À boleia do metrobus do Porto antes do arranque oficial da operação no sábado

À boleia do metrobus do Porto, numa obra concluída há mais de um ano, percorremos o troço da primeira fase entre a Praça do Império e a Casa da Música.

Sentados num dos bancos da frente de um autocarro designado de metrobus, agora sem parte da comitiva do percurso pré-inaugural, em que participámos momentos antes, apanhamos boleia num veículo onde, dentro de dias, se espera azáfama na entrada e saída de passageiros. A viagem antecipa o arranque oficial da operação, que acontecerá já este sábado. O BRT (Bus Rapid Transit) do Porto terá um período experimental gratuito durante o mês de março, ainda com várias afinações por fazer.

Muita tinta correu desde que a obra começou, numa viagem que chegou a azedar as relações entre a anterior administração da Metro do Porto e o município da Invicta devido aos consecutivos atraso. A primeira fase começa a funcionar este sábado com a Metro do Porto e a STCP a garantirem a viabilidade e a eficácia do sistema.

Durante o percurso, pudemos atestar algumas das vantagens, tantas vezes anunciadas pela anterior gestão da Metro do Porto, que serviram de justificação à obra: prioridade contínua numa via dedicada, sem interferência do trânsito, a uma velocidade entre os 35 e os 40 quilómetros à hora e durante 12 minutos. Ainda que a viagem de teste da manhã desta terça-feira tenha demorado mais um minuto entre a Praça do Império e a Casa da Música, com passagem pelas avenidas Marechal Gomes da Costa e da Boavista.

Já no final da do trajeto, o diretor de exploração da Metro do Porto, João Nuno Aleluia, garantia aos jornalistas frequências de dez em dez minutos em horas de ponta, e de 15 em 15 minutos no restante horário, entre as 6h e as 22h. Mas que poderão depois ser afinadas em função da procura durante a operação.

Por enquanto, há cinco veículos que vão ligar a Casa da Música à Praça do Império. “No início, vamos ter um autocarro a mais — um quinto autocarro — para fazer a regulação do arranque na Avenida da Boavista. A experiência indicará quais as medidas a adotar” depois, refere o diretor de exploração da Metro do Porto.

Viríamos a saber depois, já quando apanhamos boleia sem os restantes jornalistas, que um dos autocarros movidos a hidrogénio permanecerá no terminal da Casa da Música a aguardar indicações da central, no caso de ser preciso “render” um veículo que fique “preso” no trânsito na rotunda da Boavista.

Vamos tentar afinar a frequência e o nível de serviço, em função da procura durante a operação.

Nuno Aleluia

Diretor de exploração da Metro do Porto

Esta solução definitiva — o metrobus a circundar a rotunda de forma completa, havendo um veículo suplementar à espera –, já foi anunciada pelo atual presidente da transportadora, Emídio Gomes, a 18 de dezembro de 2025. No tempo da anterior administração chegou a estar em cima da mesa a inversão de marcha em contramão dos autocarros no topo da Avenida da Boavista, gerando alguma polémica.

A partir deste sábado os passageiros não farão o percurso da rotunda. Apenas os veículos movidos a hidrogénio e os seus motoristas. O ponto de partida ou chegada mais próximo para os utilizadores será a estação da Casa da Música, como tivemos oportunidade de constatar.

metrobus Porto
O cais foi concebido para permitir acesso e saída de nível com a plataforma dos veículosMetro do Porto 24 fevereiro, 2026

Ainda assim, as transportadoras têm pela frente um mês experimental para acertar agulhas na operação. “Vamos tentar afinar a frequência e o nível de serviço, em função da procura durante a operação”, avança João Nuno Aleluia, já fora do metrobus, diante de várias pessoas a aproximarem-se, curiosas com o novo sistema de mobilidade na cidade.

Até houve quem perguntasse se poderia seguir viagem com o grupo de jornalistas e colaboradores das duas transportadoras da Invicta. “É jornalista?”, perguntava um dos elementos da comitiva. “Então ainda não é hoje. Venha no próximo sábado”, informava rodeado de fotógrafos e operadores de câmara.

Ao longo do percurso, a via dedicada não deixa margem para dúvidas de que é exclusiva ao metrobus, com as letras BRT pintadas a um vermelho já esbatido. Mas, com o canal dedicado construído há tempos e sem metrobus à vista, ainda persiste ali a circulação de ciclistas e pessoas a correr ou de trotinete. Observamos ainda alguns peões a atravessarem, apressadamente, a Avenida da Boavista, e a serem surpreendidos pela buzinadela do motorista para os alertar da aproximação do autocarro, cujo motor elétrico não permite, ao contrário do habitual nos Diesel, avisar à distância os mais distraídos.

A partir deste sábado, já não poderão utilizar o canal do metrobus, garante aos jornalistas o diretor de exploração da Metro do Porto. “Na fase inicial, as pessoas estiveram, e bem, a usar o canal de metro para correr e andar de bicicleta. Naturalmente, com o serviço a decorrer, as pessoas vão sair do canal. É um processo normal”, vinca.

Ainda assim, os avisos sonoros na aproximação às estações, tal como acontece na linha do metro, não estão a funcionar. “Estamos nas afinações finais e espero que, no mês de março, fique tudo a funcionar na perfeição”, assegura, por sua vez, o responsável da STCP pela operação do metrobus, Joaquim Gomes.

Viagem a bordo de um dos veículos MetroBus que vão percorrer o canal Boavista/Casa da Música – Praça do Império, no Porto, 24 de fevereiro de 2026. A operação arranca a 28 de fevereiro, iniciando um período de familiarização e ajuste progressivo do serviço. JOSÉ COELHO/LUSA

Já o sistema inteligente de semaforização está operacional, como pudemos constatar durante a viagem. “O sistema de semaforização vai ajudar-nos a conseguirmos fluir de forma suficientemente eficaz também o trânsito rodoviário”, indica este responsável da STCP. Com o aproximar do autocarro, o “semáforo abre” para o deixar circular, exceto quando o peão aciona o verde para atravessar a passadeira, explica-nos depois outro elemento da transportadora já durante a nossa viagem no pós-inauguração.

Com a a operação prestes a começar, o abastecimento do metrobus com hidrogénio é feito num posto provisório instalado na antiga estação de recolha de São Roque da Lameira. As instalações definitivas na central da Areosa deverão ficar concluídas “o mais tardar, em junho deste ano”, segundo Joaquim Gomes. “Estamos nas afinações finais para conseguirmos operar com regularidade e fiabilidade, para termos um serviço de confiança”.

No interior do autocarro a hidrogénio há um mapa da rede do metro a indicar as paragens à superfície: Casa da Música, Guerra Junqueiro, Bessa, Pinheiro Manso, Serralves, João de Barros e Império. Dispõe ainda de zona para pranchas de surf, bagagens, e está equipado com carregadores USB normais e USB-C.

As duas vias do metrobus estão separadas pelo cais de embarque e desembarque, um ponto em que este autocarro BRT se distingue dos convencionais.JOSÉ COELHO/LUSA

O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros. Já a empreitada do metrobus cifra-se nos 76 milhões de euros financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Fundo Ambiental e Orçamento do Estado.

No que toca à segunda fase, até à Anémona, que implicará uma viagem em 17 minutos, os prazos têm-se arrastado ainda mais. Mas o presidente da Metro do Porto já se comprometeu com a data de 31 de agosto de 2026 para o arranque da circulação, de modo a cumprir o prazo do PRR.

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