Risco e volatilidade: duas faces distintas do investimento inteligente
Confundir risco com volatilidade é um erro comum entre investidores. Compreender a diferença é crucial para evitar decisões precipitadas.
Quando se fala em investir no mercado de capitais, a palavra “risco” surge inevitavelmente. No entanto, é frequente confundir este conceito com outro termo igualmente popular no universo financeiro: volatilidade. Embora estes conceitos estejam relacionados, risco e volatilidade não são sinónimos. Compreender a diferença é essencial para quem quer proteger o seu património e alcançar os seus objetivos financeiros.
A volatilidade representa as oscilações do preço de um ativo ao longo do tempo. Pode ser medida por indicadores estatísticos, como o desvio padrão ou por índices como o VIX, mas em termos simples, traduz-se pelas oscilações constantes dos preços que se observam diariamente nos mercados.
Os mercados financeiros comportam-se como organismos vivos, influenciados por fatores económicos, políticos, sociais e até emocionais. A variação dos preços dos vários ativos é, por isso, não só natural como saudável e reflete a incorporação permanente da nova informação pelos investidores. Esperar estabilidade seria ignorar a própria natureza dos mercados.
Investir com sucesso exige lidar não apenas com a volatilidade, mas também com emoções como a ganância, o medo, ou o arrependimento. Para muitos, o desafio não está em definir uma estratégia de investimento, mas em permanecer fiel a ela quando a volatilidade do mercado aumenta.
O problema começa quando o investidor interpreta estas oscilações temporárias como ameaças permanentes. É nesse momento que se confunde volatilidade com risco real. O risco só é relevante se implicar consequências. Se uma queda de mercado não trouxer consequências, então não é de risco que estamos a falar, é de volatilidade.
Ao contrário da volatilidade, o risco é a probabilidade do investidor perder dinheiro de forma permanente. É o cenário em que o investidor não recupera o seu capital, ou por ter feito uma má escolha de ativos, ou por ter escolhido um mau timing de entrada e depois ter sido obrigado a vender numa altura desfavorável de mercado.
Enquanto a volatilidade é desconfortável, o risco é perigoso. A primeira causa ansiedade, mas o segundo pode comprometer objetivos de uma vida. Conseguir distinguir estas duas situações permite ao investidor tomar decisões mais serenas, menos emocionais e, acima de tudo, mais acertadas.
Investir com sucesso exige lidar não apenas com a volatilidade, mas também com emoções como a ganância, o medo, ou o arrependimento. Quando a instabilidade aumenta, estas emoções intensificam-se e manter a racionalidade torna-se cada vez mais difícil. Para muitos, o desafio não está em definir uma estratégia de investimento, mas em permanecer fiel a ela quando a volatilidade do mercado aumenta.
Para os investidores de longo prazo, a volatilidade não deve ser vista como um risco, mas sim como uma oportunidade. As desvalorizações de curto prazo permitem adquirir ativos de qualidade a preços mais baixos, como se o mercado oferecesse “saldos” temporários.
Napoleão dizia que o verdadeiro génio militar era aquele que conseguia agir normalmente quando todos os outros à sua volta perdiam o controlo. O mesmo se aplica nos mercados financeiros. Quem conseguir manter o sangue frio e continuar a seguir a sua estratégia quando todos os outros entram em panico/euforia, tenderá a ser o mais bem sucedido. Em momentos de incerteza, a racionalidade deve sempre sobrepor-se à emotividade.
O economista William Bernstein refere também no seu livro “The four pillars of investing” que a obsessão com as oscilações de preço no curto prazo está intrinsecamente ligada à natureza humana. Saber que se deve investir com uma perspetiva de longo prazo é uma coisa, conseguir agir de acordo com esse princípio é outra bem diferente.
Para os investidores de longo prazo, a volatilidade não deve ser vista como um risco, mas sim como uma oportunidade. As desvalorizações de curto prazo permitem adquirir ativos de qualidade a preços mais baixos, como se o mercado oferecesse “saldos” temporários. Serão depois estas compras realizadas a bons preços que tenderão a proporcionar, no futuro, um retorno superior.
Já aqueles que precisam de liquidez a curto prazo devem adotar uma estratégia diferente, privilegiando a segurança em detrimento da rentabilidade, investindo em ativos menos expostos à volatilidade, diminuindo desta forma a probabilidade de realizar perdas no momento da venda. Períodos de instabilidade podem prolongar-se para além do tempo desejado e quem não conseguir ajustar as expectativas de retorno ao horizonte temporal do investimento, pode ver comprometido o ganho esperado.
No curto prazo, o comportamento do mercado acionista é essencialmente especulativo. Nenhum investidor, por mais experiente que seja, consegue prever a sua evolução com precisão. Por isso, quem investe com horizontes temporais curtos, deve evitar ativos demasiado voláteis.
Em última análise, a melhor estratégia não é necessariamente a que promete melhores retornos, mas sim aquela que o investidor consegue manter disciplinadamente mesmo nos períodos de maior turbulência. Ninguém precisa de uma estratégia perfeita. Precisa, sim, de uma que seja suficientemente boa para alcançar os seus objetivos financeiros.
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