CF7, estrela do seu próprio personality show

Cristina Ferreira sai da TVI e vai para a SIC. Sempre que o mercado mexe, adapta-se e transforma-se: o Real Madrid pós-Cristiano Ronaldo teve de habituar-se a viver sem a sua estrela mais brilhante.

Apresentadora, influencer, empresária. Uma loja, uma revista, uma marca de vernizes. Milhões de seguidores nas redes sociais. Cristina Ferreira, muitas vezes chamada “máquina de fazer dinheiro”, deixou há muito de ser uma mera apresentadora de televisão (terá alguma vez sido apenas apresentadora?).

Cristina Ferreira trocou a casa de sempre, a TVI, pela SIC, onde começa a trabalhar em setembro. A transferência milionária — Ferreira deverá receber por ano um milhão de euros, três vezes mais do que Francisco Pedro Balsemão, presidente do grupo Impresa, dono da SIC — tem muito mais do que muitos zeros na equação. E muito mais do que uma apresentadora de televisão.

Mudanças são saudáveis para todos: canais, produtoras e anunciantes. Sempre que o mercado mexe, adapta-se e transforma-se: o Real Madrid pós-Cristiano Ronaldo terá de habituar-se a viver sem a sua estrela mais brilhante. Tal como Cristina Ferreira na SIC vai exigir um desafio à TVI, que terá de manter a sua identidade sem uma das caras mais representativas da estação; à SIC, que terá de fazer uma gestão brilhante do seu investimento. E até à RTP, que tem de pensar se quer entrar na luta ou se quer continuar como player neutro no entretenimento.

A televisão vive uma fase de mudança que, não sendo um paradigma do Big Brother — como o que aconteceu no início do milénio — é o mais perto disso dos últimos quase 20 anos. Continua a haver talent shows e reality shows que conquistam maiorias mas o que os especialistas da área consideram é que, agora, o público quer ver experiências sociais. Ilustres desconhecidos juntam-se em ilhas desertas, veem-se pela primeira vez na mesa do notário para assinarem os papéis do casamento ou encostam-se a um fogão improvisado para fazerem valer a sua paixão: a cozinha. E, para muitos deles, participar nestes concursos acaba por ser o clique que faltava para mudarem de vida (o anti-herói que foi o Zé Maria do Big Brother contrasta, agora, com uma Ann-Kristin, ex-MasterChef, 53 mil seguidores no Facebook e uma empresa de gastronomia em nome individual).

A sociedade quer ajuda para refletir sobre si mesma e os programas de talento têm trazido essa dimensão: concursos para gente bem-sucedida na área errada que quer apostar tudo na área certa, na sua paixão.

Cristina é essa paixão personificada: a miúda da Malveira, cujas linhas gerais da história de vida são conhecidas e contadas por ela mesma, dá ao mundo muito dela. A apresentadora, mulher sofisticada e bem-sucedida, é uma self-made-woman com um nível massivo de exposição: aparece todos os dias na casa de milhares de pessoas e lidera audiências, seja qual for o horário. Nas manhãs, o “Você na TV” teve, em 2017, uma audiência média de 381 mil espectadores, um share de 26,6% e, o “Apanha se Puderes”, ao final da tarde, ultrapassou em 2017 o até então líder de audiências “O Preço Certo”, da RTP.

Cristina nunca foi só uma apresentadora porque trouxe sempre o que é para o que faz. E o público, sedento de vivências dentro da televisão, identificou-se sempre com ela porque ela construiu o seu próprio personality show.

Toda a gente sonha, trabalha para crescer, para aprender ou para ganhar melhor e, por isso, de alguma forma, toda a gente se identifica com Cristina. Ela é um workshop de gestão de tempo, um MBA, um livro de auto-ajuda e um reality-show diário, em direto, na televisão e nas redes sociais. Andamos sempre à procura da melhor versão de nós. É daí que vem a empatia com CF7.

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António Costa

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