TINA, vamos para mais uma greve geral

Como se sabe, as greves têm mais impacto se sucedidas de feriados ou fins de semana. Os dois, em conjunto, certamente gerarão efeitos incomensuráveis no poder reivindicativo dos trabalhadores.

Como sabe qualquer cidadão que tenha passado pela escola pública ou dependa de transportes públicos, a sexta-feira é o dia preferido para fazer greve. Vá-se lá saber porquê. Não quero, de forma alguma, lançar qualquer anátema sobre as intenções dos sindicatos. Longe de mim. Constato apenas uma regularidade empírica que tenho tido oportunidade de presenciar.

Contrariando a expectativa do leitor mais desatento ao calendário, a CGTP convocou uma nova greve geral para o dia 3 de junho, uma quarta-feira. Mas ninguém deve ficar surpreendido: era difícil encontrar uma melhor data para a greve. Com o Corpo de Deus, como manda a tradição, na primeira quinta-feira do mês e uma potencial ponte na sexta-feira, a quarta-feira tornou-se o cenário ideal. Adorava ter sido uma mosca na reunião, só para ver a expressão de gáudio na cara dos sindicalistas do PCP. Como se sabe, as greves têm mais impacto se sucedidas de feriados ou fins de semana. Os dois, em conjunto, certamente gerarão efeitos incomensuráveis no poder reivindicativo dos trabalhadores.

De resto, estou certo de que a CGTP não tinha outra saída. Depois de tanto empenho demonstrado nas negociações com o governo, sempre pronta a compromissos e vendo as suas exigências enjeitadas, não havia alternativa à segunda greve geral em seis meses. E, naturalmente, o país e os trabalhadores agradecem.

Agradecem principalmente os trabalhadores que, querendo ir para o seu emprego, se veem sem transportes. Ainda bem. Assim, todos fazem greve, mesmo os que não queriam. Agradecem, também, os 20% dos jovens deste país que, apesar de impedidos de fazer greve, porque estão desempregados, veem os sindicatos a lutar ferozmente pelo direito de os insiders permanecerem insiders. Por fim, agradecem o país e a economia real que tanto têm beneficiado desta economia dual, ao mesmo tempo, rígida e precária e que, por isso, a última coisa que querem é uma reforma.

Ou talvez não. Talvez a CGTP não tenha querido negociar nem se tenha preocupado de sobremaneira com o desemprego, a instabilidade ou os salários baixos dos mais jovens. Aqueles que pagam as favas da rigidez dos contratos permanentes dos outros. Talvez. Não sei. Na verdade, estou certo de que quem pensa assim não passa de um maledicente. Nunca a CGTP se comportaria assim. There was no alternative.

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