Europa: entre a coesão e a urgência de competir – o papel de Lisboa e Vale do Tejo

  • Teresa Almeida
  • 9 Maio 2026

Celebrar o Dia da Europa é um exercício de responsabilidade política. A Europa atravessa um dos momentos mais exigentes da sua história recente.

Celebrar o Dia da Europa é um exercício de responsabilidade política. A Europa atravessa um dos momentos mais exigentes da sua história recente. É preciso agir com clareza estratégica, capacidade de decisão e ambição orientada para a competitividade, com base nos valores e nos grandes desafios da coesão e da convergência.

A agressão à Ucrânia expôs fragilidades estruturais no projeto europeu, desde a dependência energética à vulnerabilidade geopolítica. A instabilidade persistente no Médio Oriente acrescenta pressão sobre os mercados, fluxos migratórios e a própria coesão interna da União Europeia. Perante este quadro, a Europa não pode hesitar: tem de reforçar a sua autonomia estratégica e a sua capacidade de resposta.

Há uma escolha que tem de ser assumida com frontalidade: não haverá segurança nem soberania europeia sem competitividade económica. E não haverá competitividade sustentável sem uma política de coesão forte. É preciso competir onde somos mais fortes sem, com isso, deixar alguém para trás.

A Política de Coesão não é um instrumento do passado — é uma alavanca essencial para o futuro. É ela que garante que o investimento europeu chega aos territórios, que reduz assimetrias e que cria condições para que todas as regiões contribuam para o crescimento europeu. E fragilizá-la será um erro estratégico.

O debate sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual (2028–2034) coloca esta tensão no centro da agenda. O relatório Draghi trouxe um sinal político claro: a Europa precisa de um salto qualitativo na sua capacidade de competir à escala global. O novo Fundo Europeu de Competitividade visa fortalecer a competitividade industrial da UE com um orçamento de 409 mil milhões (ao qual acresce 41 mil milhões do fundo de inovação). O fundo consolida 14 instrumentos existentes para investir em tecnologias estratégicas, transição verde/digital, defesa e espaço, saúde e biotecnologia, garantindo um “portal único” para financiamento. Um passo importante que não pode comprometer a coesão territorial que alimenta a ideia de futuro da Europa.

O verdadeiro desafio político está na capacidade de conciliar estas duas dimensões: reforçar o investimento estratégico, sem abandonar os territórios que precisam desse investimento para convergir e crescer. Não se trata de escolher entre coesão e competitividade. Trata-se de garantir que uma componente alimenta a outra.

É neste quadro que a Região de Lisboa e Vale do Tejo representa uma oportunidade competitiva acrescida. A recente reorganização com a criação de três NUTS II (Grande Lisboa, Península de Setúbal e Oeste e Vale do Tejo) não é apenas um exercício administrativo — é um avanço político para redesenhar estratégias de desenvolvimento mais eficazes, mais próximas e mais ambiciosas de cada território dentro de uma lógica global RLVT. Significa reconhecer a diversidade interna do território e dar-lhe instrumentos para responder com maior precisão aos seus desafios.

Lisboa e Vale do Tejo tem condições únicas para liderar este novo ciclo: concentração de conhecimento, capacidade empresarial, redes institucionais e massa crítica para afirmar a região como um motor de competitividade nacional e europeia. Porém, essa ambição exige continuidade e previsibilidade no apoio europeu.

Assim, neste Dia da Europa, a inauguração da representação da NUTS II Oeste e Vale do Tejo em Bruxelas assume um significado político claro. Não é apenas um novo espaço institucional: é uma afirmação de presença, de influência e de compromisso com o futuro europeu.

A Europa constrói-se nos territórios. E é nos territórios que se decide a sua capacidade de resistir, de inovar e de liderar.

Lisboa e Vale do Tejo assume esse compromisso!

  • Teresa Almeida
  • Presidente da CCDR Lisboa e Vale do Tejo

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