Porque voto em Cotrim de Figueiredo
A Presidência da República não pode ser um prémio de carreira ou uma ambição inócua.
Votei pela primeira vez em 2024, pelo que não foram muitas as eleições onde pude votar. Nas quatro eleições anteriores fui deambulando entre sentidos de voto. Contudo, nas próximas eleições tenho o conforto de, com dois meses de antecedência, ter a certeza de que votarei em Cotrim Figueiredo com confiança.
As eleições presidenciais são por natureza pessoais: partem de uma vontade muito individual e dão origem a um mandato, por definição, também algo solitário. E esta personalização tem uma razão de ser, porque num sistema semipresidencial de pendor parlamentar, como o nosso, o Presidente da República é o fiel da balança, é o fator independente e moderador que garante o equilíbrio do sistema. É, por isso, o único representante a quem exigimos mais de 50% dos votos, para que represente todos os portugueses.
No entanto, é aqui que creio que reside o elemento-chave para uma presidência harmoniosa: a consciência com que o Presidente compreende que, apesar de ser o político eleitoralmente mais legitimado, deve ser o que com mais parcimónia usa os seus poderes. Conhecermos a dissolução do Parlamento como ‘bomba atómica’ é sintomático disso mesmo, na medida em que o Presidente a deve usar para dissuadir, enquanto a evita usar.
Marcelo Rebelo de Sousa foi o exato oposto disto. Interveio quando devia, mas especial e longamente quando não devia. Usou a dissolução em abundância, tanto em maiorias absolutas como antes dos seis meses constitucionais. Criou cenários com uma velocidade que só ele conseguia imprimir e à qual o país nunca conseguiria corresponder. Dez anos depois, deixa um país mais instável, enquanto acelerou os ciclos políticos. Tentou sempre ser um jogador quando a si lhe tínhamos reservado um papel de árbitro. Falhou. Falhou na ambição, que inicialmente tinha, de elevar Portugal, de dar esperança. Decidiu ficar-se pelos slogans bacocos de ‘Somos os melhores do mundo’. Não somos, nem temos de ser, não basta proclamar. E se queria intervir tinha uma hipótese: dar um rumo, uma visão, iluminar um caminho.
Do que li e do que publicamente conhecemos de Cotrim de Figueiredo, não creio que caia nestes erros. Conhece a parcimónia com que deve usar os seus poderes. É um agente independente, um outsider que conhece o sistema político, em especial aquele que nasceu depois de 2019. Mas, tão importante como esta consciência de como deve exercer os poderes, o uso da palavra ou a magistratura da influência é a ideia que traz para esta candidatura. Um ideal de esperança, uma presidência pela positiva que tenta mostrar que ainda podemos sonhar, que nem tudo está perdido. Na política de hoje, ser capaz de pensar no amanhã, no legado que deixamos e no país que faremos os nossos filhos e netos herdar é louvável.
“Imagina Portugal” é esse mote. É um motivo bastante claro: ainda é possível. Ainda é possível ambicionarmos com o centro da Europa. Ainda é possível sonharmos com líderes corajosos que enfrentem corporativismos ou a própria inércia da mudança. Ainda é possível projetar um país que tem vontade de dar o melhor aos seus, e Cotrim de Figueiredo representa esse país.
Representa esse país, mas não representa apenas isso. O facto de a sua carreira partidária ter começado apenas em 2019 simboliza uma presidência aberta. A Presidência da República não pode ser um prémio de carreira ou uma ambição inócua. Num país de elites circulares e demasiado fechadas, o facto de alguém com uma carreira de sucesso ter a disponibilidade e a vontade de servir o país é motivo de confiança.
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