Portugal na Era Quântica: construir soberania, segurança e futuro
Investir em comunicações quânticas é investir em soberania tecnológica. A questão já não se prende com se a era quântica vai chegar, mas saber quais os países que vão estar preparados.
Num momento em que se fala de autonomia estratégica europeia, resiliência digital e segurança das infraestruturas críticas, investir em comunicações quânticas é investir em soberania tecnológica. A questão já não se prende com o se a era quântica vai chegar, mas saber quais os países que vão estar preparados quando se tornar parte integrante da infraestrutura crítica global.
As comunicações quânticas representam um dos pilares de transformação de infraestruturas. A futura capacidade dos computadores quânticos poderá comprometer muitos dos sistemas criptográficos atuais, o que torna crítico sermos proativos e preparar as infraestruturas na atualidade. Construir redes quânticas nacionais e europeias significa garantir soberania sobre comunicações críticas, assegurar capacidade autónoma de proteção de dados sensíveis e reforçar a resiliência do Estado perante ameaças tecnológicas futuras.
É neste contexto que Portugal tem vindo a investir na construção de uma infraestrutura nacional de comunicações quânticas, integrada na futura rede europeia EuroQCI. E é precisamente por isso que mais do que um projeto tecnológico, o IberianQCI, agora em fase de arranque, representa uma decisão estratégica sobre o posicionamento de Portugal na Europa das próximas décadas.
Apoiado pelo Ministério das Infraestruturas, o IberianQCI permitirá interligar as infraestruturas nacionais de comunicações quânticas de Portugal e de Espanha, criando ligações terrestres e espaciais seguras entre os dois países e outros estados-membros. As ligações espaciais serão particularmente relevantes para países periféricos e geograficamente mais afastados do centro europeu, como Portugal, permitindo ultrapassar limitações físicas das redes de fibra ótica atuais.
A corrida quântica será uma das maiores oportunidades industriais e económicas das próximas décadas. Máquinas de cifra, nós quânticos, sistemas de segurança pós-quântica, equipamentos óticos avançados e infraestruturas seguras irão constituir novos mercados estratégicos globais. Ao dominar a tecnologia, Portugal terá capacidade de exportação, influência industrial e vantagem económica.
No entanto, Portugal tem estado ativo desde 2021, preparando-se para a era quântica. Entre os marcos alcançados destaca-se o projeto europeu DISCRETION, liderado por Portugal em colaboração com Espanha, Itália e Áustria, que permitiu o desenvolvimento de produtos nacionais como nós de distribuição quântica de chaves e máquinas de cifra, fortalecendo a economia nacional.
Em paralelo, o projeto Portuguese Quantum Communication Infrastructure, PTQCI, permitiu implementar a primeira infraestrutura nacional integrada na futura rede europeia EuroQCI, patrocinada pelo Gabinete Nacional de Segurança, usando apenas tecnologia europeia. Esta infraestrutura conta já com um segmento operacional, permitindo a comunicação e partilha de informação sensível de forma segura entre 4 áreas de soberania nacional.
A corrida quântica será uma das maiores oportunidades industriais e económicas das próximas décadas. Máquinas de cifra, nós quânticos, sistemas de segurança pós-quântica, equipamentos óticos avançados e infraestruturas seguras irão constituir novos mercados estratégicos globais. Ao dominar a tecnologia, Portugal terá capacidade de exportação, influência industrial e vantagem económica.
Preparar o país para a era quântica não significa apenas instalar a tecnologia. Significa formar talento, criar capacidade industrial, gerar propriedade intelectual, atrair investimento e garantir que Portugal participa ativamente na construção da infraestrutura crítica europeia.
Portugal dispõe de competências reconhecidas nas áreas da fotónica, telecomunicações, espaço, cibersegurança e tecnologias avançadas. O desafio está na consolidação dessa capacidade, através de uma visão estratégica continuada, investimento sustentado e forte articulação entre ciência, indústria e Estado.
A era quântica já começou. Cabe agora decidir se Portugal quer assumir um papel ativo nesta nova era ou limitar-se a acompanhar a transformação?
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