Trump aumenta em 50% orçamento de Defesa dos EUA face a conjuntura “perigosa”
Líder dos EUA diz que reforço orçamental para a área da Defesa no próximo ano "permitirá construir o 'Exército dos Sonhos'" e será financiado com aumento das receitas com as tarifas comerciais.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, adiantou que o orçamento de Defesa dos Estados Unidos para 2027 deverá aumentar 50%, atendendo à conjuntura global “turbulenta e perigosa”.
“Após longas e difíceis negociações com senadores, representantes, membros do gabinete e outros líderes políticos, determinei que, para o bem do nosso país, especialmente neste momento tão turbulento e perigoso, o nosso orçamento militar para 2027 deverá ser de 1,5 biliões de dólares, e não de 1 bilião de dólares”, afirmou Trump nas redes sociais.
Para 2025, o Congresso norte-americano destinou aproximadamente 900 mil milhões de dólares para despesas militares, o valor mais elevado do mundo.
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O reforço orçamental no próximo ano “permitir-nos-á construir o ‘Exército dos Sonhos’ a que temos direito há muito tempo e, mais importante, manter-nos-á SEGUROS e PROTEGIDOS, independentemente do inimigo”, disse Trump.
O Presidente norte-americano acrescentou que se sente confortável em aumentar as despesas militares devido ao aumento das receitas geradas por medidas governamentais como as tarifas impostas a parceiros comerciais e adversários em todo o mundo desde o seu regresso ao cargo.
O aumento maciço dos gastos militares é anunciado dias depois de Trump ter ordenado uma operação militar para capturar em Caracas o líder venezuelano Nicolás Maduro e extraditá-lo para enfrentar acusações de tráfico de droga nos Estados Unidos.
As forças norte-americanas continuam a concentrar-se no Mar das Caraíbas.
Nos últimos dias, Trump defendeu ainda a anexação do território dinamarquês da Gronelândia por razões de segurança nacional e sugeriu estar aberto a realizar operações militares na Colômbia.
O Secretário de Estado Marco Rubio alertou ainda que o regime comunista de Cuba, um adversário de longa data, “está em apuros”.
Venezuela “apenas” comprará produtos americanos com receitas do petróleo
Por outro lado, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que a Venezuela “apenas” comprará produtos americanos com os rendimentos do petróleo, no âmbito do seu novo acordo sobre o crude, após a captura do seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro.
O inquilino da Casa Branca fez esta declaração numa mensagem publicada no seu perfil na rede social Truth Social, onde adiantou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos “para melhorar” a rede elétrica e as instalações energéticas do país latino-americano.
“Por outras palavras, a Venezuela compromete-se a fazer negócios com os Estados Unidos como seu principal parceiro. Uma decisão acertada e muito benéfica para o povo americano e para os Estados Unidos”, acrescentou o também magnata nova-iorquino.
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O anúncio de Trump surge depois de o secretário de Estado, Marco Rubio, ter explicado que o plano da Administração Trump para a Venezuela passa por três fases, sendo a última delas a “transição” política e, por conseguinte, priorizando os seus negócios no setor petrolífero.
A Petróleos de Venezuela (PDVSA), a petrolífera estatal, já tinha confirmado o início de negociações com as autoridades norte-americanas para a venda de volumes de crude aos norte-americanos, “no âmbito das relações comerciais que existem entre ambos os países”.
México nega aumento de remessas de petróleo para Cuba
Já a oresidente mexicana, Claudia Sheinbaum, negou que o seu país tenha aumentado o nível de remessas de petróleo para Cuba, agora mais importantes para a ilha comunista devido à queda acentuada nas entregas da Venezuela.
“Ontem, perguntei à Pemex (Petróleo Mexicano, empresa estatal), que não me forneceu os dados, mas não está a ser enviado [para Cuba] mais petróleo do que historicamente. Não há nenhuma remessa específica”, declarou a Presidente na sua conferência de imprensa matinal.
A presidente mexicana foi confrontada com uma notícia de terça-feira do jornal britânico Financial Times dando conta de que o aumento das exportações pelo governo de esquerda do México impulsionou significativamente o fluxo de petróleo para Cuba no ano passado, ajudando a ilha a suportar uma queda acentuada nas remessas da Venezuela.
A organização Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade (MCCI) revelou que o Governo mexicano continuou a enviar combustível subsidiado para Cuba em 2025, apesar da pressão dos Estados Unidos.
De acordo com um relatório da MCCI, o governo de Sheinbaum autorizou a exportação de gasóleo e outros combustíveis de portos mexicanos para Cuba em novembro e dezembro de 2025, depois de em meados do ano aumentar os envios de combustível subsidiado, com exportações superiores a 3 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros), três vezes mais do que durante os dois últimos anos do governo do ex-Presidente Andrés Manuel López Obrador (2018-2024).
Sheinbaum afirmou que a remessa “histórica” de petróleo para o povo cubano faz parte do contrato e da ajuda humanitária à ilha, reconhecendo que “o México tornou-se claramente um fornecedor importante” dada a situação atual na Venezuela, após a detenção do Presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
A Presidente mexicana reiterou que o petróleo é enviado do México para Cuba há muitos anos por diversas razões, e que mesmo durante o governo do ex-Presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018), foram perdoadas dívidas do regime comunista.
De acordo com dados do Instituto de Energia da Universidade do Texas (EUA) fornecidos à EFE, no final de dezembro Cuba recebeu dois navios do México que transportavam um total de 80 mil milhões de barris de petróleo.
Cuba tem sofrido cortes de energia de 20 horas ou mais por dia em grandes partes do seu território e as remessas serviriam para ajudar a aliviar a crise de energética na ilha.
Sobre a captura de Maduro por forças norte-americanas, Sheinbaum defendeu que “a lei da força” não pode prevalecer face à ONU, que “precisa de ser reforçada”, bem como a outras organizações multilaterais.
“As Nações Unidas precisam de ser reforçadas. Precisam de representar realmente um espaço de coordenação multilateral e também de garantir que, em situações como as que estamos a enfrentar, a lei da força não prevalece”, declarou a líder mexicana.
Numa altura em que ainda lida com o impacto da imposição de tarifas alfandegárias punitivas pelo homólogo norte-americano Donald Trump, Sheinbaum rejeitou a alternativa de ações unilaterais por “quem tiver o maior exército ou a maior economia”.
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