Com pás nas mãos e bandeiras ao vento, construção da Lufthansa Technik arranca na Feira

A futura unidade da Lufthansa Technik, em Santa Maria da Feira, é um projeto de 300 milhões que vai criar 700 empregos e deve estar concluído em 2028.

Ainda é um terreno de terra batida, onde o vento levanta pó e faz ondular as bandeiras da Lufthansa. No interior de uma tenda montada para a cerimónia, uma maquete já revela o futuro: a unidade industrial que ali vai nascer.

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De pá na mão, oito responsáveis — entre eles o CEO do Grupo Lufthansa, Carsten Spohr, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, a presidente da AICEP, Madalena Oliveira e Silva, e o presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria — avançaram em simultâneo para um pequeno retângulo de terra. O gesto simbólico marcou o arranque da construção da futura unidade da Lufthansa Technik, um investimento que deverá rondar os 300 milhões de euros e estar concluído em 2028.

No terreno de 230 mil metros quadrados, onde por agora se vê apenas terra lavrada, duas escavadoras e estacas a delimitar o perímetro, nascerá uma unidade com cerca de 55 mil metros quadrados dedicada à manutenção e reparação de componentes aeronáuticos. Será um dos maiores investimentos industriais recentes em Portugal e deve criar cerca de 700 postos de trabalho.

Apresentação do investimento da Lufthansa Technik em Portugal Ricardo Castelo/ECO

Com as escavadoras em pano de fundo, o presidente executivo do Grupo Lufthansa, Carsten Spohr, classificou o momento como “um grande dia para a Lufthansa”.

A futura unidade, que será construída pelo grupo liderado por José Teixeira e está localizada a menos de quatro quilómetros da autoestrada, será equipada com tecnologia avançada e especializada na reparação de componentes de aeronaves provenientes de vários pontos do mundo.

Em Santa Maria da Feira passarão a ser recuperadas peças como janelas de cockpit, máquinas de café expresso de bordo, conjuntos eletromecânicos, auscultadores, pás de turbina e componentes de motores. Os equipamentos chegarão sobretudo da Ásia e da América Latina para serem reparados ou substituídos antes de regressarem ao serviço.

 

Para Carsten Spohr, CEO do Lufthansa Group, “o início das obras, hoje em Santa Maria da Feira, é um símbolo visível e poderoso daquilo que o Lufthansa Group representa em Portugal: um parceiro industrial fiável e de longo prazo. Estamos presentes neste país há mais de 70 anos”.

O início das obras, hoje em Santa Maria da Feira, é um símbolo visível e poderoso daquilo que o Lufthansa Group representa em Portugal: um parceiro industrial fiável e de longo prazo.

Carsten Spohr

CEO do Lufthansa Group

Apesar de a construção ainda estar no arranque, o projeto já está em andamento. Entre os convidados da cerimónia destacavam-se dezenas de colaboradores com a camisola da Lufthansa, muitos já ligados à futura unidade. Carsten Spohr revelou que o grupo já contratou 300 trabalhadores, atualmente em formação especializada em instalações provisórias no Parque Empresarial de Recuperação de Materiais.

“Já contratámos 300 pessoas até agora”, afirmou o responsável, sublinhando que o investimento começa a produzir efeitos antes mesmo da conclusão da fábrica.

CEO do grupo Lufthansa (Carsten Spohr) e primeiro-ministro (Luís Montenegro) na apresentação do investimento da Lufthansa Technik em Santa Maria da FeiraRicardo Castelo/ECO

Para o presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, esses efeitos já são visíveis. O autarca afirmou que o investimento alemão está a impulsionar a procura de empresas pelo concelho, a criar emprego e a aumentar os pedidos de licenciamento para habitação.

“Estou convencido de que o alicerce que hoje aqui simbolicamente começámos será mais um dos marcos definidores do progresso da região. Já sentimos efeitos positivos no emprego, em empresas que nos procuram para investir e também na procura de novos licenciamentos para construção de habitação, um problema que urge resolver em Santa Maria da Feira e no país”, afirmou o autarca.

Estou convencido de que o alicerce que hoje aqui simbolicamente começámos será mais um dos marcos definidores do progresso da região. Já sentimos efeitos positivos no emprego, em empresas que nos procuram para investir e também na procura de novos licenciamentos para construção de habitação.

Amadeu Albergaria

Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, mostrou-se confiante de que este será apenas o início da presença industrial da Lufthansa em Portugal. “Tenho a expectativa de que esta unidade, que para já prevê empregar 700 pessoas, tenha capacidade para crescer e se torne um dos alicerces do potencial industrial e tecnológico de Portugal e da Europa”, afirmou.

O diretor-geral de operações da Lufthansa Technik, Harald Gloy, afirmou no evento que a empresa “tem grandes planos e fortes ambições”. Sublinhou ainda que “Portugal será um pilar fundamental para o nosso crescimento contínuo e sucesso a longo prazo” e que esta nova infraestrutura em Santa Maria da Feira permitirá concretizar uma parte central da estratégia do grupo na indústria da aviação.

Amadeu Albergaria recordou ainda que Santa Maria da Feira já é um dos principais polos industriais do país, com forte presença nos setores da cortiça, do calçado e da metalomecânica. Com mais de 18 mil empresas e sendo atualmente o décimo concelho mais exportador de Portugal, acredita que a chegada da Lufthansa Technik permitirá reforçar essa posição.

CEO do grupo Lufthansa e o presidente da Câmara Muncipal de Santa Maria da FeiraRicardo Castelo/ECO

À margem da cerimónia foi também assinado o contrato de investimento entre a Lufthansa Technik e a AICEP. O acordo prevê um investimento contratual de cerca de 223 milhões de euros, embora o grupo alemão estime investir mais de 300 milhões no projeto. Ao abrigo do Regime Contratual de Investimento, o Estado português atribuirá um apoio financeiro de cerca de 24,75 milhões de euros.

Para Carsten Spohr, o investimento representa um sinal do “forte compromisso” do grupo com Portugal. “Somos o grupo de aviação número um na Europa, estamos entre os maiores do mundo e olhamos para Portugal pelo seu potencial como um grande parceiro”, afirmou.

O responsável destacou ainda a posição estratégica do país nos planos de expansão internacional da Lufthansa. Na semana passada, o Governo aprovou uma declaração de intenções da Lufthansa para avaliar a criação de uma escola de pilotos para a Força Aérea alemã em Portugal, com potencial para formar militares de países aliados.

“Portugal é uma porta de entrada para o Brasil e, em termos geográficos, está perfeitamente localizado para os nossos planos de crescimento na América. Acreditamos muito no futuro do Brasil, da América Latina e na capacidade do Grupo Lufthansa para desenvolver hubs não apenas na Europa, mas também em África e em mercados próximos do continente europeu”, disse o líder da companhia aérea.

Questionado sobre uma eventual privatização da TAP, Carsten Spohr reiterou que o interesse do grupo alemão se mantém “muito forte”. Com 50 voos diários a partir de Portugal e mais de 500 trabalhadores nas várias empresas do grupo instaladas no país, garantiu que a Lufthansa está preparada para assumir a gestão da companhia portuguesa “imediatamente” caso o processo avance.

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