Portugal e os desafios da Europa Digital

  • Paulo Rodrigues
  • 5 Setembro 2021

Não cabe apenas às empresas do setor TI impulsionar a Transformação Digital. Em todas as áreas de atividade urge uma reflexão que tenha em consideração a competitividade que deve ser implementada.

Com a luz verde do Conselho Europeu a 16 de março último, entrou em vigor o Programa Europa Digital, o qual visa apoiar a transformação digital da economia e sociedade europeias. Nas palavras do legislador, pretende-se melhorar a competitividade dos Estados-membros na economia digital global, e com isso aumentar a sua autonomia, fortalecer competências, bem como testar e implementar tecnologias de vanguarda.

O grande objetivo deste projeto, cujo enquadramento financeiro para a sua execução, até ao final do ano de 2027, ultrapassa os 7.5 mil milhões de euros, é apoiar a Transformação Digital, conceito bastantes vezes mencionado nos últimos anos, considerado um desiderato crucial para a recuperação do tecido empresarial europeu. Espera-se, também, que os benefícios do Programa Europa Digital possam também chegar aos cidadãos.

Este é um plano ambicioso, visto como uma ferramenta de trabalho e de suporte à tomada de decisões quanto ao caminho a percorrer por forma a que as empresas sejam mais competitivas, que demonstrem valências para apostar no desenvolvimento, capacitação e formação de recursos. Através da aposta em áreas estratégicas, como a computação de alto desempenho, Inteligência Artificial, cibersegurança e confiança, competências digitais avançadas, e implementação e melhor utilização das capacidades digitais e interoperabilidade, é fundamental que se criem condições para que a tal propalada modernização das empresas nacionais seja mais que um processo de boas intenções, e que se torne numa realidade

Não cabe apenas às empresas do setor TI impulsionar a Transformação Digital. Em todas as áreas de atividade urge ter uma reflexão rápida, que tenha em consideração a necessária competitividade que deve ser implementada. Apenas assim é possível considerar a internacionalização como uma prioridade, com os empresários nacionais a serem capazes de levar para além da fronteira interna tudo aquilo que o país tem e é capaz de produzir com excelência.

No caso concreto de Portugal, a aposta tem que se fazer numa inevitável mudança de paradigma, que implica uma perspetiva onde se desenvolvam valências estruturais que permitam produzir e entregar projetos de grande qualidade nos pilares de referência dos programas europeus, em especial, ao nível das já mencionadas supercomputação, Inteligência Artificial ou cibersegurança. Em suma, o tecido empresarial português tem que se dotar, capacitar e implementar este tipo de planos, numa primeira fase, mais restrito ao mercado nacional, e assim ganhar uma dinâmica que garanta qualidade e excelência no serviço. Isto para, numa segunda fase, e por via dessa crescente reputação, associada ao know how que a experiência sempre traz, poder avançar para a internacionalização de serviços premium.

Vivemos uma conjuntura que oferece oportunidades para inovar e modernizar as nossas infraestruturas, a todos os níveis. Enquanto Estado-membro da União Europeia, e alinhados numa estratégia de desenvolvimento, temos que ser capazes de definir um diagnóstico rápido e assertivo das necessidades e apresentar candidaturas que correspondam aos critérios exigidos, isto nos casos em que exista a possibilidade de recorrer a fundos para a adoção e implementação de soluções que garantam uma efetividade competitiva.

Todavia, existem inúmeras empresas, integradas nos mais variados quadrantes setoriais, onde urge analisar, pensar e definir uma estratégia que se assuma como adequada aos desafios do digital. Se esta é uma prioridade assumida nos últimos anos, as disrupções que assistimos nos últimos 18 meses apenas vêm confirmar que efetivamente, ou nos adaptamos e evoluímos como organizações, no sentido de sermos competitivo à escala global, ou perdemos o comboio do empreendedorismo e inovação, e deixamos de ter capacidade para pensar numa ótica de continuidade para o futuro.

Temos, devemos, e vamos acelerar o passo no caminho da digitalização, afinal, um dos grandes fatores de competitividade para um futuro que já se encontra entre nós.

  • Paulo Rodrigues
  • Diretor Geral da V-Valley Portugal

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