Os CEOs têm de ser verdadeiros atletas de pentatlo
Tal como no pentatlo, o sucesso da liderança não depende da excelência numa única disciplina, mas da capacidade de combinar competências, adaptar‑se rapidamente e manter o foco sob pressão.
Vivemos uma era em que liderar uma organização exige uma versatilidade sem precedentes. A edição portuguesa do 29.º Global CEO Survey da PwC mostra que os CEOs em Portugal estão conscientes da velocidade e da profundidade da mudança no contexto económico e empresarial, mas continuam a enfrentar um desafio central: transformar essa consciência em criação de valor sustentável. Num ambiente marcado por incerteza, pressão competitiva e aceleração tecnológica, a liderança tornou‑se uma função de elevada exigência, que requer visão estratégica, disciplina, resiliência e capacidade de adaptação contínua.
Se tivesse de escolher uma metáfora para ilustrar o papel do gestor atual, a do atleta de pentatlo parece‑me particularmente adequada. Tal como estes desportistas, que só alcançam o sucesso dominando várias disciplinas, também os líderes empresariais precisam hoje de navegar com destreza por múltiplos domínios em simultâneo. Ser CEO implica combinar estratégia com execução, integrar tecnologia com propósito, gerir riscos crescentes, potenciar o talento disponível, equilibrar decisões de curto e de longo prazo, e conhecer profundamente os mercados onde atua.
A definição da estratégia continua a ser uma das provas mais exigentes deste pentatlo empresarial. Apesar de um maior otimismo em relação ao contexto económico, apenas uma parte dos CEOs antecipa o crescimento das receitas no curto prazo. Este desfasamento exige lideranças capazes de equilibrar ambição e realismo, investindo com coragem, mas com rigor na análise de prioridades e riscos.
A tecnologia assume‑se como outra componente crítica. A inteligência artificial afirma‑se como um importante vetor de transformação, ainda que com níveis de maturidade desiguais. O papel do CEO não é adotar tecnologia por tendência, mas integrá‑la de forma alinhada com a estratégia e com impacto mensurável no negócio. A digitalização só cria valor quando assenta em dados fiáveis, processos bem definidos e quando liberta as pessoas para funções de maior valor acrescentado. Nesse sentido, a tecnologia deve ser encarada como um facilitador do talento, potenciando competências, criatividade e capacidade de decisão das equipas.
A gestão de riscos tornou‑se igualmente incontornável. As ciberameaças lideram as preocupações dos CEOs portugueses, num contexto global ainda marcado por volatilidade económica. Proteger dados, sistemas e infraestruturas é hoje um pilar essencial da resiliência organizacional e da confiança de clientes, investidores e colaboradores. Gerir risco é também criar condições para que o talento possa prosperar num ambiente seguro e estável, fomentando o sentido crítico, flexibilidade, agilidade, criatividade e motivação.
Outro desafio central da liderança moderna é o equilíbrio entre o curto e o longo prazos. A disciplina da liderança obriga a saber alternar entre o sprint e a maratona, entre a eficiência imediata e a construção de uma visão de futuro.
Finalmente, o conhecimento profundo dos mercados onde as organizações atuam é decisivo, num país que, apesar de não estar desligado das grandes tendências globais, enfrenta desafios específicos na velocidade da transformação e na capacidade de captar valor da tecnologia.
Tal como no pentatlo, o sucesso da liderança não depende da excelência numa única disciplina, mas da capacidade de combinar competências, adaptar‑se rapidamente e manter o foco sob pressão. Liderar hoje é mobilizar estratégia, tecnologia e risco, mas também investir, de forma consistente, na qualidade dos talentos e na cultura organizacional.
Para nós, gestores, o apelo é claro: prepararmo-nos como atletas de pentatlo para enfrentarmos um futuro cada vez mais exigente e construir organizações capazes de prosperar num mundo em constante mudança.
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