Parentalidade no século XXI: o papel transformador das empresas
A transição para a parentalidade é um momento de metamorfose na vida, e a forma como as organizações a acolhem pode determinar o bem-estar, a motivação e a retenção de talento.
Portugal, a braços com um dos seus mais urgentes desafios demográficos — a persistente baixa taxa de natalidade –, encontra-se num ponto de viragem.
Embora os dados do Instituto Nacional de Estatística revelem um ligeiro fôlego nos nascimentos em março de 2025, face a período homólogo de 2024, esta realidade, por si só, não basta para inverter esta tendência.
A sombra do “penalty da maternidade”, que infelizmente, ainda penaliza as mulheres com filhos, na remuneração e na progressão de carreira, e o desequilíbrio na partilha das licenças parentais, maioritariamente usufruídas pelas mães, exigem uma reflexão profunda e, acima de tudo, uma ação imediata.
É neste contexto que o papel das empresas se torna não apenas relevante, mas absolutamente transformador. A parentalidade, longe de ser um entrave, deve ser encarada como um pilar fundamental para a sustentabilidade humana e o futuro socioeconómico do nosso país. A transição para a parentalidade é um momento de metamorfose na vida, e a forma como as organizações a acolhem pode determinar o bem-estar, a motivação e a retenção de talento. Urge, pois, a criação de um ecossistema de apoio robusto, que abranja todas as fases, desde a gestação ao regresso ao trabalho, com medidas concretas e inovadoras.
Esta convicção deve materializar-se em programas de apoio à parentalidade, que transcendam o mero cumprimento da lei, procurando redefinir o padrão de apoio empresarial em Portugal, e promovendo uma parentalidade mais partilhada e equitativa desde o início. São pequenos passos, mas significativos, que ajudam a desconstruir velhos paradigmas.
Uma das mudanças que podem ser integradas no tecido empresarial é a extensão da licença parental, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde para o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses. Se, por um lado contribui para o bem-estar da família e da saúde infantil, por outro, valoriza a família e o tempo de qualidade dos recém-nascidos e dos seus progenitores.
Este compromisso reflete uma visão empresarial progressista: uma empresa de sucesso é aquela que investe nas suas pessoas, reconhecendo que a flexibilidade e o cuidado são fatores cada vez mais valorizados pelos profissionais.
É tempo de as empresas assumirem um papel mais ativo na construção de uma sociedade que apoia verdadeiramente a parentalidade, garantindo que ninguém tem de escolher entre a carreira e a família. O futuro de Portugal, a sua vitalidade demográfica e a sua prosperidade, dependem intrinsecamente da nossa capacidade coletiva de investir nas próximas gerações. É um desafio que nos convoca a todos, e as empresas têm um papel insubstituível nesta equação.
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