Hyundai Santa Fe: Quando o tamanho importa (e impressiona)

Luís Leitão, Hugo Amaral,

O histórico Santa Fe reinventou-se, passando de um todo-o-terreno para um familiar espaçoso. O resultado é um SUV que desafia expectativas, mas que questiona o seu próprio propósito.

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No mundo dos SUV de grande dimensão, o Hyundai Santa Fe sempre ocupou um lugar de destaque. Agora, na sua quinta geração, este veterano com quase 25 anos de história surge completamente renovado, desafiando as convenções e levantando questões intrigantes sobre o seu verdadeiro propósito.

À primeira vista, o novo Santa Fe na versão HEV 1.6 Calligraphy Pack MY25, testada pelo ECO, impressiona pelo seu design futurista, fazendo até lembrar clássicos como o Land Rover Defender.

A frente, dominada por faróis LED em formato “H” e uma grelha arrojada, não deixa a nova estrela da marca sul-coreana passar despercebida. O mesmo sucede com a traseira, mas não pelas mesmas razões, por força das óticas estarem mais baixas do que é costume e as linhas não seduzirem.

É um carro que exige atenção, algo raro num segmento muitas vezes criticado pela falta de personalidade. No entanto, ao mergulhar mais fundo nas características deste SUV, surgem algumas perplexidades. Com 4,78 metros de comprimento e quase duas toneladas de peso, o Santa Fe parece demasiado imponente para as ruas estreitas das cidades portuguesas e sobretudo para vários parques de estacionamento que estão cada vez mais curtos.

Por outro lado, a altura da base do chassi ao solo é demasiado limitada, fazendo com que não o torne no candidato ideal para aventuras off-road mais exigentes. Então, para quem é este carro? A resposta pode estar no seu interior espaçoso e luxuoso.

Com capacidade para sete pessoas e uma bagageira que vai dos 628 aos 1.949 litros com os bancos da segunda e terceira fila rebatidos, o Santa Fe é um mestre em versatilidade. Tanto as versões Calligraphy e Vanguard oferecem bancos ventilados e aquecidos, um ecrã tátil de 6,6 polegadas para gerir todos os aspetos do carro, desde o sistema de infotainment à climatização e à panóplia dos sistemas mais modernos de assistência à condução, desde travagem autónoma de emergência até ao cruise control adaptativo.

O design arrojado e algo futurista da nova versão do Santa Fe que já lhe valeram vários prémios é visível na parte frontal deste SUV, de onde ressaltam os faróis LED em formato de “H” – característica que é também replicada nos faróis traseiros – e a “fita” de LED que liga os dois focos.

Na estrada, o comportamento do Santa Fe é competente, mas não entusiasmante. O motor híbrido de 1.6 litros de cilindrada por vezes parece lutar contra o peso do veículo, especialmente no modo eco. Esta sensação de falta de potência pode frustrar condutores mais exigentes, particularmente em percursos mais sinuosos ou montanhosos.

Um ponto a considerar é que este SUV paga portagens de Classe 2, um fator que pode pesar no orçamento em viagens mais longas — se bem que usando o sistema Via Verde esse custo possa ser minguado, passando para Classe 1. Em termos de preço, o novo Santa Fe posiciona-se de forma competitiva no seu segmento, com valores entre os 66 mil e os 73 mil euros, dependendo da versão escolhida, que se restringe a opções a gasolina plug-in ou híbridas.

Depois de vários quilómetros percorridos num fim de semana prolongado entre Lisboa e a Costa Alentejana fica a sensação de que a Hyundai criou um veículo que desafia categorizações simples. Não é um todo-o-terreno puro nem um citadino ágil, mas oferece um pacote único de espaço, conforto e tecnologia. Talvez o novo Santa Fe seja a resposta para famílias numerosas que valorizam o espaço e o conforto acima de tudo, ou para quem procura um veículo versátil para longas viagens ocasionais.

O que é certo é que este SUV não deixa ninguém indiferente. Além disso, é um testemunho da evolução da marca sul-coreana. De um todo-o-terreno algo rudimentar há duas décadas, o Santa Fe transformou-se num sofisticado veículo familiar que, apesar de algumas contradições, consegue destacar-se num mercado cada vez mais homogéneo.

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