APS: tempestade Martinho acumula 28 milhões em prejuízos até agora

  • Diana Rodrigues
  • 31 Março 2024

Fenómeno extremo deixou rasto de destruição: quase 14.700 sinistros e 28 milhões em prejuízos já contabilizados.

A tempestade Martinho, que assolou Portugal entre os dias 19 e 23 de março, deixou um rasto de destruição e prejuízos avultados. De acordo com os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), quase 14.700 sinistros já foram reportados às seguradoras, representando um custo estimado de 28 milhões de euros em indemnizações.

Um funcionário camarário procede à limpeza de árvores caídas em zona residencial devido à passagem da tempestade Martinho, em Cascais, 20 de Março de 2025. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), mais de 4 mil ocorrências relacionadas com o mau tempo foram registadas em Portugal continental entre as 00:00 e as 07:00, a maioria quedas de árvores e estruturas. RODRIGO ANTUNES/LUSARODRIGO ANTUNES/LUSA

Estes números, no entanto, ainda não são definitivos. A APS admite que o montante total poderá ser revisto em alta, à medida que novos pedidos de indemnização continuem a ser registados e avaliados. Com as operações de limpeza e reparação ainda em curso, muitas empresas encontram-se numa corrida contra o tempo para recuperar da destruição causada pelo fenómeno meteorológico.

Negócios e habitações no olho do furacão

A maioria dos estragos (97,9%) está relacionada com seguros de habitação e seguros empresariais. Em várias regiões do país, o vento forte e as chuvas intensas provocaram inundações, quedas de árvores, colapsos de telhados e estragos estruturais em edifícios, afetando tanto habitações particulares como estabelecimentos comerciais e industriais.

Para as Pequenas e Médias Empresas (PME), a tempestade foi um golpe duro. Muitos negócios ficaram temporariamente encerrados devido a danos materiais, falhas de eletricidade e dificuldades logísticas, o que agravou ainda mais as perdas financeiras. Em algumas zonas, como o litoral e regiões do interior com menor infraestrutura de apoio, a recuperação poderá ser mais morosa e desafiante.

Processos de indemnização e expectativas dos segurados

O aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos tem colocado pressão sobre o setor segurador. Para muitas famílias e empresários afetados, a rapidez no processamento das indemnizações é essencial para garantir a recuperação dos bens danificados.

A APS garante que as seguradoras associadas estão a trabalhar para agilizar os processos e liquidar os prejuízos o mais rapidamente possível. No entanto, a avaliação dos danos e a burocracia associada podem tornar o procedimento mais moroso do que muitos segurados gostariam.

Tempestades mais frequentes: um alerta para o setor segurador

A tempestade Martinho volta a reforçar a necessidade de uma estratégia de adaptação do setor segurador a fenómenos meteorológicos cada vez mais extremos. Especialistas alertam que, com a evolução das alterações climáticas, tempestades com grande impacto poderão tornar-se mais comuns, o que exige apólices mais abrangentes e maior sensibilização dos segurados para os riscos associados.

A prevenção e a preparação são agora palavras-chave para minimizar os estragos futuros. O desafio não se limita às seguradoras, mas também ao próprio Estado e à sociedade, que devem investir em infraestruturas mais resilientes, planeamento urbano adequado e medidas preventivas para mitigar os impactos de tempestades como a Martinho.

Nos próximos dias, a APS continuará a atualizar os números sobre o impacto financeiro da tempestade, mantendo o setor e os segurados informados sobre o desenrolar das operações de recuperação.