O que faz de um gestor um bom líder?

  • João Costa
  • 11 Março 2026

Essa aptidão mede-se, sobretudo, pelo impacto que se gera nas pessoas, e não apenas pelos resultados financeiros.

Exercer uma liderança eficaz é, atualmente, um dos maiores desafios da gestão. Vivemos num contexto de constantes mudanças, marcado pela escassez de talento e por uma volatilidade crescente no panorama macroeconómico que tem impactado de forma significativa a sustentabilidade e desempenho das organizações. O ato de liderar bem deixou de ser apenas uma retórica utópica, para se afirmar como um exercício de clareza, responsabilidade e, acima de tudo, impacto humano.

Recentemente, fiz uma reflexão sobre as competências essenciais que distinguem um bom líder de um simples gestor. E foi neste exercício que me cruzei com a leitura de “O Manual do Gestor”, uma obra do académico e empresário David Dodson, que nos oferece uma visão pragmática e particularmente esclarecedora sobre os princípios que sustentam uma liderança eficaz e orientada para o sucesso. Nas palavras do autor, existem três elementos fundamentais que devem orientar a atuação dos negócios que ambicionam prosperar: uma equipa motivada, uma tomada de decisões mais ágil e uma visão estratégica.

Nem sempre quem faz avançar uma organização pode ser considerado um líder de excelência. Essa aptidão mede-se, sobretudo, pelo impacto que se gera nas pessoas, e não apenas pelos resultados financeiros. Um verdadeiro líder preocupa-se tanto em atingir objetivos como em criar condições para que os outros cresçam, tomem decisões mais acertadas e assumam responsabilidades acrescidas. E ao construir caminho para quem nos sucederá, sabemos que desempenhamos essa função plenamente.

Ao longo de vinte anos na PepsiCo, tive a oportunidade de viver estes princípios de forma muito concreta. Falar de liderança não era um exercício teórico, mas uma prática diária, tratada com enorme seriedade. Estive numa organização que esteve consistentemente na linha da frente das melhores práticas de gestão, rodeado de gestores de elevadíssimo nível, onde desenvolver pessoas, formar sucessores e criar culturas de responsabilidade era tão importante como entregar resultados. Essa experiência marcou profundamente a minha visão sobre o que distingue gestão competente de verdadeira liderança.

Liderar é, neste sentido, um exercício contínuo de reforço das capacidades do outro. Exige, claro, conhecimento técnico, rigor e disciplina. No entanto, aliada a estas competências deve estar a missão de mobilizar as pessoas em torno de uma direção comum, mesmo quando o contexto exterior parece ser adverso.

Vivemos, em Portugal, desafios especialmente exigentes. A anunciada revisão da legislação laboral no final de 2025, aliada a uma pressão maior para aumentar a produtividade e inovar em modelos de trabalho, obriga os gestores a repensarem a forma como estruturam processos de negócios. E, se quisermos ser bem-sucedidos nesta tarefa, necessitamos, mais do que nunca, de encarar a liderança como um exercício que se faz em conjunto.

A mentoria e o aconselhamento profissional, por exemplo, são uma das ferramentas mais importantes para prosperar numa empresa. Aprender com os outros, com a experiência acumulada, com o confronto de perspetivas. Mesmo em cargos de gestão, este exercício não deixa de ser importante para construir e desenvolver competências. Antes pelo contrário, quanto mais alto for o cargo, mais importante se torna este ato de nos rodearmos de mentores.

Outra área prioritária é a gestão do tempo. Saber protegê-lo, delegar com critério e criar espaço para nos dedicarmos ao que realmente gera valor é um exercício de liderança autêntica. Quando aplicado com consistência, permite que o foco não esteja apenas na quantidade, mas sobretudo na qualidade do trabalho realizado. A disciplina operacional e a melhoria contínua passam a ser parte determinante do nosso trabalho e ajudam-nos a criar impacto positivo e prosperar a longo prazo.

Até porque ninguém nasce um bom líder. Aprendemos ao errar e ao praticar, com clareza e estratégia. É nesse processo contínuo de aprendizagem que desenvolvemos o melhor de nós próprios e somos capazes de conduzir uma empresa ao sucesso e prosperidade.

  • João Costa
  • Country manager da ERA Group

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