Seguros de Vida: A Responsabilidade que (ainda) falta na Cultura Portuguesa
Miguel Salema Garção lamenta a pouca importância dada aos seguros de Vida para a estabilidade financeira das famílias, e lembra uma oferta do mercado que já tem várias soluções para todos os casos.
Em Portugal, os cidadãos e as empresas têm vindo a consolidar uma cultura de proteção em áreas muito específicas. Hoje, a maioria das famílias não hesita em contratar um seguro automóvel, em salvaguardar a sua habitação ou em procurar cobertura de saúde, seja através de apólices individuais, seja através de planos empresariais. Estas práticas refletem uma preocupação legítima com a estabilidade e com a proteção de bens tangíveis e imediatos.
Contudo, quando falamos de seguros de vida, a realidade é bastante diferente. A penetração deste tipo de proteção no mercado português continua a ser reduzida, revelando uma ausência de cultura e de consciência sobre o valor deste instrumento. Muitos ainda encaram o seguro de vida como algo supérfluo, distante, associado a cenários de fatalidade, quando, na verdade, ele deve ser visto como um verdadeiro pilar de segurança financeira, de planeamento patrimonial e até de responsabilidade social.
Uma lacuna cultural e económica
Os números mostram que Portugal se encontra abaixo da média europeia no que toca à contratação de seguros de vida. Países como França, Alemanha ou Reino Unido desenvolveram, ao longo das últimas décadas, uma visão muito mais integrada deste tipo de proteção, encarando-o não apenas como um mecanismo de cobertura em caso de morte, mas também como uma ferramenta de poupança, de investimento e de planeamento sucessório.
Entre nós, prevalece ainda uma lógica imediatista: protege-se o carro para evitar multas e imprevistos, protege-se a casa porque é um ativo visível e valorizado, e investe-se na saúde porque há uma perceção de necessidade constante. A vida, paradoxalmente, fica para segundo plano, quando deveria ser o ponto de partida.
O papel decisivo dos corretores de seguros
É neste contexto que os corretores de seguros assumem uma função central. São eles que têm a proximidade necessária para esclarecer dúvidas, desfazer mitos e apresentar soluções adaptadas às realidades pessoais e empresariais. O corretor não é apenas um intermediário comercial: é, sobretudo, um conselheiro de confiança que ajuda famílias e organizações a pensar de forma estruturada sobre riscos e responsabilidades.
Ao aproximar o tema da vida da linguagem do dia-a-dia, os corretores contribuem para que as pessoas entendam que segurar a vida não é um luxo, mas uma forma de cuidar dos que ficam, de evitar que uma ausência se transforme também numa crise financeira.
Responsabilidade individual e coletiva
Este debate não pode ficar apenas no plano individual. Também as empresas, enquanto motores da economia, têm um papel determinante nesta mudança cultural. A disponibilização de seguros de vida como parte dos pacotes de benefícios, por exemplo, é uma prática que reforça o compromisso das organizações com o bem-estar e a estabilidade dos seus colaboradores. Além disso, existem soluções específicas para proteger gestores, sócios e acionistas, assegurando a continuidade da atividade em cenários imprevistos.
Incorporar o seguro de vida numa lógica de responsabilidade social empresarial não é apenas uma boa prática: é uma medida estratégica de resiliência. Num mercado cada vez mais competitivo, as empresas que integram esta visão demonstram solidez e preocupação genuína com o futuro das pessoas e do próprio negócio.
Um mercado com soluções diversificadas
Importa sublinhar que o mercado segurador português já dispõe de múltiplas soluções, desenhadas para diferentes perfis e necessidades. Desde produtos mais simples e acessíveis, focados apenas na cobertura do risco de morte, até soluções mais sofisticadas, que combinam proteção com componentes de poupança ou investimento, a oferta é vasta e flexível.
O que falta, em grande medida, é a consciência — individual e coletiva — para olhar para este tema com o sentido de compromisso e responsabilidade que ele merece.
Conclusão: proteger o essencial
Portugal já demonstrou maturidade em proteger bens materiais. O próximo passo é, inevitavelmente, aprender a proteger aquilo que é mais valioso: a vida.
Ao contrário do que muitos pensam, contratar um seguro de vida não é um ato de pessimismo, mas sim de responsabilidade e de visão. É a garantia de que, perante imprevistos, haverá estabilidade, continuidade e dignidade para quem fica.
A construção desta cultura passa por cada um de nós, mas também pelo papel ativo dos corretores, das empresas e de um mercado que está preparado para responder. Mais do que nunca, é tempo de colocar a vida no centro da proteção.
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