Da capital do móvel para o mundo, fábrica Ikea em Paços de Ferreira é a quinta maior do grupo sueco

Com 31 fábricas espalhadas por sete países, a unidade de Paços de Ferreira é a quinta maior do grupo sueco. É desta unidade que saem 15 milhões de peças para 21 países.

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  • A fábrica da Ikea Industry em Paços de Ferreira destaca-se pela sua produção intensa, com 1.500 trabalhadores a fabricarem 15 milhões de peças anualmente, consolidando-se como a quinta maior unidade do grupo sueco em termos de volume de produção.
  • Com um faturação de 220 milhões de euros no último ano, a unidade é responsável por 96% da sua produção destinada à exportação, sendo a América do Norte o principal mercado, absorvendo 40% das peças fabricadas.
  • O diretor da fábrica afirma que a unidade tem potencial para aumentar a produção em 30% nos próximos dois anos, dependendo da procura do mercado, o que poderá fortalecer ainda mais a posição da Ikea em Portugal e no exterior.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Mal cruzamos a placa que anuncia a Ikea Industry deparamo-nos com uma estrutura de 47 mil metros quadrados de área onde 1.500 trabalhadores se dedicam 24 horas por dia, cinco dias por semana, à produção dos móveis do Ikea. Desta unidade localizada na capital do móvel saem 15 milhões de peças anualmente com destino a 21 países. É brutal a quantidade de peças que saem daqui diariamente”, diz Jorge Fer­reira, diretor da fábrica.

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Os números dão conta da dimensão. Com 31 fábricas espalhadas por sete países, incluindo Portugal, a unidade de Paços de Ferreira é a quinta maior do grupo sueco. Neste complexo industrial, entram 40 camiões por dia carregados de matéria-prima — essencialmente oriunda da Península Ibérica — e saem 35 camiões com produto acabado.

Com uma área total de 4,7 hectares, a fábrica do Ikea Industry, inaugurada em 2008, alberga duas unidades de produção, uma direcionada apenas ao fabrico de portas de cozinha e outra à produção de móveis mais leves, como estantes ou bancos.

Com cinco pavilhões distribuídos por 50 mil metros quadrados, saem desta unidade de produção 165 mil portas de cozinha por semana, o que equivale a 7,4 milhões de peças por ano. No último ano, a Ikea Industry faturou 220 milhões de euros, sendo que o segmento da cozinha pesa 26% das vendas e 37% da produção total.

“A empresa tem como obje­tivo a pro­du­ção de mobi­li­á­rio exclu­si­va­mente para as cadeias do grupo, com vista a asse­gu­rar o mer­cado naci­o­nal e mer­ca­do ibé­rico, fran­cês e norte-ame­ricano”, refere Jorge Fer­reira, dire­tor da fábrica de Paços de Fer­reira da Ikea Industry, que se orgulha de ser o maior produtor de mobiliário do país.

Da receção da matéria-prima ao produto acabado, todo o processo é automatizado. O design é sueco, mas a produção tem mão portuguesa. Praticamente toda a produção (96%) destina-se à exportação, essencialmente para lojas e centros de distribuição Ikea em 21 países, com destaque para a Amé­rica do Norte (EUA e Canadá) que absorve 40% da produção.

É no pavilhão um que começa todo o processo de produção, onde estão amontoadas as paletes com placas de MDF compradas à Sonae Arauco. Numa primeira fase, os materiais em bruto são cortados em diferentes dimensões, e a velocidade da máquina de corte é tal que, por hora, consegue cortar o equivalente à carga de um camião TIR.

Ricardo Castelo/ECO

Depois as peças seguem para o segundo pavilhão onde decorre o processo de maquinação. Nesta fase a máquina pega na peça cortada em cru e define a geometria, faz os furos necessários para a montagem da peça e torna a placa impermeável através de um processo de calor que atinge os 380 graus.

A cada trinta minutos um operador, com olhar atento, tira uma peça aleatória da linha de produção para inspecionar se não existe nenhum defeito e se está tudo em conformidade. Os operadores falam entre si com recurso a auscultadores e auriculares devido ao baru­lho intenso das máqui­nas. Caso não seja detetado nenhum desvio padrão, a produção continua e as peças passam para a etapa seguinte.

No pavilhão três e quatro são pintadas as portas ou gavetas em várias camadas, com as tintas a serem fornecidas pelas empresas suecas AkzoNobel e a Sherwin Wiliams. “Os sistemas de pintura são patenteados pela Ikea e tem que ser o mesmo para todos”, explica Jorge Ferreira ao ECO.

Sempre que é aplicado um químico à porta, a peça vai para o processo de cura, que é a secagem da tinta. Também no processo de pintura, um operador avalia o processo de qualidade das peças. De meia em meia hora, verifica o brilho, se a tinta aderiu à placa, faz a medição de cor e testa ainda a resistência a riscos.

Depois da vistoria, a peça segue para o quarto pavilhão, no fundo a segunda área de pintura. As peças entram num forno gigante entre 60 a 75 minutos, onde “as peças de cozinha são devidamente cozinhadas”, diz, em tom de brincadeira, o diretor da fábrica.

Ricardo Castelo/ECO

Os artigos são transportados de pavilhão em pavilhão através de tapetes rolantes até chegarem ao último pavilhão, o embalamento. Nesta unidade tudo é pensado ao pormenor, com as peças a entrarem numa máquina que funciona como um sistema com visão artificial que garante que a etiqueta da peça e da caixa são as mesmas.

Posteriormente, os artigos são embalados numa caixa de papelão com um sistema airbag que amortece em caso de queda.

Ricardo Castelo/ECO

O segredo passa pela “standardização do processo”, “comunicação”, “formação” e “esclarecer os objetivos concretos aos colaboradores”, diz responsável pela produção ao ECO, que, só nesta unidade são 1.500.

Com formação em técnico de gestão de produção, Agostinho Monteiro, de 36 anos, começou a trabalhar no grupo sueco ainda tinha 17 anos — passou por todas as áreas até chegar a responsável de produção da Fábrica de Paços de Ferreira da Ikea Industry.

Agostinho ainda estava a estudar na escola profissional quando se inscreveu num projeto do Ikea e foi chamado. Mas como ainda era menor de idade e tinha que fazer uma formação na Polónia, precisou da autorização dos pais, recorda.

Agostinho Monteiro, responsável de produção da fábrica da Ikea Industry, em Paços de Ferreira.Ricardo Castelo/ECO

Jorge Ferreira, diretor da Fábrica de Paços de Ferreira da Ikea Industry, assegura que “nenhum produto vê a luz do vida sem cumprir cinco funções: forma, função, baixo preço, sustentabilidade e design democrático”.

Depois de todo o processo concluído, as peças são transportadas por camião diretamente para as lojas portuguesas, espanholas e francesas, enquanto para o mercado norte-americano o transporte é feito por contentor com partida no Porto de Leixões. Algumas portas, com pouca rotação, são enviadas para um centro de distribuição na Alemanha.

No que diz respeita a frentes de cozinha pintadas (inclui portas e gavetas), o gestor assegura que a “fábrica de Paços de Ferreira é o maior produtor do grupo”, seguido de uma fábrica na Suécia.

Para além de todo o processo de produção, o Ikea Industry tem ainda um laboratório onde as peças são testadas minuciosamente: resistência à água, ao calor, aos riscos… Até existe um ensaio, numa câmara climática, para simular ambientes hostis. As peças, que ficam durante cinco dias dentro da câmara, atingem temperaturas entre os 20 graus negativos e os 55 graus.

 

Unidade com capacidade para produzir mais 30%

Embora os níveis de produção atuais já sejam elevados, o diretor da fábrica da Ikea Industry garante que a unidade tem capacidade para mais. “Paços de Ferreira tem espaço para produzir mais e melhor”, garante. “Com a capacidade que já temos instalada — sem grande custo e sem grande dificuldade — conseguimos crescer mais 30% em dois anos”, afirma Jorge Ferreira.

Paços de Ferreira é a unidade do grupo na produção de frentes de cozinha que tem as melhores pré-condições para crescer.

Jorge Ferreira

Diretor da Fábrica de Paços de Ferreira da Ikea Industry

Jorge Ferreira não tem dúvidas que “Paços de Ferreira é a unidade do grupo na produção de frentes de cozinha que tem as melhores pré-condições para crescer”, diz o gestor. “Se o grupo decidir crescer, a unidade de Paços de Ferreira está pronta.” A convicção prende-se com “capacidade já instalada, conhecimento e espaço disponível para crescer”.

Jorge Ferreira, diretor da fábrica da Ikea Industry, em Paços de Ferreira.Ricardo Castelo/ECO

O diretor da Fábrica de Paços de Ferreira da Ikea Industy assegura que estão prontos para crescer, só depende da procura. “O retalho tem que puxar nesse sentido: se eles venderem mais, nós produzimos mais“.

Com presença em Portugal há 21 anos, a cadeia sueca de mobiliário e decoração tem cinco lojas (Alfragide, Loures, Loulé, Matosinhos e Braga) e 16 estúdios de planificação. As lojas físicas receberam o ano passado 15 milhões de visitas e faturaram 611 milhões de euros de vendas, mais 1,5% que em relação ao ano fiscal anterior. A marca sueca é responsável por 4.700 postos de trabalho diretos em território nacional (3.200 no retalho e 1.500 na Ikea Industry).

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