O outro em nós

  • Maria João Melo
  • 12 Dezembro 2025

A responsabilidade social funciona, então, como um lembrete de humanidade e daquilo que verdadeiramente sustenta o sucesso.

Olhe para o colega do lado. O que vê? Talvez um sorriso tímido, uma caneta sempre à mão, alguém concentrado no seu trabalho. Em muitos casos, apenas isso. Agora, faça o mesmo exercício com o seu chefe. Consegue olhar além do cargo e das decisões do dia a dia? E imaginar os desafios, as dúvidas e os pequenos gestos de humanidade que se escondem por trás do título?

Os exemplos podiam encher muitas linhas deste texto, mas a mensagem é simples: no meio da azáfama diária, raramente nos damos ao trabalho de ver o outro de forma completa, verdadeira. No entanto, quando o fazemos, algo muda. E é aqui que o voluntariado corporativo assume um papel transformador – para nós, para aqueles que ajudamos e, em última análise, para a cultura de uma empresa. E é precisamente sobre este último ponto que me vou debruçar de seguida.

É sabido que as iniciativas de responsabilidade social estimulam competências humanas fundamentais: empatia, organização, liderança, resiliência e confiança. Todas elas essenciais em qualquer organização. Mais: quando colaboramos fora do contexto habitual de trabalho, desaparecem hierarquias, as pessoas aproximam-se e criam-se laços genuínos. Surge uma nova forma de cooperação, mais autêntica e horizontal, onde cada um é valorizado pelo contributo que oferece e não pelo cargo que ocupa.

No fundo, esta experiência partilhada de fazer o bem desperta algo essencial: o sentido de pertença. O voluntariado empresarial não é apenas uma ação solidária, é um catalisador de cultura. Reforça o espírito de equipa, promove a comunicação entre diferentes áreas, e recorda-nos de que o sucesso coletivo nasce da colaboração e do apreço pelo outro.

O impacto do voluntariado corporativo não se esgota na experiência imediata. Quando regressamos ao trabalho, levamos connosco algo que não se perde: a consciência de que fazemos parte de um todo maior. Essa perceção traduz-se em atitudes mais cooperantes, em maior abertura à diferença e numa predisposição genuína para ouvir o outro. Pequenos gestos, sim – mas que, multiplicados, moldam a cultura de uma empresa.

Num mundo empresarial cada vez mais orientado para resultados, é fácil esquecer que as organizações são feitas de pessoas. A responsabilidade social funciona, então, como um lembrete de humanidade e daquilo que verdadeiramente sustenta o sucesso. Além dos benefícios internos, o voluntariado corporativo lembra-nos que as empresas também têm o poder – e o privilégio – de cuidar das pessoas e de deixar uma marca positiva no mundo à sua volta.

  • Maria João Melo
  • Responsável de Recursos Humanos na Helexia Portugal

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