Portugal e o futebol sustentável
O PLAYER 0 mostra como o desporto pode gerar uma cultura de sustentabilidade, criando impacto económico e benefício social.
No dia 11 de junho arrancou o campeonato do mundo de futebol nos EUA, Canadá e México. Dura cerca de um mês e, segundo estimativas conservadoras, vai gerar nove milhões de toneladas de CO2 (Scientists for Global Responsibility). Será, provavelmente, o campeonato mais emissor das últimas décadas. Em termos de ordem de grandeza, o impacto do evento é comparável à pegada carbónica anual de uma capital europeia.
Para contrariar esta tendência nasceu o PLAYER 0 em sintonia com a candidatura vencedora de Portugal, Espanha e Marrocos ao Mundial de 2030 e com a ambição de tornar este evento o mais sustentável da história do futebol.
O PLAYER 0 somos todos nós, os adeptos de futebol e amantes do Planeta. Os adeptos podem contribuir para anular a pegada carbónica da sua seleção, através das emissões evitadas nas deslocações aos jogos ou outros eventos induzidos pelo campeonato. Basta usarem meios de mobilidade de baixo carbono, como transportes públicos, sistemas de partilha, bicicleta ou outros modos mais sustentáveis que o automóvel privado tradicional.
Os números dos últimos campeonatos apontam para que cerca de 85% das emissões do mundial resultem da mobilidade. Se as federações têm controlo sobre o transporte das seleções e o alojamento e instalações de treino, o maior desafio ambiental está relacionado com as deslocações dos adeptos. A nível internacional o transporte aéreo é o mais utilizado, sendo que a nível interurbano e urbano mais de 50% das viagens são realizadas em veículo a gasóleo ou gasolina.
A quantificação em tempo real das emissões evitadas na mobilidade é realizada pela tecnologia AYR, desenvolvida pelo CEiiA, em Matosinhos, e premiada pela Google.org e pela Comissão Europeia, tornando tangível o impacto climático dos comportamentos sustentáveis dos adeptos. As emissões evitadas são valorizadas em ativos ambientais que servem para compensar a pegada da sua seleção nesta competição pelo clima.
PLAYER 0: Queremos Portugal Campeão no Futebol e pelo Clima
Esta contabilização das emissões evitadas é realizada de forma fidedigna, passível de verificação por entidades independentes, face à utilização de metodologias reconhecidas e de tecnologias digitais, como Blockchain e Inteligência Artificial. O AYR é o padrão para medir e valorizar, de forma transparente, as emissões evitadas na mobilidade dos adeptos em eventos desportivos de grande escala.
Apesar de cerca de cinco milhões de pessoas se deslocarem aos estádios para assistir aos jogos e outros eventos desportivos relacionados, o campeonato do mundo de futebol impacta cerca de quatro mil milhões de pessoas que interagem com o torneio digitalmente, ou seja, metade da população mundial.
Na verdade, o campeonato é mais do que um evento desportivo: é uma experiência coletiva que cria um sentido de pertença a uma comunidade que atravessa estratos sociais e é unida pela paixão pela seleção. É um fenómeno movido pela emoção que vive da energia e do entusiasmo de adeptos de várias geografias e culturas e cria ligações profundas entre pessoas, vivências e lugares.
Assim, o PLAYER 0 utiliza o alcance e a paixão pelo futebol como plataforma de mobilização em prol da ação climática e como motor de transformação social. A relação com as seleções gera uma identidade social partilhada que influencia comportamentos e cria uma cultura de sustentabilidade que perdura no tempo. As novas gerações, com maior consciência ambiental, são os agentes de mudança, inspirando as comunidades de adeptos e o público alargado a adotarem novos hábitos de mobilidade.
O campeonato passa para fora dos estádios, não é apenas medido pelos jogos ganhos e pelos golos marcados. É também medido em emissões evitadas na mobilidade dos adeptos para anularem a pegada carbónica da sua seleção, passando a ser parte ativa da competição pelo clima.
O PLAYER 0 integra-se nas cidades a partir das comunidades. O campeonato do mundo, enquanto desafio global, tem um impacto local. De acordo com os requisitos da FIFA, as cidades anfitriãs têm de definir um plano ambiental que inclui intervenções ao nível da mobilidade, como a melhoria da rede de transportes públicos ou a construção de ciclovias, com vista a facilitar as deslocações dos adeptos e reduzir as emissões de carbono. Além do mais, no âmbito dos acordos contratuais com as cidades anfitriãs, estão previstos sistemas de incentivos à adoção de meios de mobilidade mais sustentáveis, dado que estas são obrigadas a disponibilizar serviços de transporte público gratuito aos portadores de bilhetes para os jogos.
A título de exemplo, no Mundial de 2026, o plano ambiental da cidade de Houston inclui a criação de um corredor verde entre o estádio e a zona de fãs, desenhado para permitir caminhar, andar de bicicleta ou utilizar o transporte público, com vista a reduzir a dependência do automóvel. O evento funciona como acelerador de projetos urbanos de ação climática, efeito que será possível quantificar em 2030 através da tecnologia AYR.
Se o contributo de um adepto isolado pode não fazer a diferença, a agregação de valor das emissões evitadas em comunidade tem um impacto significativo na competição climática. Em grandes números, porque dependente de diversas variáveis, no caso de 5% dos adeptos da seleção portuguesa usar meios de mobilidade mais sustentáveis durante o campeonato, por exemplo, transportes públicos, é possível anular em 4,5% a 6,5% a pegada carbónica da equipa. Mas, incluindo o efeito de tração sobre os milhões de adeptos que não participam presencialmente nos jogos, as pequenas mudanças multiplicam-se, criando um efeito sistémico no ambiente e na sociedade.
A fase de teste do PLAYER 0 iniciou se no dia 1 de junho, no Rio de Janeiro, Brasil, durante o jogo pelo clima, com um forte envolvimento das comunidades locais, nomeadamente das novas gerações. O objetivo éque a partir desta data todos os jogos passem a ser jogos pelo clima. Seguem-se experiências na Copinha 2026 e no Campeonato do Mundo Feminino de 2027.
O PLAYER 0 mostra como o desporto pode gerar uma cultura de sustentabilidade, criando impacto económico e benefício social. O campeonato 2030 vai deixar um legado para as pessoas, as cidades e o planeta.YallaVamos!
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