Estado compra 81 veículos para combater incêndios, mas não sabe quando chegam

Governo vai adquirir 81 veículos para reforçar combate a incêndios rurais "de forma a aumentar a capacidade operacional", mas admite que ainda não há data para estarem no terreno.

O Governo aprovou a despesa para a aquisição de 81 veículos para combate a incêndios rurais, que “reforçarão decisivamente a capacidade operacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)”, anunciou o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Moz Caldas, durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião de Conselho de Ministros.

“Não consigo dar um prazo concreto [para os veículos estarem operacionais no terreno]”, respondeu o governante, culpando o contexto internacional. “O mercado de fornecimento de veículos está afetado pelas circunstâncias internacionais que se estão a viver”, acrescentou, numa alusão ao impacto da guerra na Ucrânia.

Sem adiantar datas para os veículos estarem operacionais no território nacional, André Moz Caldas garantiu, no entanto, que “a expectativa do Governo é que tão cedo quanto possível estes veículos possam estar no terreno para reforçar a capacidade operacional da ANEPC”. Este investimento, cujo valor também não adiantou, está contemplado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Já questionado sobre a atual situação dos incêndios florestais no país, em particular na Serra da Estrela, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros remeteu as respostas para o Ministério da Administração Interna (MAI), tutelado por José Luís Carneiro, que diz estar a acompanhar em permanência as operações no terreno.

Ora, em comunicado, o MAI admite que “foram identificadas situações que, do ponto de vista operacional e dadas as características do incêndio [na Serra da Estrela], poderão necessitar de ajustamentos, e que estão já a ser objeto de avaliação“. Chegou a estas conclusões depois de reuniões, por videoconferência, entre a secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, e os presidentes das Câmaras da Covilhã, Gouveia, Guarda e Manteigas, para acompanhar o incêndio que começou no sábado.

Por enquanto, é o incêndio da Serra da Estrela que está a causar maior preocupação junto de autarcas, bombeiros e população no terreno das operações, onde já arderam até esta quinta-feira cerca de 10.000 hectares. Foram mobilizados meios excecionais, estando neste momento, no terreno mais de 1.500 operacionais, apoiados por 465 veículos, 14 meios aéreos e 16 máquinas de rasto. O comando das operações está a ser assegurado através do Centro Tático de Comando da ANEPC.

Ainda de acordo com o comunicado do MAI também participaram, nas reuniões, responsáveis da ANEPC, que “efetuaram um briefing detalhado sobre a situação operacional no terreno”. Lê-se na mesma nota que foram “explicadas as dificuldades identificadas ao nível da orografia da região, as condições meteorológicas expectáveis e os meios empenhados“.

O Governo e a ANEPC entendem, assim, ser “fundamental a permanente informação aos autarcas sobre a evolução deste incêndio, reconhecido por todos como de elevada complexidade“. Está agendada nova reunião para esta sexta-feira para avaliar a situação.

O Governo assegura que vai continuar “a acompanhar o evoluir deste incêndio e o esforço que está a ser feito para o combater, tendo transmitido aos autarcas e a todos os operacionais, através da ANEPC, uma mensagem de apoio às operações no terreno”.

O MAI calcula que já foram registadas 8.184 ocorrências este ano e que, “no início da semana, o último relatório do ICNF, que não incluía o incêndio que deflagrou no sábado na Covilhã, indicava um total de 58.354 hectares de área ardida até 31 de julho“.

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