Google Discover: de “Elevador” a “Filtro”! (Ou a tempestade que se aproxima em 2026)

  • Fernando Parreira
  • 20 Março 2026

Durante anos, muitos Publishers confundiram distribuição com estratégia. Confundiram alcance com audiência. E, acima de tudo, confundiram crescimento com dependência.

Se tens acompanhado o comportamento do Google Discover nos últimos meses, já deves ter percebido que há qualquer coisa a mexer. E não é subtil!

Em fevereiro de 2026, um estudo publicado pela NewzDash veio confirmar que a Google iria fazer alterações significativas na forma de como a plataforma seleciona e distribui conteúdos.

E não se trata apenas de um simples ajuste no algoritmo — é uma mudança completa na lógica de funcionamento.

O Discover está assim a deixar de ser um feed de descoberta “reactivo” e está a evoluir para um sistema de recomendação muito mais exigente, mais seletivo e muito mais personalizado.

E isso muda tudo…

O que está efetivamente a mudar no Discover

Durante anos, o Discover funcionou com uma lógica relativamente simples: identificar temas com potencial de interesse massivo e amplificar conteúdos que gerassem engagement rápido.

Agora, a lógica está a mudar nas seguintes dimensões:

  • De “tendências” para “interesse individual”
  • Menos tolerância a conteúdo oportunista
  • Mais peso na consistência editorial
  • Sinais de confiança e autoridade mais fortes

Tradução simples: o Discover está a deixar de ser um atalho. Durante anos, o Discover funcionou como um acelerador de tráfego relativamente acessível. Com as novas mudanças, passa a ser um sistema seletivo.

E em Portugal?

A maioria dos publishers portugueses obtém entre 10% e 30% do tráfego via Discover.
Em operações mais agressivas, esse valor sobe para 40% ou mais.
E há momentos em que o Discover representa mais de 50% da audiência diária.

Esse tráfego não é estável. Nem previsível. Nem controlável.

É tráfego “emprestado”.

O impacto real

O Discover pode representar 20%/30% do tráfego mas muitas vezes apenas 10%/20% da receita. Ou seja, inflaciona métricas… mas não constrói negócio.

O que vai acontecer a seguir

Os publishers que atualmente são muito dependentes poderão perder entre 20% e 50% do tráfego de Discover. Outros, que atualmente não são muito beneficiados, poderão começar a sentir um push nas audiência, motivado por estas alterações

E isto vai tudo acontecer muito rapidamente…

A provocação final

Durante anos, o Discover foi um “elevador”. Incrementou a escala para muitos publishers que souberam trabalhar o SEO e o oportunismo deste feed.

No entanto, a mudança é agora transformar-se num “filtro”. E, ao contrário do “elevador”, o “filtro” não quer levar todos os “passageiros”.

Nos EUA, os primeiros sinais já são claros. Dados recentes analisados pelo DiscoverSnoop mostram quedas significativas de tráfego em alguns dos maiores publishers:

  • o Yahoo perdeu cerca de 47% do tráfego vindo do Discover
  • a Fox News perdeu aproximadamente 34% da audiência com origem no feed

E estamos a falar de marcas com escala global, equipas robustas e enorme histórico editorial.

Se isto acontece a este nível, a pergunta torna-se inevitável: o que é que vai acontecer a mercados mais pequenos, mais dependentes e com menor relação direta com a audiência?

Porque aqui, a margem de erro é menor. A dependência é maior. E a preparação… não é propriamente evidente.

Durante anos, muitos Publishers confundiram distribuição com estratégia. Confundiram alcance com audiência. E, acima de tudo, confundiram crescimento com dependência.

Uma vez mais, o Discover não era um ativo. Era um empréstimo. E agora esse empréstimo está a ser cobrado…

A única questão que resta é esta: quem é que construiu um negócio sustentável… e quem é que apenas surfou o algoritmo?

Porque quando o “filtro” estiver totalmente ativo, não vai haver meio termo. Ou és escolhido. Ou desapareces.

  • Fernando Parreira
  • CRO InsurAds

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