Peças usadas, a solução para mitigar as perdas das seguradoras de forma sustentável

  • Luís Cardoso
  • 20 Abril 2026

Luis Cardoso é um entusiasta da utilização de peças originais usadas na reparação de automóveis. É bom para o ambiente e para os custos com sinistros das seguradoras, diz.

O seguro automóvel obrigatório em Portugal enfrenta uma realidade cada vez mais desafiante. Em 2024, o ramo da responsabilidade civil automóvel registou um resultado técnico negativo de 144 milhões de euros, um agravamento face aos 101 milhões negativos do ano anterior, de acordo com a Associação Portuguesa de Seguradores. Estes números evidenciam que o aumento dos custos dos sinistros de danos materiais e das respetivas reparações não pode ser ignorado, assumindo hoje o estatuto de prioridade para as seguradoras. Trata-se de uma batalha antiga do setor, mas os meios ao seu dispor para conter a escalada dos custos são cada vez mais limitados, sendo o recurso a peças usadas uma das últimas ferramentas eficazes para mitigar este impacto e preservar a sustentabilidade financeira.

Temos um problema claro: desde 2019, o número de acidentes rodoviários tem vindo a aumentar, e, em 2025, registaram-se mais de 140 mil sinistros até meados de dezembro, praticamente 4.400 a mais do que no período homólogo, de acordo com o ACP (Automóvel Club de Portugal). Ao mesmo tempo, os veículos exigem reparações mais complexas e existe cada vez mais uma maior escassez de peças, sobretudo para veículos com mais anos, que continuam a contribuir para o envelhecimento do parque automóvel em Portugal. Em consequência, os veículos imobilizados prolongam o tempo de permanência nas oficinas. Isso aumenta os custos para as seguradoras e para as oficinas, não apenas com a reparação em si, mas também com a necessidade de fornecer carros de cortesia aos clientes.

Perante este cenário, as peças usadas originais apresentam-se como uma solução não só estratégica, mas mais sustentável e económica. Reutilizar peças significa dar uma segunda vida aos materiais, evitar a produção de novas unidades e, consequentemente, diminuir significativamente o impacto ambiental, através da redução de emissões de CO2 face a peças novas.

Claro que não se trata de uma solução mágica para todos os problemas, mas para as seguradoras, esta é uma dupla oportunidade: por um lado, permite-lhes reduzir o lead time e os custos de reparação, sem comprometer a segurança e, por outro, reforçar a sua aposta na sustentabilidade, o que fortalece a sua imagem da marca, dando resposta a clientes cada vez mais conscientes e exigentes no que diz respeito a práticas mais responsáveis.

Assim, não se trata apenas de uma abordagem “ambientalmente correta”, como também é economicamente inteligente. Num setor no qual os prémios de seguro automóvel sobem gradualmente em função dos números da sinistralidade, mas que, ainda assim, não permitem equilibrar a conta técnica da seguradora, recorrer às peças usadas certificadas apresenta-se como uma solução viável para equilibrar o resultado financeiro e criar um diferencial competitivo tangível.

Num momento de viragem tanto para o pós-venda automóvel quanto para as seguradoras, o futuro destes dois setores dependerá não só da incorporação da inovação tecnológica, mas também da sua capacidade de adaptação a novos paradigmas, que exigem melhorias ao nível da eficiência operacional e um forte compromisso com a responsabilidade ambiental. Neste quadro, ao optarem por peças usadas, as seguradoras conseguirão mitigar as suas perdas e reduzir desperdícios, enquanto constroem um setor mais resiliente e orientado para a economia circular.

Em suma, o modelo tradicional de reparação precisa de ser reinventado. Num mercado competitivo e transparente, as seguradoras que adotarem peças usadas originais ganharão vantagens financeiras e reputacionais, alinhando rentabilidade com responsabilidade ambiental.

  • Luís Cardoso
  • Head of B2B na B-Parts

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Peças usadas, a solução para mitigar as perdas das seguradoras de forma sustentável

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião