IA de confiança precisa de um humano na liderança

  • Fernando Braz
  • 17 Maio 2024

Com um humano ao leme, podemos projetar sistemas de IA que aproveitam o melhor da inteligência humana e da máquina.

A Inteligência Artificial (IA) promete facilitar o nosso trabalho, tornando-o mais produtivo, assim como as empresas com maior valor. Um novo estudo do Slack evidencia que 80% dos profissionais empregados que utilizam ferramentas de IA generativa estão já a sentir um aumento na sua produtividade, e podemos mesmo afirmar que estamos apenas no início.

Com a introdução de assistentes de IA, o seu potencial para as empresas está a crescer. Os assistentes de IA podem já responder a questões, criar conteúdo e automatizar dinamicamente ações. Mais tarde, estes mesmos assistentes vão tornar-se agentes digitais, antecipando as nossas necessidades.

Mas com cada novo avanço da IA, surgem também novas questões éticas. Há um risco se um assistente de IA faz uma recomendação negativa de um produto. Mas se efetuar ações erradas com impacto no mundo real, como nas finanças pessoais ou com informações médicas, os riscos tornam-se subitamente mais elevados.

Ao entrarmos nesta nova era de interação humano-IA, como podemos aproveitar o poder desta tecnologia, sem nos expormos a riscos demasiado perigosos?

Manter o humano na liderança

A revolução da IA é uma evolução. Estamos a dar saltos enormes todos os dias, mas nem sempre podemos explicar porque é que a IA faz o que faz — ou eliminar cada instância de imprecisão, toxicidade ou desinformação.

Por estas razões, é importante que mantenhamos os humanos firmemente no controlo dos sistemas de IA. Mas à medida que a IA se torna cada vez mais sofisticada, pode ser difícil descobrir como incorporar esse toque humano. Todos já ouvimos falar de manter “humanos no circuito”, mas com esta nova geração de IA, às vezes não é realista envolver-nos em cada interação ou revermos cada resultado gerado.

Acreditamos que uma IA de confiança precisa de um humano na liderança. Em vez de pedir às pessoas que intervenham em cada interação individual de IA, estamos a projetar controlos mais poderosos e abrangentes que colocam os humanos na liderança dos resultados da tecnologia, que lhes permita concentrarem-se nas ações de maior impacto, que precisam mais da sua atenção. Por outras palavras, os humanos nem sempre estão a remar o barco, mas estarão sempre a conduzir o percurso.

Assim, com um humano ao leme, podemos projetar sistemas de IA que aproveitam o melhor da inteligência humana e da máquina. Por exemplo, podemos desbloquear eficiências incríveis ao encarregar a IA de rever e resumir milhões de perfis de clientes, enquanto construímos uma confiança maior, ao capacitar os humanos para se envolverem e usarem as suas cabeças, e o seu julgamento, de formas que a IA não consegue nem pode.

A IA deve ser um copiloto, e não um piloto automático

À medida que a IA se torna mais poderosa e autónoma, tomando decisões e realizando ações em nosso nome, manter um humano no topo e a controlar torna-se ainda mais importante. Ao combinar as capacidades da IA com a força da mente humana, podemos tornar a IA mais eficaz e de confiança.

A era da IA vai continua a desenvolver-se, e é por isso fundamental que tanto os humanos quanto a tecnologia evoluam ao mesmo passo. A revolução da IA não é apenas sobre inovação tecnológica — também se trata de capacitar os humanos para se sentarem com sucesso ao leme da IA, e usá-la de maneiras confiáveis e eficazes.

A nossa abordagem está a evoluir e, no que a este tema diz respeito, estamos comprometidos com o estudo contínuo, com a aprendizagem e a colaboração multi-stakeholder. Mas com um humano na liderança, acreditamos que podemos combinar o melhor da inteligência humana e a da máquina para esta nova era da IA, aproveitando as capacidades da tecnologia e libertando os humanos para fazerem o que fazem melhor: serem criativos, exercerem o seu poder de decisão e conectarem-se mais profundamente uns com os outros.

Com a IA e os humanos a trabalharem juntos, podemos criar negócios mais produtivos, equipas mais capacitadas e, em última análise, uma IA mais confiável.

  • Fernando Braz
  • Country Leader da Salesforce em Portugal

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

IA de confiança precisa de um humano na liderança

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião