Voluntariado de competências: a chave para uma cultura de inovação e impacto social
Em vez de apenas doações financeiras, que muitas vezes não são suficientes, este tipo de voluntariado capacita as organizações com conhecimentos e competências que podem transformar a sua atividade.
Portugal é um dos países da Europa com uma das mais baixas taxas de voluntariado, apenas 7,8%, de acordo com o último relatório da Eurostat em 2018. Ainda que não existam dados recentes, são diversas as áreas em que todos podemos contribuir a título pessoal, mas também através de projetos desenvolvidos dentro das Organizações.
Existem vários tipos de voluntariado, mas o que pretendo explorar neste artigo é o valor e potencial do voluntariado de competências. Pois é mais do que uma simples tendência, é uma necessidade urgente no mundo atual. Com um número crescente de organizações sem fins lucrativos a enfrentar dificuldades para satisfazer as suas necessidades, a contribuição de profissionais qualificados pode fazer toda a diferença.
O conceito de voluntariado de competências permite que os profissionais utilizem as suas habilidades específicas para ajudar organizações sem fins lucrativos. Em vez de apenas doações financeiras, que muitas vezes não são suficientes, este tipo de voluntariado capacita as organizações com conhecimentos e competências que podem transformar a sua atividade. Por exemplo, um especialista em marketing pode ajudar uma organização sem fins lucrativos a desenvolver uma campanha de sensibilização, enquanto um programador pode criar uma plataforma para gerir doações.
Para que o voluntariado de competências seja bem-sucedido, é vital que as equipas sejam geridas de forma a permitir a disponibilidade dos colaboradores. A flexibilidade no horário de trabalho e o reconhecimento do esforço voluntário são práticas que incentivam a participação. Com base na minha visão e na minha experiência, os colaboradores sentem-se mais motivados quando têm a oportunidade de se envolver em obras sociais. Portanto, as empresas devem criar um ambiente que favoreça essas iniciativas, promovendo um sentimento de pertencimento e propósito.
Existem muitos mitos sobre o voluntariado, como a ideia de que apenas executivos ou profissionais experientes podem contribuir significativamente. Essa visão é limitante. Na verdade, habilidades simples, como a comunicação e a organização, são extremamente valiosas.
Compartilhar histórias de colaboradores que participaram de projetos de voluntariado pode inspirar outros a envolverem-se. Por exemplo, uma colaboradora que participou num projeto para uma organização dedicada à inclusão social de pessoas com deficiência motora não apenas contribuiu para a causa, mas também teve a oportunidade de desenvolver as suas competências em gestão de projetos.
O impacto do voluntariado de competências vai além do que se pode imaginar. Para as organizações sem fins lucrativos, a contribuição de profissionais traz melhorias significativas nas suas atividades. Para os colaboradores voluntários, a experiência oferece a oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.
É fundamental que mais empresas reconheçam esta realidade e criem estruturas que incentivem a participação dos seus colaboradores. Pequenas medidas podem ter um impacto enorme: reservar algumas horas por mês no horário de trabalho para atividades de voluntariado, estabelecer parcerias com organizações sociais para facilitar a inscrição dos colaboradores ou criar programas internos de mentoria para partilhar competências são algumas das ações que temos com resultados positivos. Ao fazê-lo, todos saem a ganhar: as instituições que recebem apoio, os profissionais que desenvolvem novas competências e, em última análise, a sociedade no seu conjunto.
O futuro do voluntariado de competências está nas nossas mãos e juntos podemos transformá-lo numa realidade positiva e impactante.
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