Manchester: O terrorismo vive da comunicação

O ataque foi num concerto cheio de adolescentes e crianças. Queiramos ou não, a mensagem que nos quiserem passar foi só uma: estamos aqui para ir tão longe quanto possível.

O terrorismo alimenta-se do pânico e do medo. É por isso que se tornou tão eficaz numa sociedade onde a informação circula ao segundo nas redes sociais, onde os media desesperam por conteúdo viral e onde o cidadão sente uma necessidade (intrínseca a esta realidade 2.0) de fazer parte de movimentos sociais, sejam eles de revolta, admiração, ódio ou solidariedade.

Acontece que todos os movimentos comunicacionais, quando repetidos até à exaustão, tornam-se banais aos olhos desta “sociedade espetáculo”. Todos nos lembramos onde estávamos no 11 de Setembro, mas provavelmente poucos se lembram de onde estavam no 11 de março e daqui a uns anos nenhum de nós se lembrará de onde estava quando foi o ataque ao Bataclan.

A velocidade com que um assunto deixa de ser assunto, é tão vertiginosa, que parece que nos esquecemos, cada vez com maior rapidez, dos acontecimentos que em determinada altura nos marcaram negativamente.

Esta dinâmica comunicacional, obriga os movimentos terroristas a optarem por duas estratégias: ataques cada vez menos espaçados temporalmente; e ataques que pela sua dimensão ou características sejam capazes de chocar ainda mais a opinião pública.

Foi isso mesmo que aconteceu em Manchester. Já não foi um concerto rock, já não foi uma discoteca gay, já não foram pessoas a beber copos e já não foi numa capital europeia. Tudo isso já estava gasto aos olhos da sociedade de espetáculo. Foi por isso mesmo, que os terroristas precisaram de “descer mais baixo”.

O ataque foi num concerto cheio de adolescentes e crianças. Queiramos ou não, a mensagem que nos quiserem passar foi só uma: estamos aqui para ir tão longe quanto possível.

Em suma, terrorismo vive da atenção que a opinião pública lhe dá e sobre isso não há qualquer dúvida. Hoje, enquanto lê esta crónica, algures no Médio Oriente, ou qui ça mesmo em Londres ou em Paris, um qualquer terrorista está a medir o buzz, os likes, os shares e os tweets que este último ataque lhes rendeu.

Quanto mais importância lhes dermos, mais motivação lhes estamos a dar para outro ataque. Quanto menos importância lhes dermos, mais motivação para uma maior chacina lhes estaremos a dar. Não há respostas milagrosas para o terrorismo, mas não seria mal pensado as sociedades ocidentais sentarem-se à mesa para tentarem travar este clima de pânico.

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