De réguas inclusivas, a lápis infinitos e postais em madeira, conheça algumas das novidades que prometem dinamizar o setor que reúne 1.500 empresas e 23 mil trabalhadores.
Réguas para autistas e cegos, postais em madeira e lápis infinitos e educativos com a tabuada, numeração romana ou até o abecedário. Estes são alguns dos produtos inovadores que prometem dar uma nova dinâmica ao setor da papelaria e gift, que agrega 1.500 empresas e cerca de 23 mil trabalhadores.
“Só o conjunto das indústrias gráficas e transformadoras de papel representam cerca de 3,1 mil milhões de euros de volume de negócios, mais de 600 milhões de euros de exportações, aos quais se deve somar ainda o retalho livreiro, de papelaria e gift, o que coloca o ecossistema alargado claramente na casa dos milhares de milhões de euros anuais”, contabiliza o vice-presidente da Associação de Profissionais de Papelaria e Gift (APPG), João Oliveira.
O também administrador da Olmar destaca ainda que “Portugal tem uma base produtiva muito sólida em papel, material escritório escolar e gift, numa fileira que conta com mais de 1.500 empresas e cerca de 23 mil trabalhadores”.
Portugal tem uma base produtiva muito sólida em papel, material escritório escolar e gift, numa fileira que conta com mais de 1.500 empresas e cerca de 23 mil trabalhadores.
A destacar-se pela inovação dos produtos está a brasileira Ecoplast que aproveitou a 2ª edição da Gift Paper — que juntou na Exponor, em Matosinhos, um total de 50 empresas, distribuídas por 1.500 metros quadrados — para mostrar a mais recente inovação: uma régua inclusiva com guia de apoio à leitura, palavra a palavra, ideal para neurodivergentes – pessoas com diagnóstico de dislexia, perturbação de hiperatividade e défice de atenção ou transtorno do espetro autista.
“Além da função como um instrumento de medição, a régua também facilita a leitura por parte de crianças com dislexia, autismo e défice de atenção“, explica ao ECO Ferdinando Carvalho, diretor comercial da Ecoplast, destacando que o produto foi desenvolvido com a ajuda de especialistas em psicopedagogia.
Além deste produto, a empresa que emprega 150 pessoas tem no portefólio réguas em braille, réguas com os números aumentados para facilitar a leitura às pessoas com dificuldades visuais e até réguas para canhotos.
Com quase três décadas e vendas próximas de 13,2 milhões de euros para 75 clientes, vê na Europa uma oportunidade de crescimento e já tem uma subsidiária na Bélgica. . Alguns dos produtos são desenvolvidos com desperdícios da indústria de cana-de-açúcar. “Queremos trazer para a Europa os nossos produtos e através do escritório na Bélgica já estamos a fazer negócios em África com os kits escolares para o Governo”, diz o porta-voz da Ecoplast.
O diretor comercial considera que o acordo assinado entre União Europeia e Mercosul — que vai entrar em vigor já de forma provisória — é uma “oportunidade de ouro”. O comércio total entre Portugal e Mercosul significa atualmente cerca de 8,5 mil milhões de euros, mas entre os quatro países (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai), o mercado brasileiro — desde logo pela longa relação bilateral — é o principal destino da venda de bens portugueses.
Postais e marcadores de livro feitos em madeira
Com sede em Mem Martins, no concelho de Sintra, a Office Point, que trabalha com 16 marcas exclusivas, aproveitou para mostrar postais feitos 100% em madeira. “São extremamente suaves ao toque e uma alternativa aos postais que conhecemos porque não há deste género no mercado”, conta Karim Kesavji, diretor da Office Point, destacando que “são desenhados por artistas, o que torna o produto mais diferenciador”. O postal custa cerca de 6 euros.
Além dos postais em madeira, a Office Point disponibiliza marcadores de livro em madeira. “Somos importadores e distribuímos para as grandes superfícies, armazenistas e retalhistas”, explica o diretor da empresa, que emprega 12 pessoas. Dedicada à importação, comercialização e distribuição de artigos de papelaria, material escolar e escritório, também exibiu esferográficas apagáveis ou marcadores perfumados.
Lápis até ao infinito
A JB Comércio Global começou em 1998 por ser um cash & carry para profissionais do setor de papeleira, mas em 2020 apostou em outro nicho de negócio e começou a importar e a distribuir marcas de gifts exclusivas. Uma das novidades que despertou a curiosidade dos visitantes foi o lápis infinito educativo, que não precisa de ser afiado e não utiliza madeira. Sob o mote, “cada lápis, uma descoberta”, o produto da marca brasileira Newpen incorpora dados como a tabuada, abecedário, números romanos, cores, países e capitais.
“Antigamente existia o lápis com a tabuada, mas à medida que o afiávamos lá se ia a tabuada, o que não acontece com o lápis infinito porque não precisa de ser afiado”, argumenta José Miguel Borda. O COO da empresa de Vila do Conde, que emprega 32 pessoas, sublinha que as “crianças podem aprender com o material escolar desde a tabuada à caligrafia ou estar a brincar com um colega para ele adivinhar qual a capital de determinado país”. “É todo um conceito lúdico educativo”, remata.
Já o caderno inteligente — que pertence a uma marca brasileira e que permite a personalização de todas as partes que o constituem, nomeadamente retirar e recolocar folhas, fichas, separadores, capas, estojos e até adicionar acessórios (estojos, espelhos, alças) — continua a dar que falar e a ter um grande visibilidade no stand da JB Comércio Global. A empresa já tem o caderno inteligente disponível em cerca de 300 pontos de venda a nível ibérico.
No que respeita ao caderno digital, o COO da JB Comércio Global e presidente da Associação de Profissionais de Papelaria e Gift (APPG) conta ao ECO que criaram um anúncio com as embaixadoras da marca que vai ser transmitido em 190 salas de cinema portuguesas.
A JB Comércio Global é ainda o único distribuidor em Portugal da Tecnodidattica — referência internacional na produção de globos, fabricados em Itália, que conta ainda com globos da insígnia da National Geographic. Desde esta parceria, a marca italiana adotou a cartografia para português de Portugal.
Olmar recusa sazonalidade do negócio
A Olmar que nasceu em 1973 numa pequena garagem em São João da Madeira, pelas mãos do fundador, Fernando Gomes de Oliveira, também marcou presença nesta segunda edição da Gift Paper, essencialmente para dar a conhecer novos produtos. O administrador da empresa, João Oliveira, realça a importância de estarem presentes neste tipo de eventos, destacando como na última edição concretizou vários negócios.
Canetas Bic com cores diferenciadas e ponteiras divertidas, a coleção Travelpack da Eastpak, tesouras feitas em titânio, réguas e esquadros flexíveis que não se partem. Estas foram algumas das novidades apresentadas pela Olmar na edição deste ano, realizada na matosinhense Exponor.
Com duas mega stores, uma no Porto e outra em São João da Madeira, a empresa exporta para 32 países, sobretudo para o Médio Oriente, África e Europa. “A loja de São João da Madeira é a maior papelaria da Europa, com 2.200 metros quadrados”, reclama João Oliveira. Com cerca de 90 colaboradores e presença em Angola, a Olmar faz 500 entregas por dia e soma um volume de negócios superior a 20 milhões de euros, repartido entre os dois países.
O administrador da Olmar recusa a tese de este ser um negócio sazonal e reforça a importância do material do escritório que “é comprado de janeiro a dezembro”. Em relação ao regresso às aulas, diz que “apesar do pico de vendas” nessa altura do ano, por altura do verão, “continuam a existir vendas durante todo o ano”.
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Setor da papelaria ‘vira a página’ com réguas para autistas, lápis infinitos e postais em madeira
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