Paciência, a virtude que distingue os investidores
Resistir à tentação de agir é, muitas vezes, contraintuitivo. Ainda assim, é essa capacidade de esperar que marca a diferença entre investir com critério ou simplesmente reagir.
Há 50 anos, a vantagem nos mercados financeiros estava do lado de quem dispunha da melhor informação. Atualmente, com a disseminação quase instantânea da informação, essa vantagem praticamente desapareceu. Neste novo enquadramento, o que realmente distingue um investidor deixou de ser o que sabe e passou a ser a forma como se comporta.
Aqueles que tendem a destacar-se são os que têm mais paciência, maior disciplina e capacidade de olhar para além do imediato. Ainda assim, este tipo de comportamento está longe de ser intuitivo. Quando observamos o comportamento dominante nos mercados, percebemos que a inquietação é quase constante.
A mente humana não está preparada para esperar. Pelo contrário, ela está biologicamente programada para reagir a estímulos imediatos, uma herança evolutiva que nos ajudou a sobreviver durante milhares de anos, mas que nos prejudica hoje quando lidamos com sistemas complexos como os mercados financeiros.
Em períodos de maior volatilidade, a inação tende a ser vista como uma falha, como se o investidor estivesse a desperdiçar oportunidades. No entanto, a experiência mostra que a decisão de não agir pode ser, muitas vezes, a decisão mais acertada.
Neste contexto, muitos investidores acabam por adotar uma postura excessivamente ativa na gestão do seu portefólio. Compram, vendem, ajustam e reagem de forma quase contínua. A volatilidade de curto prazo cria uma sensação de urgência e de controlo que facilmente se confunde com oportunidade.
No meio deste ruído, instala-se a ideia de que uma maior atividade conduz a melhores resultados. No entanto, na maioria dos casos, acontece precisamente o contrário.
É frequente confundir atividade com produtividade. Em períodos de maior volatilidade, a inação tende a ser vista como uma falha, como se o investidor estivesse a desperdiçar oportunidades. No entanto, a experiência mostra que a decisão de não agir pode ser, muitas vezes, a decisão mais acertada.
Warren Buffett, para muitos o melhor investidor de todos os tempos, diz repetidas vezes que é desconfortável estar sentado numa pilha de dinheiro sem o investir, mas é muito mais desconfortável fazer alguma asneira com esse dinheiro.
Apesar disso, persiste a busca por resultados rápidos, frequentemente acompanhada pela assunção de riscos excessivos e de custos desnecessários. A história dos mercados demonstra, de forma consistente, que a paciência continua a ser uma das virtudes mais recompensadas no investimento.
Comprar bons ativos a bons preços é um excelente ponto de partida, mas é importante ter presente que o retorno raramente é imediato e pode demorar a concretizar-se.
Investir bem implica, em grande medida, saber esperar. Pressupõe a construção de um portefólio assente numa lógica de longo prazo e na capacidade de dar-lhe tempo para beneficiar das tendências estruturais, sem o expor aos caprichos do curto prazo.
Peter Lynch, gestor lendário da gestora de ativos Fidelity, referiu que muitos dos investimentos que mais contribuíram para a performance do seu fundo só começaram a gerar resultados significativos ao fim de vários anos.
Empresas de qualidade podem permanecer subvalorizadas durante longos períodos, mas também tendem a ver o seu valor reconhecido com o tempo, recompensando quem soube ter paciência e manter a posição. Comprar bons ativos a bons preços é um excelente ponto de partida, mas é importante ter presente que o retorno raramente é imediato e pode demorar a concretizar-se.
Infelizmente, o mercado não se ajusta ao ritmo da impaciência dos investidores e saber lidar com essa realidade é determinante. A crescente impaciência das massas acaba, aliás, por beneficiar quem consegue manter uma abordagem disciplinada e consistente.
A evidência empírica reforça essa ideia. Tal como na velha canção dos Rolling Stones “Time is on my side”, também nos investimentos o tempo está do lado do investidor: quanto maior for o horizonte temporal do investimento, maiores tendem a ser as probabilidades de sucesso.
O tempo assume aqui um papel central no processo de criação de valor e funciona como um aliado poderoso na acumulação de património, mesmo quando o percurso de poupança se inicia mais tarde na vida.
O tempo, quando aliado a ativos de qualidade, é um multiplicador poderoso e por isso é que o verdadeiro sucesso está reservado para aqueles que sabem esperar.
Muitos dos que hoje leem estas palavras viverão para lá dos 70, 80 ou até mais anos. Isso significa que o horizonte de vida útil dos seus investimentos se poderá estender por várias décadas, não havendo por isso a necessidade de acompanhar obsessivamente as oscilações diárias do mercado.
Esse acompanhamento excessivo, a que muitos não conseguem resistir, tende a ampliar emoções como o medo e a ganância e raramente conduzem a decisões racionais. O foco deve centrar-se em manter no objetivo de longo prazo, resistindo à tentação da gratificação imediata. Se acredita no potencial dos investimentos que escolheu, mantenha-se firme.
Evite operações desnecessárias que apenas corroem o seu capital com custos e erros. O tempo, quando aliado a ativos de qualidade, é um multiplicador poderoso e por isso é que o verdadeiro sucesso está reservado para aqueles que sabem esperar.
Ser paciente não é apenas uma qualidade. É uma estratégia comprovada e, como todas as estratégias, pode ser aprendida, desenvolvida e aplicada. Ela ajuda a filtrar o ruido, a reduzir erros, a potenciar a capitalização dos rendimentos e, sobretudo, a alinhar as decisões com os verdadeiros objetivos financeiros.
Assim, o processo de investimento deve ser encarado como uma maratona e não como um sprint. Ao dar tempo ao tempo, potencia não só o valor da poupança através da capitalização dos rendimentos, como atenua o impacto das flutuações de curto prazo.
Os mercados financeiros são, por natureza, voláteis no curto prazo, mas tendem a estabilizar e a valorizar no longo prazo. É por isso que o investidor deve investir com inteligência, agir com prudência e, acima de tudo, ter paciência.
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