Seguros de crédito como instrumento de política pública

  • SegurosPME
  • 24 Março 2024

Os seguros de crédito não são apenas um mecanismo privado de proteção empresarial, mas também uma ferramenta de política pública, fundamental para a expansão das exportações e a gestão de riscos.

Em tempos de crise económica, onde a incerteza é uma constante, o Estado desempenha um papel vital na estabilidade das empresas e na promoção do comércio internacional.

Em Portugal, como em muitos outros países, os seguros de crédito não são apenas um mecanismo privado de proteção empresarial, mas também uma ferramenta de política pública, fundamental para a expansão das exportações e a gestão dos riscos inerentes à internacionalização. Um exemplo claro desta intervenção estatal é o sistema de Seguros de Crédito com Garantia do Estado (SCGE), criado para colmatar as lacunas do mercado privado e apoiar as empresas nas suas operações em mercados com níveis de risco elevados.

A falha do mercado e a intervenção estatal

A atividade exportadora de empresas portuguesas, especialmente para países com mercados instáveis, enfrenta desafios substanciais. Os riscos financeiros e políticos nestes territórios podem ser elevados, dificultando a atuação das seguradoras privadas, que hesitam em cobrir estes negócios devido à instabilidade económica ou aos elevados custos do risco.

É neste contexto que entra em cena o SCGE, um sistema que garante a proteção das empresas contra perdas devido ao incumprimento dos clientes. Este sistema vai além dos riscos de crédito tradicionais, com uma cobertura para riscos de natureza política, monetária e até catastróficos, permitindo que as empresas possam transacionar com segurança em mercados de elevado risco.

Cobertura abrangente para mercados emergentes

A grande vantagem do SCGE é que facilita o acesso das empresas a seguros de crédito para exportações para mercados onde a cobertura privada seria impraticável. Para que o seguro seja acionado, é necessário que os produtos exportados tenham uma incorporação nacional significativa, o que, além de proteger as empresas, também contribui para o fortalecimento da economia nacional.

A garantia estatal não se limita apenas à cobertura de riscos financeiros. Esta é importante em mercados onde o risco político ou económico pode alterar a dinâmica do pagamento das dívidas. Países com instabilidade política podem enfrentar dificuldades em honrar compromissos financeiros devido a mudanças de governo, alterações nas políticas cambiais ou até crises de pagamento. Nestes casos, a cobertura do SCGE assume um papel decisivo, permitindo que as empresas portuguesas mantenham a confiança nos seus parceiros comerciais, mesmo nos cenários mais desafiadores.

O impacto nas exportações e na economia nacional

O impacto do SCGE vai para além da proteção de crédito. Este facilita a expansão das exportações portuguesas e apoia a competitividade das empresas num ambiente global marcado pela instabilidade. Ao reduzir o risco de inadimplência e garantir a cobertura de riscos imprevisíveis, o Estado proporciona uma plataforma segura para que as empresas possam aumentar o seu volume de negócios no exterior, sem temer os danos financeiros que poderiam advir de uma operação internacional fracassada.

Além disso, ao incentivar a exportação de produtos com forte incorporação nacional, o sistema também contribui para o fortalecimento da economia portuguesa, gerando mais empregos, mais produção interna e um aumento das receitas fiscais.

Um instrumento estratégico para o futuro

O SCGE é uma estratégia de longo prazo que reforça o papel das exportações na recuperação e crescimento económico do país. À medida que os mercados internacionais se tornam cada vez mais competitivos e voláteis, a intervenção do Estado através dos seguros de crédito torna-se um pilar para garantir a sustentabilidade das empresas portuguesas, permitindo-lhes navegar com segurança por mercados de alto risco. Descubra para a sua empresa uma estratégia pública focada em aumentar a competitividade e a presença global das empresas portuguesas.