O regabofe nacional da banca e da Caixa

Armando Vara é apenas a ponta do “iceberg” da luxúria de dinheiro esbanjado pelo banco público em empréstimos dados que jamais serão recuperados.

Um dos maiores cancros do nosso País é o Bloco Central dos interesses. Sabemos que quando um partido ganha eleições e constitui Governo, num ápice, há um assalto aos cargos de nomeação que servem para pagar serviços e dar umas avenças a “boys” e aos ditos aparelhos partidários que não passam de um exército de inúteis que pouco sabem fazer a não ser cacicar votos em concelhias e distritais. Porém, há sempre uns lugares que se dividem entre todos. Os mais desejados moram na Caixa Geral de Depósitos.

Basta mirar os elencos de décadas das administrações do banco público para concluirmos que lá moravam rostos que tinham passado por Governos de diversas cores. Não sei se eram competentes, percepciono apenas que tinham como objectivo perpetuar o “status quo” de interesses por vezes obscuros e que pouco tinham a ver com a vocação e objectivos da Caixa. Ali, emprestava-se dinheiro sem olhar ao quê, mas a quem. Bastava ser um qualquer figurão ou ter por amigos qualquer desses mesmos figurões para, de imediato, se esticar a passadeira vermelha do cheque de milhões sem garantias. Era um regabofe de dinheiro fácil, sem controlo, pois as costas estavam quentes sabendo-se que os portugueses pagariam em impostos, caso fosse necessário, tamanho desvario.

No meio de tudo isto era bom que se condecorassem todos os portugueses. São eles que têm pago todas as gestões danosas, as taras e manias, sujeitam-se à austeridade para salvar a pele de bancos que tinham como líderes umas sumidades que, afinal, eram ídolos com pés de barro mas que a comunicação social ajudou a criar a ilusão de que eram gestores com toque de Midas. BES, BPN, BPP são o rosto evidente desta desventura, mas as últimas notícias sobre a Caixa perpetuarão o distanciamento dos cidadãos para as paupérrimas elites sem substância que se mantêm em cargos de dimensão nacional.

Armando Vara era um medíocre e obscuro empregado de um balcão em Trás-os Montes até a política o projectar para outros palcos. De “boy” do aparelho passou como Alex Torres, uma personagem de António Fagundes, protagonista de um seriado brasileiro chamado “Avenida Paulista”, para cargos de topo na banca sem ninguém perceber em que talentos se consubstanciava tal salto na carreira. Com um favorzinho aqui, uma palmadinha nas costas acolá, cimentou o seu poder, distribuiu benesses, a maior das quais um crédito de 200 mil euros a 200 euros por mês (segundo o veiculado por diversos jornais) à própria filha, algo de perfeitamente inimaginável e censurável para qualquer pessoa de bem, quando tantos empresários honestos precisariam da seriedade e do peso da CGD para financiar os seus negócios e manter os postos de trabalho em tempo de crise.

Vara é apenas a ponta do “iceberg” da luxúria de dinheiro esbanjado pelo banco público em empréstimos dados que jamais serão recuperados. São muitos milhares de milhões perdidos pela banca, no cômputo geral, que impediram o crescimento de Portugal. Travámos com uma austeridade forçada para tapar os buracos de decisões sem rei nem roque. O problema é que quem prevaricou, quem falhou à vista de todos, continua a circular por aí. Armando Vara está preso, mas ainda há muitos lugares vazios nas cadeias para outros.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

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