Não há falta de talento, mas é preciso especializá-lo
A colaboração entre universidades, centros de investigação e empresas deve intensificar-se, para que o ensino consiga acompanhar as tendências e inovações que vão surgindo.
Estamos perante um momento singular no ecossistema tecnológico português, sobretudo na região Norte. Somos hoje um polo de tecnologia, inovação e talento, com centenas de startups, eventos, comunidades e empresas nacionais e internacionais que escolheram o país e a região como base das suas operações.
Segundo o mais recente “Tech Talent Trends Report”, a área metropolitana do Porto reúne hoje uma percentagem relevante do talento tecnológico em Portugal, com quase 18% do total de profissionais de TI do país, valor que ultrapassa os 27% se incluirmos toda a região Norte. Este é um número significativo, que demonstra o enorme peso que este setor tem na economia local e nacional. Contudo, segundo dados do ManpowerGroup, hoje, 76% das empresas tecnológicas ainda têm dificuldades em contratar, com as competências de TI e data entre as mais procuradas pelos empregadores nacionais. Perante esta realidade, cabe-nos compreender: haverá realmente falta de talento, ou o desafio é outro?
O mercado está a mudar a um ritmo sem precedentes. Com a integração da IA no mundo do trabalho, as funções estão a mudar, e as empresas precisam de delinear estratégias concretas para responder aos desafios da transformação digital. Isto inclui também as suas abordagens no que respeita ao talento. De facto, muitos profissionais recém-formados chegam, hoje, ao mercado de trabalho com bases sólidas, mas a crescente complexidade tecnológica em áreas emergentes está a exigir níveis de especialização que apenas são adquiridos através de uma formação contínua e de experiências práticas.
As novas necessidades no que toca à especialização do talento implicam que as empresas invistam verdadeiramente nas pessoas. Promover a formação através de programas de upskilling em competências-chave, incentivar a participação em eventos e iniciativas do setor ou estimular a integração em comunidades tecnológicas são exemplos de estratégias que podem verdadeiramente desenvolver os profissionais para responderem aos desafios atuais. Os percursos formativos permitem que pessoas com diferentes backgrounds adquiram skills específicas e aplicáveis no mercado, potenciando a sua empregabilidade e construindo perfis com capacidades nas áreas com maior procura. Esta deve ser uma prioridade para empresas e profissionais que procurem carreiras significativas e de futuro.
Ao mesmo tempo, neste processo é também essencial reforçar a ligação entre a educação tradicional e as necessidades reais do mercado. A colaboração entre universidades, centros de investigação e empresas deve intensificar-se, para que o ensino consiga acompanhar as tendências e inovações que vão surgindo, proporcionando experiências práticas e uma cultura de aprendizagem contínua.
Portugal e, em particular, o Porto, pode ser um centro com espaço para o talento crescer e acrescentar valor. O foco na especialização é, por isso, uma grande oportunidade para garantir que o ecossistema do Norte continua a crescer de forma sustentável, resiliente e verdadeiramente competitiva a nível global. Porque, na verdade, não nos falta talento, mas sim visão para o desenvolver para responder às exigências e desafios. E esse é um trabalho contínuo, que deve ser levado muito a sério.
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