Pensões e a frieza da Matemáticapremium
O Estado deve proteger quem não pôde contribuir, quem pôde e escolheu não contribuir plenamente deve aceitar que essa escolha tenha consequências.
Em Portugal, há um ritual previsível: basta surgir uma reportagem sobre pensionistas a receber 300 ou 400 euros por mês e instala-se o clamor moral. “Como é possível viver com tão pouco?”. É uma pergunta legítima, mas há outra que quase nunca se faz: quanto contribuiu essa pessoa ao longo da vida? Uma pensão contributiva não é um prémio atribuído pelo Estado, mas o resultado de regras que relacionam, ainda que imperfeitamente, contribuições e benefícios. Quem descontou pouco não pode esperar receber o mesmo que quem contribuiu continuamente durante quarenta anos. Pode parecer frio, mas não há mistério: há aritmética. A matemática que sustenta a economia não tem lágrimas — e eu, sinceramente, também não as verto.
Uma nota prévia. O recente relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social coloca uma questão diferente: a sustentabilidade da própria arquitetura do sistema português de pensões. É um debate essencial, ao qual…
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