Uma crise ao virar de cada página
É importante uma comunicação social atenta e vigilante. Cabe aos media fazer a sua parte: serem credíveis, atentos e sem agenda escondida. Só assim podemos acreditar que vencemos a desinformação.
Dia após dia a minha crença de que é fundamental ter uma comunicação social viva, atenta e independente é maior. Exponencialmente crescente diria até.
Não há dia que, nos vários grupos de WhatsApp com diferentes grupos de amigos ou apenas de conhecidos aos quais um amigo nos juntou, não tenha que fazer a defesa de jornalistas e meios de comunicação social.
De uma maneira geral os grupos são compostos por gente de centro esquerda, centro direita, direita e aqueles que outrora se identificavam num destes três grupos e hoje são acérrimos defensores de ideais mais extremados.
Para eles a comunicação social é extrema esquerda e alguns, poucos graças a Deus, defendem a pura falência das empresas. Pura e simples. Uma censura ao melhor estilo trumpiano ou hitleriano.
Mas não se pense que é um problema exclusivamente português. Nada disso. É um problema de sociedade europeia em geral. E que se vai agudizar com uma geração que não lê.
Recentemente fui dar uma aula sobre marketing político. Um velho hábito é começar com perguntas. Sempre as mesmas: quem lê ou compra jornais e quem vê televisão nomeadamente programas de informação. Só nesta última se levantaram cinco braços num universo de quase 50. Relativamente à primeira pergunta ninguém se mexeu. Tive que fazer mais duas perguntas: se foram votar e como se informaram para terem conseguido tomar uma decisão. Que sim, votaram respondeu uma grande maioria, que se informam no Tiktok e Instagram.
Tal como nos comentários das notícias online deveria haver um breve questionário sobre o artigo em causa, permitindo saber se leram ou não o mesmo e só então puderem escrever e só então começarem a vomitar ódio, deveria haver um questionário para habilitar a ter capacidade de voto?
Bem sei que esta ideia é perigosa, e só o facto de aqui a ter escrito levará a que seja prontamente apedrejado na praça pública.
Mas, da mesma maneira que temos que fazer um exame de código e de condução para poder guiar um carro, temos que encontrar formas de formar gerações com informação, com conhecimentos adequados para tomar decisões.
E agora vai entrar em força a IA. E a discussão ainda vai no adro, mas veja-se o que se passa nos EUA e com as polémicas que envolvem as grandes empresas tecnológicas e o governo americano.
São as empresas que querem colocar barreiras, critérios de bom senso. Ética. É que já perceberam que desenvolveram um monstro que se vai auto-alimentar e influenciar gerações que não têm desenvolvido o espírito crítico, que não sabem ir ver qual a fonte de determinada informação.
Por isso, termino como comecei. É importante uma comunicação social atenta e vigilante. Há que criar as condições para que a informação volte a ser o centro da nossa sociedade. Os apoios prometidos pelo governo, não sendo de efeito imediato, estão aquém do necessário. Mas cabe aos media fazer a sua quota parte: serem credíveis, serem atentos e sem agenda escondida. Só assim podemos acreditar que vencemos a desinformação.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Uma crise ao virar de cada página
{{ noCommentsLabel }}