Do pátio da Mariquinhas ao Hostel da Mariquinhas! A história de um fado português

  • José A. Nogueira
  • 5 Abril 2023

Já somos 3 milhões de pobres! Temos uma classe média em extinção. Se continuarmos neste caminho, o que aí se anuncia, não vai ser bom!

Num dos interlúdios desta vida do Direito, entre um código e outro, dei por mim a ouvir a mais recente versão de Gisele João, que canta, com encanto, essa maravilha que foi ver a emparedada e degradada casa da Mariquinhas transformada num Hostel, só para bifes! Lamentando que o tuga Português só emigrando pudesse aspirar a poder pagar tamanha mordomia e com libras esterlinas!

Basta atentar na letra escrita pela Capicua para perceber porque é que o fado do povo Português não muda e só fugindo do país se pode aspirar a tal estatuto de se hospedar no Hostel! E até beber uma caipirinha!

Ressalta da mesma letra um subliminar ressentimento, contra quem pegou na velha casa emparedada e a pôs a brilhar como nova!

Nada como a arte para captar um momento ou o sentimento de um povo.

Hoje, a sociedade portuguesa está anestesiada, convencida que só na esmola de um estado assistencialista encontra resposta para os SEUS direitos (à saúde, à educação, à justiça, à tão em moda habitação).

O 25 de abril vai fazer 50 anos. O Socialismo e a Social Democracia governam ininterruptamente há 20 anos, recebemos milhares de milhões de euros de apoio da comunidade europeia. Qual o resultado?

Que mais será necessário para ponderarmos que este sistema, centrado no Estado, nele delegando a responsabilidade da nossa vida, não funciona? Para quando permitirmos, exigirmos, que a sociedade civil tivesse um pouco mais de ar … um pouco mais de espaço?

  1. Espaço para não estar esmagada de impostos, desincentivando qualquer iniciativa;
  2. Espaço para se poder aceder e exercer a sua profissão, sem ter que passar pelas mais inúteis e hipócritas provas, em que se transformou o sistema de estágio. Estágios que mais não são do que máquinas de extorquir dinheiro aos jovens e condicionar o seu acesso à profissão!
  3. Espaço para poder transformar aquela casa velha herdada da família, num pequeno negócio, que de repente cria muitos outros negócios.
  4. Espaço para se poder ser empresário!

É que, de tanto matracar o mantra dos malvados empresários: os banqueiros, os retalhistas, os lojistas, os centros comerciais, os fundos, as grandes sociedades de advogados, etc etc., não haverá criança de idade escolar que não pense que, ser empresário, é sinónimo de ser um ser moralmente desprezível!

Não sei se o caro leitor já ponderou: se um empresário falha e tem que apresentar a sua empresa à falência, é um ladrão e não há exoneração que lhe valha para se poder reintegrar na sociedade e recomeçar de novo, mas, se tem sucesso e a sua empresa tem lucro, então, é um especulador, um agiota e logo se cria, em nome da igualdade e da redistribuição, mais um imposto especial!

Eu também sei que este artigo parece a letra de um triste fado, com a infelicidade de o povo Português, que tem na sua história uma das mais empreendedoras e valentes gestas humanas, esteja tão temeroso, tão acabrunhado, com medo de perder uma migalha, ansiando por mais um apoio do estado e não ouse votar numa mudança, da letra, do fado, da atitude, das políticas públicas.

Uma sociedade que premeie quem ousa, quem cria postos de trabalho – inova, estuda, coloca a igualdade nas oportunidades, e permite que não sejamos cada vez mais, iguais na pobreza.

Já somos 3 milhões de pobres! Temos uma classe média em extinção. Se continuarmos neste caminho, o que aí se anuncia, não vai ser bom!

Num país de 10 milhões cidadãos, 3 milhões de portugueses não pagam impostos, porque estão no limiar ou para além do limiar da pobreza!

Para quando ousar tentar…?

  • José A. Nogueira
  • Managing partner da RSN Advogados

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