Um olhar sobre os media em 2026 (não são previsões, apenas um ponto de vista)
Os grandes negócios é que atraem as atenções, mas são as pequenas vitórias, que passam tantas vezes despercebidas, a transformar o setor.
Chegados a 2026, e depois de um final do ano de prender a respiração para o setor dos media e do entretenimento, é tempo de, mais do que fazer uma retrospetiva, pensar naquilo que nos espera. Compreender que as cartas foram distribuídas, pelo que é tempo de começar a jogar, tentar antecipar os movimentos e prever os comportamentos dos players. Acima de tudo, aproveitar todas as oportunidades que os admiráveis tempos que vivemos nos apresentam.
Instabilidade no setor dos media (cuidados com potenciais colapsos)
O atual volume e a escala das fusões e aquisições empurram o setor dos media e entretenimento para um território instável. Se a isso acrescentarmos o que se passa em torno da IA, temos aqui todas as condições para vivermos uma completa rutura face à visão tradicional com que ao longo de décadas se analisou o setor.
E, na verdade, estamos mesmo sob o signo de uma disrupção.
Que outra associação poderemos fazer ao negócio entre a Warner e a Netflix? Quer seja fechado ou fique preso entre aspetos regulatórios e resistência do setor, a Netflix vai continuar a crescer, enquanto a Warner mantém uma trajetória de estagnação. E os tempos que vivemos favorecem o movimento, a ousadia de assumir posições que, quais placas tectónicas, vão destruir mas também criar soluções face aos desafios que se levantam.
Do meu ponto de vista, a Netflix ganhará, seja qual for o resultado deste imbróglio.
A consolidação da TV por cabo é dolorosa, mas necessária
A cisão realizada pela NBCUniversal dos seus canais de cabo e negócios não core não foi o último negócio desse tipo. Já no início deste ano, a Versant começou a negociar em Bolsa (no Nasdaq)! Veremos mais consolidações e, francamente, estas já deveriam ter ocorrido há muito tempo.
Trata-se de reduzir custos e excessos, forçar a inovação e optar por uma posição que se adapte a uma realidade por demais evidente. Empresas de menor dimensão, mas focadas no seu negócio, terão mais hipóteses de ser bem-sucedidas, face aos modelos que começam a ganhar destaque.
Perante isto, há a possibilidade real de a sobrevivência, no final, gerar inovação. E, depois de ultrapassarmos este período, talvez o setor volte a ser divertido.
Os executivos têm de agir, senão perdem o seu espaço
O papel do executivo no setor dos media está a mudar rapidamente. As funções importam menos. Os conhecimentos importam mais. O julgamento, a adaptabilidade e a capacidade de traduzir a experiência em diferentes contextos começam a diferenciar as pessoas. Quem conhece o pensamento Evan Shapīro, produtor, académico na área da Comunicação e pensador sobre tudo o que diga respeito à liderança, sabe que é um tema muito abordado por ele.
Inúmeros executivos talentosos vivem perante uma dicotomia. Ou redefinem o seu papel no setor, ou terão de sair e procurar outros desafios. Quem optar por aguardar pela clarificação do setor vai perder espaço para aqueles que decidirem a curto prazo de que forma devem otimizar e agir.
O impulso e a mudança também se aplicam às carreiras.
Assistiremos à normalização da IA, quer gostemos, ou não…
A IA ao nível da criatividade e dos conteúdos audiovisuais continuará a enfrentar resistências, e isso é compreensível. Mas essa resistência apenas atrasará quem beneficiará dos novos tempos — não impedirá o inevitável.
O acordo da Disney com a Open AI parece ser um passo em direção à normalização. Não sairá daqui o caos, pelo contrário, assistir-se-á à estruturação destas áreas.
O que me entusiasma é pensar naquilo que esta tecnologia oferecerá aos independentes. Estúdios e produtoras que utilizem de forma inteligente a revolução digital contarão melhores histórias, agirão mais rapidamente e competirão de formas que anteriormente eram impossíveis de considerar.
O propósito começa a alinhar-se com o momento
Perante tudo isto, que ilações poderemos retirar? Desde logo, há que redobrar os esforços e o foco em torno do trabalho. Só assim é possível obter uma maior clareza nas decisões e nos comportamentos. Com a noção de que os grandes negócios é que atraem as atenções, mas são as pequenas vitórias, que passam tantas vezes despercebidas, a transformar o setor.
Com todas estas mudanças, as pessoas e as empresas que compreendam o que as move, e que se posicionem com equilíbrio, terão, por certo, um 2026 ao encontro das suas expetativas.
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