Quem protege o seu negócio na era da incerteza?
Quando a incerteza deixa de ser exceção para se tornar regra, a pergunta impõe-se: como pode uma empresa, por mais sólida que seja, proteger-se de um cenário onde variáveis são imprevisíveis?
Numa era em que a incerteza deixou de ser exceção para se tornar regra, a pergunta impõe-se: como pode uma empresa, por mais sólida que seja, proteger-se de um cenário onde variáveis geopolíticas, económicas e climáticas parecem tão imprevisíveis quanto imparáveis?
Basta olhar para os últimos anos. Pandemia, guerra na Ucrânia, tensões comerciais entre superpotências, inflação galopante e crises energéticas. Cada um destes fenómenos seria, por si só, suficiente para abalar os alicerces de mercados consolidados. Em conjunto, representam uma verdadeira tempestade para a atividade empresarial global. E, enquanto as grandes economias tentam manter-se à tona, são muitas vezes as empresas que enfrentam o impacto direto, no terreno, sem rede de segurança. Ou será que têm uma?
Pouco glamorosos, muitas vezes ignorados até serem imprescindíveis, os seguros de crédito são, na verdade, o instrumento que pode determinar se uma empresa sofre uma crise ou sobrevive a ela. Um mecanismo estratégico que transfere para a seguradora os riscos de incumprimento dos clientes: protege margens de lucro, assegura a tesouraria e permite uma gestão previsível, mesmo em ambientes imprevisíveis.
Mas o seu valor não termina aqui. Num mundo onde a informação vale ouro, estas soluções oferecem algo que vai além da cobertura financeira: o acesso privilegiado a dados, análises e monitorização constante do comportamento de milhares de clientes e mercados. É, no fundo, dotar o empresário de uma bússola num mar revolto, onde cada nova vaga pode ser uma crise política local, uma alteração regulatória súbita, ou um evento climático extremo.
Há quem ainda veja os seguros de crédito como um luxo. Mas num contexto em que a menor falha de um parceiro comercial num mercado longínquo pode ter repercussões desastrosas no balanço de uma PME portuguesa, será sensato continuar a avançar sem eles?
Para as empresas com ambições de expansão internacional, o desafio não está apenas em encontrar novos mercados. Está em conseguir geri-los com segurança. E é precisamente aqui que os seguros de crédito ganham outra dimensão: fornecendo apoio especializado na identificação de oportunidades, aconselhamento sobre contratos e mesmo na recuperação de créditos em mora: funções vitais, demasiado complexas para serem geridas isoladamente.
Em tempos de estabilidade, são discretos. Em tempos de crise, tornam-se cruciais. E quando a linha entre uma e outra parece cada vez mais ténue, a pergunta final é: estará a sua empresa preparada para caminhar sozinha?
Como adquirir um seguro de crédito? O que precisa saber antes de avançar
1. Avalie o seu perfil e necessidades
Antes de contactar qualquer seguradora, analise o seu portefólio de clientes, os mercados onde opera e o volume de vendas a crédito. Empresas com forte componente de exportação ou com muitos clientes que pagam a prazo beneficiam particularmente deste tipo de proteção.
2. Escolha uma seguradora especializada
Nem todas as seguradoras oferecem seguros de crédito com o mesmo grau de cobertura ou serviços complementares. Procure seguradoras ou mediadores reconhecidos neste ramo, que tenham experiência internacional e acesso a bases de dados globais de risco.
3. Prepare documentação financeira
Para a seguradora avaliar o risco da sua carteira de clientes e definir prémios e coberturas, será necessário apresentar:
- Demonstrações financeiras recentes;
- Histórico de vendas e faturação;
- Condições habituais de pagamento dos clientes;
- Informação sobre mercados onde atua;
- Quanto mais transparente e detalhada for a informação, mais ajustada será a proposta.
4. Negocie condições específicas
É possível ajustar:
- Limites de crédito por cliente;
- Percentagem de cobertura (habitualmente cobre entre 80% e 95% do valor em dívida);
- Inclusão de serviços adicionais (monitorização de risco, apoio jurídico, recuperação de crédito);
- Negocie de acordo com a realidade do seu negócio.
5. Mantenha uma relação ativa com a seguradora
A gestão do seguro não termina após a assinatura. É importante atualizar a seguradora regularmente sobre novas contas, alterações contratuais e eventuais incumprimentos. Isso permite que o apoio seja eficaz e imediato, sempre que necessário.
E se a seguradora não aceitar?
Nem sempre a resposta da seguradora é automática ou favorável. Existem situações em que, após análise da carteira de clientes ou do setor de atividade, a seguradora pode recusar conceder cobertura para determinados clientes, mercados ou montantes. Porquê?
- Histórico de incumprimento do cliente final;
- Setores considerados de alto risco (ex.: construção, retalho instável, mercados emergentes com instabilidade política);
- Empresas com informação financeira insuficiente ou falta de transparência.
Mas um “não” da seguradora não significa o fim da linha. Eis o que pode fazer:
- Negociar limites diferenciados: em vez de cobrir toda a carteira, pode propor cobertura apenas para os clientes com melhor histórico, reduzindo o risco;
- Fornecer garantias adicionais: algumas seguradoras aceitam ajustar condições mediante apresentação de colaterais ou seguros complementares;
- Explorar soluções alternativas: existem seguradoras especializadas ou entidades públicas que oferecem garantias específicas para exportadores ou setores estratégicos;
- Rever práticas internas: melhorar o processo de concessão de crédito da sua empresa, solicitar mais dados aos clientes e reforçar contratos pode ajudar a reduzir perceções de risco.
Em tempos de incerteza global, onde cada decisão empresarial é permeada por riscos imprevistos, os seguros de crédito emergem não apenas como uma ferramenta de proteção, mas como um pilar estratégico essencial. Para as empresas que ambicionam crescer, explorar novos mercados e minimizar perdas, este instrumento oferece mais do que segurança financeira: oferece a possibilidade de prosperar num cenário imprevisível.
A questão já não é se as empresas podem arriscar, mas sim se podem arriscar sem um seguro robusto que as ampare.