Investir tem risco? Vamos poupar, nesse caso

  • José Gavino
  • 30 Outubro 2019

É importante pensar no longo prazo, dormir descansado e não estar permanentemente a olhar para o preço.

Investir é a decisão de não consumir no presente para consumir no futuro e poupar é economizar, acumular, guardar para o futuro, para um projeto, um sonho, um filho. Não. Na verdade, são a mesma coisa definida de forma diferente, com objetividade ou com emoção.

No ambiente de taxas de juro negativas, onde os bancos europeus se preparam para cobrar por depósitos com montantes superiores a 100.000€, devemos procurar uma forma para termos mais dinheiro no futuro. Seja a poupar ou a investir.

Algumas sugestões.

Não apostar. Deixar todo o património em depósitos é uma aposta, tudo numa ação ou numa obrigação é uma aposta, tudo naquela casa no centro da cidade para arrendar é uma aposta. Não fazer nada e deixar o dinheiro à ordem é uma decisão de investimento, uma aposta. Uma aposta deve ser um jantar com amigos, sempre é mais divertido.

Diversificar. A expressão “não pôr os ovos todos no mesmo cesto” é muito valiosa, caso contrário é uma aposta. Ter um depósito num banco português, ações da Galp, obrigações da REN e o pequeno apartamento arrendado não é diversificar. Este exemplo tem uma concentração grande em Portugal. Diversificar é encontrar uma forma de ter vários tipos de ativos, e idealmente muitos ativos de cada tipo e em vários países.

Simplificar. Existem profissionais que todos os dias estudam uma enorme quantidade de informação para encontrar as melhores oportunidades, mais diversificadas e mais adequadas no binómio risco/retorno. Faz sentido usar esse conhecimento para que a poupança não seja uma aposta, mas sim uma diversificação simples. Os fundos de investimento são a melhor forma de, mesmo a partir de montantes relativamente baixos, poder diversificar e nalguns casos aceder a ativos que um particular não conseguiria comprar. Se esses fundos permitirem ver exatamente onde o dinheiro é investido e se for muito simples perceberem a sua estratégia, perfeito.

As nossas poupanças são normalmente o resultado do nosso trabalho por isso queremos investi-las com cuidado e de forma informada, para dormirmos descansados. Respire fundo porque se dormir descansado é ter muito risco, cuidado é isso. Se dormir descansado for ter muito pouco risco, cuidado é isso.

É importante pensar no longo prazo, dormir descansado e não estar permanentemente a olhar para o preço. Isto só é possível não apostando, diversificando e simplificando.

No fim do dia queremos que as nossas poupanças tenham sido um bom investimento.

  • José Gavino
  • Diretor da Corum em Portugal

Uma carta aos nossos leitores

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António Costa

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