Entre o sintoma e o diagnóstico, ainda falha a comunicação

  • Vanessa Rolim
  • 7 Abril 2026

Falar de saúde de forma acessível e responsável não é um detalhe. É uma condição para que mais pessoas reconheçam sinais de alerta, valorizem sintomas e procurem ajuda atempadamente.

A forma como comunicamos temas de saúde pode ser determinante para reconhecer sintomas, agir a tempo e melhorar resultados. Todos os anos, o Dia Mundial da Saúde traz-nos números, campanhas e alertas sobre prevenção, diagnóstico e acesso a cuidados. Mas há uma questão que continua a ser menos discutida e que pode fazer a diferença: quem está, de facto, a descomplicar a saúde para as pessoas?

Falamos muitas vezes da importância do diagnóstico precoce. Em muitas doenças (principalmente as mais graves), reconhecer antecipadamente os sintomas pode significar a diferença entre um tratamento eficaz, proporcionando mais qualidade de vida, e um prognóstico difícil e complexo. Mas há um passo anterior que nem sempre valorizamos: alguém tem de considerar esses sinais relevantes, o que, infelizmente, nem sempre acontece. Não por falta de informação, mas pela forma como ela chega.

A saúde continua, muitas vezes, a ser comunicada numa linguagem técnica, distante e pouco alinhada com o dia a dia das pessoas. O resultado é simples: o conhecimento existe, mas não se transforma em ação. É aqui que entra um ator essencial e muitas vezes subestimado: o jornalismo.

Num ecossistema saturado de informação, em que múltiplas fontes disputam atenção, o jornalismo continua a ocupar um lugar fundamental na comunicação em saúde. Para muitos, especialmente nas gerações mais velhas, mantém-se como uma das fontes mais credíveis e isentas. E isso, na área da saúde, faz a diferença.

O jornalista tem a capacidade de fazer aquilo que, muitas vezes, falta: descomplicar. Tornar compreensível o que é complexo. Dar a conhecer histórias e rostos, aproximar a realidade das pessoas. Dar contexto aos temas, explicar implicações e ajudar a perceber quando um tema é, de facto, relevante. Não se trata apenas de informar. Trata-se de criar compreensão, o primeiro passo para a decisão.

Num país em que a literacia em saúde ainda apresenta desafios, esta mediação torna-se mais crítica. Não basta produzir conhecimento, é preciso garantir que chega às pessoas certas, de forma clara, credível e útil.

Neste contexto, falar de saúde de forma acessível e responsável não é um detalhe. É uma condição para que mais pessoas reconheçam sinais de alerta, valorizem sintomas e procurem ajuda atempadamente.

O Dia Mundial da Saúde é uma oportunidade para reforçar isso mesmo: a qualidade da comunicação também tem impacto direto na saúde. Porque, muitas vezes, a diferença entre agir e adiar não está no sintoma: está na forma como alguém o explicou.

  • Vanessa Rolim
  • Healthcare communication manager na Guess What

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