Três meses depois de Kristin, há um fogo que arde sem se ver

O filme do fim do mundo estreou-se na região de Leiria há três meses. Há sequelas que perduram. Um rasto de destruição na floresta de que não se vê o fim, comunicações por repor, gente traumatizada.

Não sei quantos terços rezámos durante uma hora e três quartos. Agarrada ao meu marido aos gritos a rezar, a pedir à nossa Senhora que pusesse uma mão nisto. Ouvíamos um soprar louco, que vinha não sei de onde, mas em segundos estava ali, e de repetente era como se fossem cinco aviões a descolar”. É quinta-feira, início da tarde, e o ECO/Local Online termina uma entrevista com o presidente da Câmara de Leiria, quando Leonor Fiúza entra no gabinete com um arranjo de flores feito por si na loja que a depressão Kristin poupou. “O meu marido ainda não está bem. Quando vem vento, treme todo. Ficámos sem árvores, sem telhados nenhuns. Agora, vejo a autoestrada, a Zona Industrial dos Pousos… Faleceram-me quatro cabritos, duas cabras, o cão, que era um pastor alemão”, lamenta.

Três meses passados desde a tempestade com os mais potentes ventos alguma vez registados – e a pior parte nem está documentada, porque nem os radares da Base Aérea de Monte Real suportaram as rajadas – só agora a reparação definitiva da casa desta leiriense vai ter início, tamanha a dimensão da empreitada para as empresas de construção civil nesta região. E o empreiteiro “está apavorado com o serviço que encontrou”, diz a moradora da freguesia de Boavista.

Tal como a 29 de janeiro, o ECO/Local Online colocou-se a caminho em direção a Marinha Grande, Leiria e Pombal, mas agora já sem necessidade de levar o depósito do automóvel atestado ou água e mantimentos na bagageira.

Ao contrário de dia 29 de janeiro, quando nos defrontámos com mais portas trancadas no comércio que em dia de Natal, as lojas, a restauração e as bombas de gasolina estão abertas.

Leonor Fiúza, cidadã leiriense, e Gonçalo Lopes, presidente da autarquiaHugo Amaral/ECO

As dioptrias de quem vê a partir de Lisboa

“A tempestade Kristin, vista no terreno, tem uma dimensão diferente do que vista no gabinete através da televisão”, diz o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) de Leiria. E frisa Jorge Vala: “é fundamental que as pessoas percebam que esta região, com uma capacidade empresarial muito grande, só tem condições para se reerguer se houver uma ajuda plena”.

Embora demorasse um dia a reagir ao terror deixado por Kristin, o Governo foi lesto a prometer apoios à reconstrução de casas. Paulo Fernandes, presidente da estrutura de missão de recuperação da região centro, nota que o início do processo das ajudas decorreu “em circunstâncias muito difíceis, quer de quem analisa, as câmaras e CCDR, mas também dos autores das candidaturas, as famílias, que fizeram muitas candidaturas em circunstâncias em que nem tinham eletricidade nem comunicações”.

“A tempestade Kristin, vista no terreno, tem uma dimensão diferente do que vista no gabinete através da televisão”, nota, sarcástico, Jorge Vala, presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) de LeiriaHugo Amaral/ECO

A juntar a isto, considera Jorge Vala “houve um problema de comunicação” das medidas, levando à lentidão de análise das candidaturas. “O Governo comunicou muita facilidade e o bom português, quando se encontrou com a facilidade de ir buscar o ‘dinheirito’ com facilidade… enfim, também procurou essa facilidade”.

Quando faltam apenas dois meses para o final do prazo previsto pelo Governo para pagar os apoios à reconstrução de casas, as opiniões divergem quanto à exequibilidade.

O presidente da entidade que reúne os municípios da região de Leiria diz que “vai ser possível cumprir o prazo de 30 de junho”, definido pelo Governo para pagar os apoios até 5.000 euros ou 10.000 euros para reconstrução de casas.

O Governo comunicou muita facilidade e o bom português, quando se encontrou com a facilidade de ir buscar o ‘dinheirito’ com facilidade… enfim, também procurou essa facilidade.

Jorge Vala

Presidente da CIM Leiria

Também o presidente da estrutura de missão está otimista, mas Gonçalo Lopes duvida da capacidade de pagar atempadamente, perante o ritmo de validação na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro.

Opinião contraposta pela de Paulo Fernandes. “Os municípios estão a analisar mais de 300 candidaturas por dia, a aproximar-se até das 400, há uma tendência crescente de análises de candidaturas por dia, e os pagamentos das CCDR ultrapassam já, no conjunto delas, em média, os 500 mil euros por dia. Está a haver crescente de capacidade das CCDR em liquidar e finalizar estes processos”, diz.

Em contraponto, 40% das candidaturas estão a ser indeferidas. “Fazendo projeção até 30 de junho para as 20 e tal mil candidaturas que faltam ver ao dia de hoje, das 35.900 que entraram, mantendo esta tendência, eu diria que estaríamos em cima de conseguir atingir estes processos”.

Paulo Fernandes, Presidente da Estrutura de Missão Reconstrução da Região CentroHugo Amaral/ECO

Paulo Fernandes revela mesmo ao ECO/Local Online que em Ferreira do Zêzere, onde houve “900 candidaturas, no top 6 dos municípios com mais candidaturas”, a análise ficou concluída nesta sexta-feira.

“A tendência leva-me a pensar positivo relativamente a esse prazo, mesmo com as cautelas que o município de Leiria – que eu compreendo muito bem – que tem quase 11 mil candidaturas, obviamente expressa”.

Por isto, Leiria, considera o presidente da estrutura de missão, “é absolutamente diferente de todos os outros e pode ter um pouco mais de dificuldade, apesar da máquina que o município de Leiria montou e hoje, com mais de 100 pessoas das ordens [arquitetos e engenheiros] que estão ao serviço do município de Leiria, está com uma produtividade e capacidade de análise absolutamente extraordinária. Se não terminar até 30 de junho, pouco faltará para conseguir atingir essa meta”.

Só que, destaca Gonçalo Lopes ao ECO/Local Online, há um lado B nesta participação das duas ordens profissionais: os técnicos selecionados não estão dedicados em exclusividade, pelo que tratam dos processos apenas quando o trabalho do seu ateliê o permite.

Do choque à surpresa em 85 dias

Ao longo dos quilómetros feitos na região nesta quinta-feira, o choque vivido no dia seguinte a Kristin – aquele em que o Governo acedeu a decretar a calamidade – foi substituído pela surpresa do tanto que ainda há por fazer.

Floresta devastada a perder de vista e a “cheirar” a gasolina para a época de incêndios, casas parcialmente inutilizadas e apoios para reconstrução que teimam em não sair dos gabinetes do Estado, fábricas com telhados recompostos, mas máquinas inoperantes, postes de telecomunicações ainda no chão, eucaliptos de toneladas tombados dentro de localidades, bares de praia devastados e uma população a quem basta o som do vento para retomar o trauma de 28 de janeiro.

As operadoras estão a repor fibra ótica em postes de madeira, alguns deles ainda caídos, ou tombados. Estamos a perceber que se eventualmente houver outra tempestade, vamos parar exatamente ao mesmo. Não aprendemos nada com o que aconteceu”, lamenta o presidente da CIM e autarca de Porto de Mós.

Três meses depois de a tempestade Kristin ter atingido as regiões de Leiria, Pombal e Marinha Grande. Este é o cenário entre São Pedro de Moel e a Praia da Vieira. Hugo Amaral/ECO

A destruição na floresta mantém-se como um quadro pintado e pendurado na berma das estradas entre Marinha Grande e a praia de Vieira de Leiria, porta de entrada de Kristin. Eucaliptais vergados, árvores arrancadas pela raiz ainda na berma da estrada, e hectares a perder de vista de pinheiros partidos pelo meio – a trepidação provocada pelo vento gerou uma frequência que quebrou as árvores, explicava há dias, numa conferência em Leiria, um especialista em florestas.

Limpar as matas em pontos estratégicos e desimpedir caminhos florestais que estão a cortar caminho aos proprietários e a ameaçar bloquear os bombeiros na época de incêndios são prioridades para a Câmara de Leiria, diz Gonçalo Lopes, presidente da autarquia.

Os nossos caminhos florestais representam qualquer coisa como a ida de Lisboa até Vigo e atualmente estamos perto de Pombal.

Gonçalo Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Leiria

Nos caminhos florestais que nos levam de Sul à praia de Vieira de Leiria, o cenário divide-se entre a devastação demolidora de Kristin, as zonas com um jovem pinhal plantado sobre as cinzas dos graves incêndios de 2017 (nesse ano, desapareceu mais de 80% do pinhal) e áreas praticamente áridas, onde a replantação nunca chegou. Em boa medida, parece que o que não ardeu em 2017, caiu nove anos depois.

Segundo divulgou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) nesta sexta-feira, até dia 15 foram desobstruídos 1.058 quilómetros da rede viária florestal na região de Leiria, um terço do total executado ao longo do centro do país.

Pouco mais que uma agulha num pinheiro. “Os nossos caminhos florestais representam qualquer coisa como a ida de Lisboa até Vigo e atualmente estamos perto de Pombal”, diz, em sentido figurativo. Menos de um quarto dos cerca 600 km, portanto.

“Desapareceu tudo. Até as camas nos quartos estavam viradas”

À medida que progredimos para Norte, a desolação dilui-se no cenário dunar que tornou esta zona num polo turístico da região centro. Em Vieira de Leiria, dois bares de praia arrasados pela tempestade são chagas na paisagem, mas há os que tentam reabilitar a tempo da época balnear.

Há mês e meio dedicado às obras no edifício da Residencial Elisabeth e do restaurante Lismar, José Évora, o empreiteiro encarregue de recuperar o edifício, descreve-nos o cenário do início de obra como “tudo desmontado e cheio de areia. Desapareceu tudo. Até as camas nos quartos estavam viradas”.

Cerca de três meses separam estas imagens. A da esquerda, captada no dia 29 de janeiro. A da direita, no dia 23 de abril. Hugo Amaral/ECO

Da estrutura, escapam à reabilitação apenas as paredes forradas a azulejo e o piso de mosaico. Tudo o mais está a ser refeito, com a época de verão como objetivo de reabertura para receber os turistas.

A rua contígua, assim como as demais deste lugar, estão já limpas, mas como numa cidade histórica abalada pela guerra e onde se decide não reabilitar na íntegra os edifícios para preservar a memória da desgraça, há marcas por todo o lado da batalha de Kristin contra a construção dos humanos.

Um dos bares na marginal da Praia da Vieira. À esquerda, a 29 de janeiro, faltavam adjetivos para relatar o rasto de destruição. À direita, quase três meses depois, ainda há muito por fazer. Hugo Amaral/ECO

Os locais dizem-nos notar o efeito da maresia sobre agricultura e arvoredo, com o sal a atravessar paisagens onde não chegava, protegidas que estavam pelos milhões de árvores tombadas.

Na aldeia vizinha de Vieira de Leiria, onde a 29 de janeiro víramos quilómetros de fila para abastecer os carros numa das poucas bombas então a funcionar em Leiria e Marinha Grande, um eucalipto de toneladas tombado à beira da estrada – apenas com marca de corte nas pontas que, presumimos, invadiam a estrada e o passeio – compõe a simbologia das quase duas horas de caos na madrugada de dia 28 de janeiro.

Ficará por saber a quanto soprou Kristin, até porque na Base Aérea de Monte Real, ali uns quilómetros para o interior, o equipamento de medição da velocidade sucumbiu antes dos 190 km/h. Alguns telhados da base aérea ainda destelhados fazem pendant com os postes de telecomunicações tombados.

Uma particularidade na reposição do serviço, depois de dias, semanas e até meses sem sinal de telefone ou internet na região. Em boa verdade, ainda hoje há zonas onde a fibra não chega.

Empresas que trabalham com acesso de dados na nuvem, ou obrigatoriedade contratual de partilhar o estado de fabrico com o seu cliente, que quer controlar à distância o processo, deixaram de trabalhar.

Paulo Santos

Secretário executivo da CIM Leiria

Entre as empresas à míngua de comunicações está a TJ Moldes, da indústria de moldes, e que necessita de comunicações em fibra para se manter ligada em tempo real à fábrica do construtor automóvel Porsche da qual é fornecedora. “Só produz ligada online à Porsche. Ficaram impedidos de produzir, por falta de comunicações”, diz o presidente da CIM.

“Empresas que trabalham com acesso de dados na nuvem, ou obrigatoriedade contratual de partilhar o estado de fabrico com o seu cliente, que quer controlar à distância o processo, deixaram de trabalhar”, acrescenta Paulo Santos, secretário executivo da CIM. “O setor dos moldes é quase todo assim”, diz.

Jorge Vala acrescenta que para estas empresas “não há solução [com rede] móvel, tem que ser com fibra”.

Dezenas de milhões de prejuízos numa só fábrica

Mais sorte tem a Adelino Duarte da Mota (ADM), onde as telecomunicações demoraram, mas já estão repostas. Aqui, em Meirinhas, Pombal, a ausência de energia constituiu o verdadeiro problema de serviços. Só em dois geradores, a empresa gastou 140 mil euros nos dias imediatamente a seguir à tempestade. Sem eles, não conseguiria fazer arrancar o sistema de cogeração que mantém a laborar a fábrica de pasta para a indústria cerâmica, da qual depende uma significativa parte do setor de fabrico de pavimentos.

Nas primeiras semanas, a ADM gerou eletricidade para a vizinhança, uma ilha luminosa no breu de quilómetros ali à volta.

Quando a empresa e a E-Redes conseguiram resolver o quebra-cabeças tecnológico para uma inédita ligação da fábrica à rede exterior em simultâneo com o consumo nos seus equipamentos eletro-intensivos, ali à volta ouviram-se palmas da população que viu chegar a luz desta forma improvisada, diz Rita Carreira, diretora da fábrica.

Do que vimos agora nesta fábrica, onde os cálculos de prejuízos são da ordem dos dois dígitos de milhões de euros, a ADM encaixa no objetivo preconizado pelo presidente da Câmara de Leiria, pela CIM e no PTRR do Governo: a “resiliência”. Aliás, para a CIM, a resiliência é 10% do pacote de 675 milhões de euros que vai reivindicar do PTRR.

Adelino Duarte da Mota, S.A. – MCS PORTUGAL, em Meirinhas, depois de a tempestade Kristin ter atingido a região de Leiria, Pombal e Marinha Grande em janeiro de 2026. Parte da estrutura está por estes dias a ser desmantelada para ser posteriormente reconstruída.Hugo Amaral/ECO

Pedro Roque, administrador financeiro da ADM, conta ao ECO/Local Online que a reconstrução da fábrica de Meirinhas, que implicará a demolição total de uma secção – a estrutura cedeu, os pilares dobraram e um imponente equipamento de mais de 10 toneladas suportou tudo isto, tendo de ser ele mesmo desmantelado e substituído, num prejuízo na ordem dos três milhões de euros – já obedece a novos critérios de resistência de materiais.

Três meses após a devastação, a demolição decorre de forma lenta, chapa a chapa, como pudemos constatar, e com homens a dezenas de metros de altura a retirar painéis enrodilhados pelos ventos ciclónicos.

A empresa incumbiu um gabinete de engenharia de acautelar a nova estrutura para suportar um fenómeno com a dimensão de Kristin, diz Pedro Roque. Nas fachadas já reconstruídas, são notórios os reforços estruturais. “As madres são mais grossas e espaçadas de metro a metro. Agora, dizem que podem vir ventos de 200 km/h que não vai abaixo”, diz Rita Carreira.

O antes e o depois na unidade fabril em Meirinhas. Hugo Amaral/ECO

A diretora da unidade da ADM explica que os três ateliês de engenharia encarregues de estudar o desmantelamento integral desta secção da fábrica “ainda estão a ver como vão tirar isto”.

Mas se parte da região se prepara para uma sequela de Kristin, incluindo a rede educativa com escolas reconstruídas e até uma construída de raiz pelo município de Leiria, outra parte estagna.

Ao longo das estradas cruzamo-nos com pavilhões industriais desmembrados e sem sinal de vida, ainda que a generalidade dos empresários da região já esteja a arregaçar as mangas, enaltece Paulo Fernandes. “Estou a sentir um regresso à atividade – deixo até a minha homenagem à capacidade das empresas se reerguerem, empreenderem e cooperarem. Obviamente, os sistemas existentes também são muito associados a reforço de tesouraria, ou tesouraria direta ou redução de custos diretos com pessoal, para aguentar esse processo. Numa enorme esmagadora maioria, tem sido essa a situação, mesmo nos casos em que o restabelecimento da produção não está a 100%, nalguns até está abaixo de 50%, mas há uma capacidade e resiliência direta e verdadeira de manter a produção“, assegura o presidente da estrutura de missão.

O presidente da CIM destaca que “a suspensão da Segurança Social para as empresas tem um impacto muito grande e é também um estímulo”.

No lay-off, acrescenta Paulo Fernandes, a procura é “muito inferior ao que inicialmente se previa”. “O lay-off estará a atingir os 7.000 trabalhadores, quando as outras medidas de manutenção dos postos de trabalho – Segurança Social somada ao IEFP –, atinge mais de 100 mil trabalhadores”.

Para Paulo Fernandes, que anda no terreno há quase tanto tempo quanto as consequências da tempestade, “claramente, a opção das empresas está orientada para a manutenção, para se reerguerem, para manter os seus contratos, os clientes, e isso é o que estou a sentir mais no terreno”.

O terminal rodoviário improvisado continua em funcionamento perto do estádio.Hugo Amaral/ECO

Quanto à população, vemos a vida decorrer normalmente. Os jovens que correm para a escola, o convívio no café, o som na tenda gigante que a câmara montou como pavilhão desportivo para as equipas do município, o som do autocarro da Rede de Expressos a entrar no terminal improvisado, a buzina no trânsito, o martelar da (re)construção civil. Ao longe, discreto, o esforço dos trabalhadores que acumulam a sua função profissional nas fábricas com a ajuda à reconstrução, os empresários que fazem contas à vida à espera do dinheiro dos seguros e dos apoios do Estado, a família que ainda tem a casa danificada e a angústia do marido de Leonor quando o vento sopra mais forte. Para já, fresco, mas aproxima-se o verão. Até à sua chegada, a imponente carga combustível vegetal aguarda, paciente, na Mata Nacional de Leiria.

As imensas pilhas de ramos e troncos depositados na área em redor do estádio, numa imagem que não deixa esquecer as “feridas” deixadas pela passagem da tempestade.Hugo Amaral/ECO

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