Turismo: crescimento, identidade e prestígio
O turismo continua a afirmar-se como uma das atividades que mais contribuem para o crescimento da economia portuguesa, mas é-o num tempo volátil.
Falamos frequentemente de turismo como um setor económico, mas é muito mais que isso, é emprego, investimento, cultura e tem de ser identidade. O turismo continua a afirmar-se como uma das atividades que mais contribuem para o crescimento da economia portuguesa, mas é-o num tempo volátil, tendo como pano de fundo incertezas internacionais e em que conflitos numa parte do globo afetam todo mundo, o que exige redobradas cautelas e visão.
Quando olhamos para os números, no seu todo, constatamos que não temos excesso de turismo em Lisboa. Recebemos mais de 500.000 pessoas por dia, das quais 50.000 são turistas. No entanto, temos de ser claros: há um excesso de turismo em certas zonas de Lisboa. Essa é a realidade que temos de enfrentar. E, por isso, temos de apostar em turismo de qualidade e não de massas, o que pressupõe crescimento, identidade e imagem internacional.
Saliento, por isso, três ideias. Em primeiro lugar, precisamos de dizer que o turismo de qualidade é crescimento. Nos últimos anos, tem sido frequente ouvir discursos que olham para o turismo com desconfiança. Há um conjunto de atores políticos que se referem ao turismo com preconceito, como se fosse um problema.
Em Lisboa, o turismo representa cerca de 20% da economia da cidade e cerca de 25% do emprego. Estamos a falar de milhares de empresas, milhares de famílias, milhares de empregos; de restaurantes, hotéis, comércio local, cultura, transportes, eventos e congressos; oportunidades para os nossos jovens, investimento estrangeiro, de riqueza criada em Portugal.
Os factos dizem-nos exatamente o contrário. Em Lisboa, o turismo representa cerca de 20% da economia da cidade e cerca de 25% do emprego. Estamos a falar de milhares de empresas, milhares de famílias, milhares de empregos; de restaurantes, hotéis, comércio local, cultura, transportes, eventos e congressos; oportunidades para os nossos jovens, investimento estrangeiro, de riqueza criada em Portugal.
Por isso, devemos ter a coragem de afirmar que criticar o turismo não cria um único emprego, não gera riqueza, não melhora a vida das pessoas. Aquilo que melhora a vida das pessoas é termos turismo de qualidade, competitivo e amigo dos habitantes, aumentando os salários dos trabalhadores do setor para criar valor. E, além disso, que contribua para limpar e cuidar da cidade. Um turismo que melhore a vida das pessoas que cá vivem.
Em segundo lugar, o turismo de qualidade ajuda-nos a preservar a nossa identidade. A discussão não pode ser entre “quem quer turistas” e “quem não quer turistas”. Esse é um falso debate. A verdadeira questão é saber que turismo queremos. A atividade turística não pode exigir um sacrifício permanente da cidade. É esse equilíbrio que temos procurado em Lisboa, motivo pelo qual fiscalizámos o alojamento local e cancelámos mais de 6.700 registos. Passámos de 20.000 para 11.700 alojamentos locais.
Na mesma linha de raciocínio, dentro do nosso perímetro de competências e poderes, regulamos os tuk-tuks e pedimos ao Governo a limitação dos TVDE na cidade, mas deixo um grande apelo ao executivo nacional para limitar o número de TVDE e de tuk-tuks. Estes veículos têm de ter regras claras e é evidente que hoje há um excesso de tuk-tuks e de TVDE na capital do país. TVDE que não cumprem as regras de trânsito, que não falam português e muitos tuk-tuks que não investem na qualidade do serviço e que desconhecem a história da nossa cidade.
Neste ponto, precisamos do Governo, ao qual peço uma intervenção rápida e determinada. Se queremos turismo de qualidade, temos de agir a nível nacional. Mais: tenho defendido que o turismo tem de devolver à cidade parte do valor que gera. Foi essa a lógica subjacente ao aumento da taxa turística, que permite hoje investir mais na limpeza urbana, nos espaços verdes, na cultura, na preservação do património. Quem preservou tantos edifícios históricos que admiramos? Quem ajudou a recuperar áreas da cidade que durante décadas estiveram abandonadas? Quem permitiu que inúmeras tradições, negócios e espaços culturais continuassem vivos? Foi, muitas vezes, o turismo.
O turismo não destrói a identidade quando é bem orientado; preserva-a e valoriza-a. Foi isso que fizemos com a Associação do Turismo de Lisboa (ATL) renovando 13 museus com 67 milhões de euros. Foi isso que fizemos ao abrir os painéis de Almada Negreiros ao público. Foi isso que fizemos através das Lojas com História, programa que já conta com mais de duzentos estabelecimentos, e também através do Viva a Rua, que está a devolver as pessoas às ruas do Chiado. Porque a autenticidade é o nosso maior ativo.
O turismo não destrói a identidade quando é bem orientado; preserva-a e valoriza-a. Foi isso que fizemos com a Associação do Turismo de Lisboa (ATL) renovando 13 museus com 67 milhões de euros. Foi isso que fizemos ao abrir os painéis de Almada Negreiros ao público. Foi isso que fizemos através das Lojas com História, programa que já conta com mais de duzentos estabelecimentos, e também através do Viva a Rua, que está a devolver as pessoas às ruas do Chiado. Porque a autenticidade é o nosso maior ativo.
Nenhuma cidade vence a competição global por ser uma imitação de outra. Vence quando valoriza aquilo que a torna única. É essa identidade que os visitantes procuram quando nos escolhem e que temos a responsabilidade de preservar para as próximas gerações.
Terceira ideia: o turismo é uma das maiores forças de projeção internacional de Portugal. Vivemos num tempo em que o mundo parece cada vez mais dividido. Um tempo de conflitos, radicalismos, muros. O turismo promove precisamente o contrário: aproxima pessoas e culturas, constrói pontes, gera compreensão, cria confiança. É também essa moderação e acolhimento que projetamos para o mundo.
Portugal é hoje reconhecido internacionalmente como um dos melhores destinos do mundo. Em 2025, Lisboa voltou a ser distinguida nos World Travel Awards como Europe’s Leading City Break Destination, pela sexta vez. E pela primeira vez Lisboa lidera o ranking mundial de congressos internacionais, com 188 eventos, superando Paris. Estes prémios não existem por acaso. Existem porque temos os melhores profissionais, empresários inovadores, uma oferta de enorme qualidade e porque aprendemos que o sucesso não acontece por decreto.Constrói-se todos os dias.
Há quem veja o turismo como um mero ramo de atividade, eu encaro-o como um projeto coletivo que junta empresas e trabalhadores, Estado e setor privado, cidades e regiões. Um projeto que cria riqueza, mas que também orgulho. O orgulho de vermos Portugal reconhecido no mundo, de sabermos receber, de construirmos um país aberto, moderno e confiante – e os projetos exigem sempre diálogo.
Que consigamos sempre encontrar um compromisso entre cidade e turista. Entre quem nos visita e quem cá vive. É nesse espaço de moderação que entendo o turismo. Não um turismo que expulsa as pessoas, mas um turismo que constrói emprego, não um turismo que dilui a nossa identidade, mas um turismo que valoriza as diferenças, não um turismo que cria mais divisão, mas um turismo que projeta Portugal. É esse turismo que temos de construir em conjunto. Para que continue a ser um projeto coletivo para o crescimento de Portugal.
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