O paradoxo ideológico no ensino da Economiapremium
Antes de ser humana, quente e acolhedora, a Economia tem de ser suficientemente fria e distante para fazer contas.
Começou mais um ano letivo. Regressam os alunos, as aulas, os programas, as bibliografias e, naturalmente, as proclamações sobre pensamento crítico, diversidade e pluralismo. É, por isso, uma boa altura para fazer uma pergunta talvez menos confortável: até que ponto é verdadeiramente plural o ensino da Economia nas nossas universidades? Há paradoxos que só a universidade consegue produzir com absoluta seriedade. Um deles é proclamar solenemente o pluralismo intelectual enquanto se vai tornando, com admirável regularidade, cada vez mais previsível.
O ensino da Economia nunca foi — nem deveria pretender ser — ideologicamente neutro. Keynesianos, monetaristas, novos-clássicos, institucionalistas, marxistas, austríacos e outras famílias intelectuais disputaram durante décadas a interpretação do funcionamento das…
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