NATO 3.0 ou como a Europa tem de se ‘chegar à frente’
O termo até parece uma novidade com laivos futuristas, não tivesse sido cunhado em 2010 pelo então secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, para descrever o novo posicionamento da Aliança.
Com a cimeira NATO em Ancara — “uma das mais importantes cimeiras de líderes da história da NATO”, segundo Marco Rubio, em que os líderes terão de responder ao “desapontamento” de Trump com a resposta da Aliança “às operações [dos EUA] no Médio Oriente” — prevista para julho, na última semana não têm faltado referências a uma NATO 3.0.
O termo até parece uma novidade com laivos futuristas, não tivesse sido cunhado em 2010 pelo então secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, para descrever o novo posicionamento da organização num mundo pós-Guerra Fria. Na época, a ameaça russa parecia longe, mas desde então tudo mudou. Não só a Europa tem uma guerra à porta de casa, como que o que se espera da NATO e dos seus aliados mudou radicalmente.
E o principal vento de mudança sopra do outro lado do Atlântico. Dúvidas houvesse ou pensamentos como ‘ah o Trump ameaça reduzir peso na NATO, mas depois muda de ideias’, as declarações recentes do secretário da Defesa dos EUA não deixam grandes margens para dúvidas. “Estamos a redobrar os nossos esforços para fazer da NATO o que ela sempre deveria ter sido: uma aliança equilibrada com a Europa na liderança da sua própria defesa — NATO 3.0”, disse Pete Hegseth, em Bruxelas, após um encontro da Aliança.
Os EUA vão ouvir países aliados, o Congresso americano e daqui a seis meses (ou antes) vão dar a sua posição sobre o que esperam da organização. “Será concebido para garantir que a NATO avance de forma rápida e irreversível rumo à liderança da Europa, assumindo a responsabilidade primordial pela defesa da Europa, assegurando que as nossas forças estejam preparadas para as necessidades globais dos Estados Unidos e garantindo que nosso acesso, bases e sobrevoos sejam claramente definidos e assegurados”, disse Hegseth.
Mark Rutte, o ‘Trump Whisperer’, olha para o copo meio cheio. “Historicamente, este modelo dependia excessivamente dos Estados Unidos. Agora, os Estados Unidos ajustaram as contribuições que tinham assumido e outros aliados reforçaram os seus contributos. Isto é justo. Torna-nos mais fortes. E é precisamente disso que trata a NATO 3.0: uma Europa mais forte numa NATO mais forte”, afirma o secretário-geral da Aliança.
Talvez para indicar que os EUA ‘means business‘ Trump já anunciou saída de tropas da Alemanha e um documento do Pentágono consultado pelo New York Times dá conta da intenção de reduzir o número de equipamentos — como F-35, aeronaves de reconhecimento marítimo, aviões-tanque de reabastecimento aéreo, submarinos e porta-aviões — atribuídos para missões na Europa. Rutte já admite não poder garantir que, em caso de guerra, os EUA disponibilizem à NATO os recursos militares que prometeram por terem de se “ocupar de múltiplos teatros de operações”. “Se rebentar uma guerra, é claro que todos os aliados, incluindo os Estados Unidos, farão tudo o que estiver ao seu alcance. Não digo que possam cumprir tudo o que prometeram no âmbito do modelo de forças da NATO, mas darão o máximo”, disse Rutte.
Um dos “múltiplos cenários de guerra” deve ser certamente o conflito com o Irão que não há forma de amainar. Depois do anúncio de um novo acordo para cessar hostilidades, para avançar para um acordo de paz, no dia em que era suposto começarem as negociações o acordo caiu por terra que nem um castelo de cartas levado pelos ventos bélicos dos ataques de Israel ao Líbano. Nem a relação histórica entre os EUA e Israel contém os falcões da guerra.
PS: Sinal da volatilidade dos acontecimentos, mal o parágrafo estava fechado, Israel e Hezbollah acordaram um cessar-fogo mediado por EUA e Qatar… Que imperem cabeças frias.
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