Renováveis oferecem vantagens competitivas às empresas portuguesas

  • Pedro Amaral Jorge
  • 4 Março 2022

A contratação a prazo de eletricidade é uma oportunidade para a indústria portuguesa. A indústria pesada, que não pode eletrificar consumos, deve avaliar seriamente a migração para gases renováveis

Contratar eletricidade a prazo recorrendo a um PPA (Power Purchase Agreement) ou instalar painéis fotovoltaicos para produzir eletricidade verde in loco pode ser uma boa opção para as empresas portuguesas, sobretudo no atual contexto europeu de escalada dos preços de eletricidade.

Nos últimos meses o preço da eletricidade no mercado grossista tem ultrapassado, em muitos momentos, os 200 euros por megawatt hora (MWh), muito por conta do preço do gás natural, que tem atingindo máximos históricos.

Face a este cenário, uma empresa portuguesa tem a possibilidade, por exemplo, de celebrar um PPA para aquisição de eletricidade de fontes renováveis, a médio e longo prazo, que pode rondar os 30 euros por megawatt hora, de acordo com os analistas, quando em outros países europeus, como a Polónia ou a Hungria, os preços podem corresponder ao dobro.

Essa mesma empresa pode optar ainda pela instalação de painéis nas coberturas dos edifícios ou nas áreas envolventes. As empresas portuguesas podem alcançar, desta forma, preços mais competitivos de eletricidade, face às congéneres do centro e norte da Europa.

Esta é uma vantagem de que as empresas nunca puderam beneficiar – historicamente a indústria portuguesa sempre teve preços mais altos, fruto do preço dos combustíveis fósseis – e que é proporcionada pelas renováveis.

Recentemente o Governo tomou medidas no sentido de facilitar o licenciamento de áreas para autoconsumo industrial agilizando muitos processos. Em 2021 registou-se um aumento exponencial de instalações fotovoltaicas de indústrias portuguesas. No ano passado a capacidade solar fotovoltaica instalada aumentou, globalmente, 701 MW, segundo dados da Direção Geral de Energia e Geologia. Trata-se do maior incremento de sempre num só ano, em Portugal, o que ilustra o potencial e o interesse que esta tecnologia está a gerar.

A contratação a prazo de eletricidade é uma oportunidade para a indústria portuguesa. A indústria pesada, que não pode eletrificar consumos, deve avaliar seriamente a migração para gases renováveis. Os apoios existem para a descarbonização da indústria e os gases renováveis são elegíveis.

O hidrogénio verde, mesmo a um custo de 50 euros por MWh, o cenário mais pessimista, de acordo com uma análise do Professor António Manuel Bento, é competitivo face ao gás natural que continuará a registar preços mais altos.

O preço do gás natural é uma variável que não controlamos e que está cada vez mais refém de questões políticas e geoestratégicas, como aliás se vê em acontecimentos mais recentes. A melhor forma que as empresas têm de proteger-se desta volatilidade é deixar de depender… do gás natural.

Apostar nas renováveis, beneficiando dos recursos endógenos do país, é a chave para atingir níveis de competitividade nunca alcançados. Esta é uma vantagem única que a descarbonização nos oferece.

  • Pedro Amaral Jorge
  • Presidente da APREN

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