Uma indústria onde as mulheres se veem
Se as mulheres são a maioria da força de trabalho e se estão em posições chave na cadeia, o que será estranho é que não venham a ocupar o topo. Preocupemo-nos se não for assim.
O título deste texto pretende ser animador e, espera-se, a conclusão também será, mas, poucos dias depois do Dia da Mulher, vale lembrar, sem ironias, que nem tudo são rosas na indústria do luxo, um sector onde as mulheres são maioria como trabalhadoras e têm muita visibilidade como clientes, mas estão tão ausentes do topo como em outros sectores.
Entre os conglomerados de luxo, o chairman e CEO da LVMH é um homem (Bernard Arnault). O chairman da Kering é um homem (François-Henri Pinault ) e o CEO também (Luca de Meo). O chairman da Richemont é um homem (Johann Rupert) e o CEO também (Nicolas Bos). Os chairmen da Hermès são dois homens (Axel Dumas e Henri-Louis Bauer). O chairman da Prada, uma empresa alicerçada no talento de uma mulher, Miuccia, é um homem (o seu marido, Patrizio Bertelli) e o CEO também (Andrea Guerra).
Em vários casos, os líderes são fundadores das empresas – LVMH, Kering, Richemont. Em outros, estão vinculados por laços familiares aos fundadores, Hermès e Prada. Em todos, as gravatas ainda estão em maioria nos conselhos de administração. E pode levar tempo até vermos mulheres no topo destas companhias, mas é inevitável que a mudança aconteça no próximo turno de liderança, a manter-se a trajetória de qualificação, talento e capacidade que vemos hoje.
Na LVMH, a CEO da Dior é uma mulher (Delphine Arnault), é mulher a diretora financeira (Cécile Cabanis) e é mulher a diretora da recursos humanos (Maud Alvarez-Pereyre). Na Kering, a CEO da Gucci é uma mulher (Francesca Bellettini), é mulher a diretora financeira (Armelle Poulou) e é mulher a diretora de recursos humanos (Béatrice Lazat). Na Richemont, é mulher a diretora de recursos humanos (Marie-Aude Stocker). Na Hermès, é mulher a diretora de recursos humanos (Sharon MacBeath). Na Prada, Miuccia representa a segunda geração de líderes mulheres e está no conselho de administração. E são mulheres as diretoras criativas da Fendi (Maria Grazia Chiuri), Givenchy (Sarah Burton), Bottega Veneta (Louise Trotter), Chloé (Chemena Kamali), Hermès (Nadège Vanhee-Cybulski), entre outras maisons.
Elencar nomes de mulheres em posições de destaque nesta indústria e prever que serão CEO e chairmen não é um exercício de esperança, é uma previsão baseada em factos. Se as mulheres são a maioria da força de trabalho, se estão hoje em posições chave na cadeia e se nada interromper o curso habitual da evolução profissional dos trabalhadores, o que será estranho é que não venham a ocupar o topo. Preocupemo-nos se não for assim.
Este artigo foi originalmente publicado na newsletter do ECO Avenida, publicada à sexta-feira.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Uma indústria onde as mulheres se veem
{{ noCommentsLabel }}