Onde estão os Business Angels em Portugal?
Em países como o Reino Unido, Alemanha ou Itália, existem benefícios fiscais para Business Angels muito mais interessantes do que em Portugal e que acabam por ser um forte dinamizador de investimento.
Em Portugal, o investimento em startups tecnológicas tem vindo a aumentar — em 2024 foram investidos mais de 500 milhões de euros por parte de fundos de capital de risco nacionais e internacionais. Ainda assim, a falta de investidores individuais no ecossistema é gritante. Os chamados de Business Angels não têm exposição a uma classe de ativos de alta rentabilidade, que terá um papel preponderante na economia do futuro.
O imobiliário ou os produtos de baixo risco continuam a ser classes de ativos preferidas dos investidores portugueses. Essas escolhas, embora compreensíveis num país conservador, são hoje um reflexo de algo mais profundo: uma cultura avessa ao risco e com pouco conhecimento sobre o verdadeiro potencial de retorno que a inovação tecnológica pode oferecer.
Na verdade, o imobiliário trata-se de um bem tangível, associado a segurança e estabilidade. Uma perceção que contrasta com aquela que existe sobre o investimento em capital de risco. Muitos pensam que é volátil e apenas acessível para especialistas. Este comportamento também se justifica com o baixo nível de literacia financeira em Portugal — que é um dos mais baixos na Europa — e traduz-se em consequências na economia nacional e na forma como se investe.
O imobiliário ou os produtos de baixo risco continuam a ser classes de ativos preferidas dos investidores portugueses. Essas escolhas, embora compreensíveis num país conservador, são hoje um reflexo de algo mais profundo: uma cultura avessa ao risco e com pouco conhecimento sobre o verdadeiro potencial de retorno que a inovação tecnológica pode oferecer.
O país tem talento, conhecimento e um ecossistema empreendedor em crescimento, mas falta que os investidores nacionais se sintam confortáveis em investir. A verdade é que falamos de um ecossistema ainda jovem em que o tempo e os crescentes casos de sucesso vão tornar o investimento em startups mais apelativo. Mas não devemos só ficar à espera. Os Business Angels são peça chave em qualquer ecossistema de sucesso, são muitas vezes o primeiro capital a entrar nas startups e que lhes permite dar os primeiros passos.
Para fomentar o investimento é também importante tornar o sistema fiscal português mais atrativo. Em países como o Reino Unido, Alemanha ou Itália, existem benefícios fiscais para Business Angels muito mais interessantes do que em Portugal e que acabam por ser um forte dinamizador de investimento.
Não podemos criar uma cultura de investimento em Portugal de um dia para o outro, mas devemos garantir que subimos na lista de países com maior nível de literacia financeira. As oportunidades são claras: as startups estão na linha da frente com soluções transformadoras para problemas reais e urgentes.
A nova vaga de startups de Inteligência Artificial (IA) está a gerar uma mudança de paradigma e oportunidades únicas de investimento. Com aplicações já evidentes em áreas como saúde, logística, agricultura, energia e até no próprio setor imobiliário, a implementação de IA está a provar ser um enorme valor acrescentado com potencial de disrupção de setores tradicionais. Para além disso, permite reduzir as barreiras e custos de lançamento de novos negócios, potenciando uma onda de criação de empresas.
É, por isso, importante para os portugueses aumentarem a sua exposição ao setor tecnológico. Evidentemente, não podemos criar uma cultura de investimento em Portugal de um dia para o outro, mas devemos garantir que subimos na lista de países com maior nível de literacia financeira. As oportunidades são claras: as startups estão na linha da frente com soluções transformadoras para problemas reais e urgentes. Mas para que ganhem escala e impacto, é preciso que sejam os próprios portugueses a acreditar, a confiar e a participar num futuro mais inovador.
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