Não sabemos os problemas que os candidatos têm quando chegam ao processo;
  • Devemos ter boas ferramentas e métodos de avaliação para prevenir más contratações;
  • Estando a contratar para posições completa ou parcialmente remotas pela primeira vez, as soft skills são cruciais. Os candidatos precisam de ser mais auto-motivados, confiáveis, entre outros.

No entanto, há algo aqui que me deixou preocupada. Estas práticas já deviam estar a ser aplicadas há muito tempo, independentemente de como o processo é estruturado ou feito. Estes são pontos críticos que não estão unicamente relacionados com recrutar remotamente. São pontos que devíamos considerar desde sempre.

Não me interpretem mal. Estou feliz que finalmente estejamos a falar disto e não dos temas eternos em torno da falta de talento, eficiência, KPIs, sourcing ou employer branding. Precisámos de uma quarentena para questionar as nossas velhas práticas. Isso já é, em si, uma vitória.

No entanto, o período de transição terminou. Já passaram meses e ainda não sabemos quanto tempo ficaremos neste ambiente remoto (será que é para sempre?). Estas práticas e dicas são cruciais para a estratégia de aquisição de talento. No entanto, são apenas atalhos para aquilo que é lidar realmente com uma transição para contratação de forma 100% em teletrabalho.

Cada empresa tem diferentes desafios e esta transição irá afetar diferentes áreas dependendo de onde estão as prioridades na estratégia de recrutamento. Por exemplo, se a interação física era vital para os hiring managers avaliarem pessoas, precisamos de saber porque motivo isso é tão importante para eles e estudar modos de colmatar o que está a falhar de uma maneira diferente (ou remota). Também pode passar por ajudá-los a lidar com esta transição e a dar-lhes formação de como podem adaptar as suas competências de entrevistadores neste novo cenário.

Este é o momento para criar mudança e não ficarmos demasiado afeiçoados à velha maneira de fazer as coisas. Temos de olhar em frente. A verdadeira revolução do Covid-19 em recrutamento não pode ser apenas um lembrete para implementar coisas que já deviam estar implementadas há muito tempo, antes da pandemia.

Temos de ir além disso e questionarmo-nos o que esta transição significará para cada realidade onde estamos inseridos.

* Rita Mendes é recruitment lead da Nmbrs.

  • Rita Mendes

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